Da Redação
Luciene Ferreira carrega mais de duas décadas de dedicação ao ciclismo. Nascida em Coxim, no dia 12 de fevereiro de 1985, ela começou no esporte aos 13 anos, quando ainda experimentava diferentes modalidades. Antes da bicicleta, esteve envolvida com o atletismo e o futsal, mas foi o ciclismo que tornou-se parte central de sua trajetória.
“O ciclismo surgiu na minha vida ainda na infância, como mais um esporte entre tantos que já pratiquei. Mesmo sem ter uma bicicleta naquela época, a admiração já existia. Quando finalmente comecei, tudo era emprestado — menos a minha força e vontade”, lembra. Ela afirma que percebeu cedo que a modalidade tinha um sentido maior. “Logo percebi que Deus havia me dado um dom, e que a bicicleta era a resposta para aquilo que Ele sonhou pra mim. Desde então, o ciclismo se tornou parte da minha identidade e da minha missão.”
Ao longo desses mais de 20 anos, Luciene acumulou conquistas que a colocam entre os principais nomes do ciclismo brasileiro. Foram mais de 16 títulos nacionais, distribuídos entre provas de estrada, contrarrelógio e pista. As vitórias, porém, não se resumem às premiações. Para ela, representar o Brasil foi um dos pontos altos da carreira. “Defender as cores do Brasil em Pan-Americanos e Mundiais foi uma das maiores honras. Estar entre as melhores e ver o resultado de tantos anos de esforço é o que mais me emociona.”
A rotina de Luciene sempre foi marcada por disciplina. Ela conta que sua preparação envolve treinos diários, musculação, trabalhos específicos de força e acompanhamento nutricional. Ao mesmo tempo, a atleta destaca a importância de manter equilíbrio. “O corpo só responde bem quando a mente está alinhada com o propósito”, afirma.
O caminho, no entanto, não foi simples. Luciene vivenciou o esporte em um período no qual o ciclismo feminino ainda tinha pouca visibilidade. “O maior desafio sempre foi conquistar respeito e espaço em um ambiente que, por muito tempo, foi predominantemente masculino.” Com o tempo, resultados e constância ajudaram a construir sua credibilidade. “Percebi que o talento não tem gênero. Hoje, fico feliz em ver o crescimento do ciclismo feminino e em poder inspirar outras mulheres a acreditarem que o lugar delas é onde elas quiserem.”
A versatilidade é outra característica importante em sua trajetória. Ela compete em modalidades diferentes, que exigem adaptações técnicas e estratégicas específicas. “No contrarrelógio, a concentração e o ritmo são tudo; na estrada, é preciso leitura de prova e trabalho em equipe; e na pista, explosão e precisão. Gosto desse desafio de me reinventar em cada tipo de corrida.”
Segundo Luciene, a sustentação emocional é tão relevante quanto a técnica. Familiares, equipe e patrocinadores compõem a base que permite ao atleta manter continuidade no trabalho. “Ninguém chega longe sozinho. A base familiar sustenta, a equipe oferece estrutura, e os patrocinadores acreditam no nosso potencial.”
Durante períodos intensos de competição, a atleta recorre à memória de sua própria trajetória para se manter motivada. “Procuro lembrar o motivo pelo qual comecei. Em momentos de exigência, foco no processo, não apenas no resultado. Sei que cada etapa faz parte de algo maior.”
Com o tempo, o ciclismo também transformou sua relação com o mundo e com as pessoas. Luciene passou a atuar como treinadora, orientando atletas de diferentes níveis. “O ciclismo me ensinou disciplina, resiliência e paciência. Hoje, além de atleta, também atuo como treinadora. Poder compartilhar conhecimento e acompanhar a evolução de outros atletas é uma das maiores recompensas.”
Para quem sonha chegar ao alto rendimento, ela é direta: consistência. “O talento é importante, mas a mentalidade forte constrói o atleta. Acreditem no processo, respeitem o corpo e a mente, e nunca deixem de aprender.”
Atualmente, Luciene representa a equipe Pindamonhangaba Cycling Team e reside no Vale do Paraíba, em São Paulo. Para os próximos anos, pretende seguir competindo e contribuindo para o crescimento do ciclismo feminino no país. “Seguir evoluindo, buscando novas conquistas e inspirando outras atletas. O ciclismo mudou minha vida.”