Da Redação
“O céu é o limite.” A frase resume o momento vivido por Nelson Luiz Neppl Junior, piloto de velocross de Anastácio (MS), que transformou a dor da perda do pai em combustível para seguir competindo e projetar novos títulos na temporada.
Aos 14 anos, ele teve os primeiros contatos com o motociclismo. “Comecei quando eu tinha 14 anos, foram os primeiros contatos com uma DT 180, haha”, relembra. A diversão nunca deixou de existir, mas a relação com o esporte mudou ao longo do tempo. “Diversão nunca deixou de ser, porque me divirto muito andando de moto, mas ficou sério a partir de 2020, quando comecei a me dedicar 100% ao esporte a motor.”
Hoje, o velocross ocupa diferentes dimensões na vida do piloto. “Velocross hoje representa todos esses itens citados e mais alguns, como terapia também, digamos. Superação pessoal após a perda do meu pai há três anos, que me ensinou e me incentivou desde o início, em 2011. Ele era um amante do esporte a motor.” Além da competição, o esporte também se tornou profissão. “Profissão também, porque além da manutenção nas motos, tenho uma empresa que presta esse serviço.”
O início, segundo ele, foi marcado por limitações financeiras e improvisos. “No começo, tudo era mais difícil: moto quebrando, equipamentos usados, comprados de segunda mão. Ou o financeiro mexia na moto ou ia para as corridas, era uma luta. Mas, graças a Deus, nunca desistimos e estamos aí até hoje no game.” A escolha entre investir na mecânica ou participar das provas fazia parte da rotina de quem buscava espaço em uma modalidade ainda pouco difundida no Estado.
Ele avalia que o cenário mudou nos últimos anos. “No começo, no MS, não era tão conhecido o esporte ‘Velocross’. De uns anos para cá, vem crescendo muito a cada ano, tanto quanto o nível técnico dos pilotos, as estruturas dos eventos e o maquinário dos pilotos. O investimento é alto.” O crescimento também abriu portas para parcerias. “Sobre os patrocínios, hoje em dia é um pouco mais fácil, com as redes sociais, encontrar empresas que apoiam o esporte. Inclusive, tenho algumas que acreditam em nosso trabalho e dedicação.”
Um dos momentos mais marcantes da carreira ocorreu em Aquidauana, na abertura da Copa 4B Racing, após a morte do pai. “Com certeza, foi uma etapa em Aquidauana, pela Copa 4B Racing, abertura do campeonato após a morte do meu pai. Um dia que ficou marcado, onde ganhei as três baterias que competi, de ponta a ponta, e pude homenageá-lo correndo em casa.” Sobre as sensações daquele dia, ele resume: “É uma mistura de sensações que não vou conseguir descrever, mas é incrível.”
A preparação para competir envolve disciplina fora das pistas. “Com certeza, para ser um piloto de alto nível, precisa deixar o físico em dia. Pedalo MTB três dias na semana e treino com moto um ou dois dias na semana, varia um pouco.” A rotina busca reduzir riscos em um esporte onde o erro pode ter consequências graves. “O esporte se torna um pouco mais perigoso para quem não está treinado, mas o risco existe e, na maioria das vezes, ele não perdoa.”
A consciência sobre os limites é parte da estratégia. “Tento andar no meu limite, sempre pensando na segunda-feira de trabalho e reforçando sempre as orações dentro e fora das pistas, porque sem Deus nada é possível.” A fé aparece como elemento recorrente no discurso do piloto, tanto nas vitórias quanto nos desafios.
Nelson também observa que o Estado tem revelado nomes competitivos. “Com certeza, vem crescendo muito o esporte no MS e, claro, temos pilotos de alto nível competindo, inclusive fora do MS.” Entre as referências, ele cita Enzo Lopes. “Referência: Enzo Lopes, #16, nosso número 1 do Brasil.”
Após um ano considerado positivo, o piloto mira novos objetivos. “Meus objetivos para este ano são seguir o Campeonato Estadual (Femems) e a Copa 4B Racing e sair com o título, se Deus quiser.” Ele destaca ainda os resultados recentes. “Já que 2025 foi um ano muito bom para mim, onde consegui me consagrar campeão em três categorias no Velocross.”
A trajetória, iniciada com uma moto usada e desafios financeiros, hoje é sustentada por uma rotina de treinos, apoio de patrocinadores e estrutura própria de manutenção. Entre a pista e a oficina, o piloto de Anastácio mantém o foco nas competições e no crescimento da modalidade no Estado.
Ao projetar o futuro, retoma a frase que sintetiza sua ambição: “Onde quero chegar? O céu é o limite”