Da Redação
“O basquete mudou minha vida. O esporte não só moldou meu corpo, mas também minha mentalidade para vencer desafios.” É a partir dessa afirmação que o atleta amador Matheus Oliveira Ramires resume a relação construída com a modalidade ao longo dos anos, entre dificuldades estruturais, conquistas e adaptação à rotina fora das quadras.
Nascido em Ponta Porã, em 22 de dezembro de 2003, e atualmente residente em Dourados, Matheus teve o primeiro contato com o basquete ainda na infância, de forma indireta. “A minha relação com o basquete começou ainda na infância, quando eu fazia futsal em uma escola em que eu estudava. Na quadra ao lado sempre estava tendo basquete simultâneo, e eu sempre me interessava, mas nunca tinha tomado a iniciativa de praticar”, relembra.
A mudança de rumo aconteceu a partir de um convite. “Um dia, o professor Hugo da Costa, que é uma referência no basquete do nosso estado, me chamou para dar uns arremessos. Acabei tomando gosto pelo esporte e gostando tanto que parei de praticar outros esportes para ficar apenas no basquete”, conta.
Com o avanço na prática, vieram oportunidades. “Com o passar do tempo e muito esforço e dedicação, consegui uma bolsa de estudo em uma escola particular, onde fui selecionado para fazer parte da seleção do município”, afirma. Para ele, o impacto foi além das quadras. “Sou muito grato ao basquete por me permitir um estudo de qualidade, graças ao esporte e aos meus treinadores, que ensinam muito além do basquete, mas também valores da vida.”
Hoje, Matheus se define como atleta amador. A prática, segundo ele, passou a ocupar outro espaço diante das demandas do cotidiano. “Hoje eu sou um atleta amador, virou um hobby com a rotina corrida de estudo e trabalho. Mas o amor pelo esporte é maior do que qualquer coisa e é algo que não consigo deixar de lado”, relata.
Mesmo com limitações, ele segue ativo em competições. “Participo de muitas competições durante o ano no estado, competições no âmbito universitário e nas categorias livres também. A vontade de competir é maior que qualquer outra coisa”, diz.
A realidade, porém, impõe obstáculos. Em Dourados, onde vive atualmente, a estrutura para o basquete é apontada como insuficiente. “Aqui em Dourados, para o basquete, o incentivo é quase zero, ainda mais para a prática e lazer. Só temos o Parque dos Ipês, onde nós mesmos, praticantes, cuidamos e tiramos do nosso bolso para manter a quadra em condições”, afirma.
Além da manutenção, o acesso aos espaços também é um problema. “Não se tem quadras de qualidade para a prática da modalidade, e até mesmo conseguir uma quadra é burocrático. Muitas vezes não se tem horário disponível”, completa.
Entre os momentos marcantes da trajetória, Matheus destaca as conquistas no ambiente universitário. “Meu momento mais marcante foi quando nos consagramos campeões estaduais pela universidade (UFGD), que nunca tinha sido campeã dos Jogos Universitários. Conseguimos a vitória e levamos o nome da universidade para o âmbito nacional”, relembra.
A conquista levou o grupo a competir fora do estado. “Fomos jogar em Joinville, Santa Catarina. Em 2022, também saímos campeões estaduais de basquete 3x3 pela universidade e fomos representar o estado em Canoa Quebrada, no Ceará”, conta. Para ele, as experiências extrapolaram o esporte. “Era meu primeiro contato com viagem de avião e com a praia. Tudo isso graças ao basquete, e tenho muita gratidão por isso.”
O percurso, no entanto, também foi marcado por interrupções. Durante a adolescência, Matheus chegou a vislumbrar uma carreira profissional. “Eu tinha o sonho de seguir carreira e já tinha alguns testes em clubes para peneira. Mas, em um campeonato interno, acabei rompendo o tendão da panturrilha”, relata.
A lesão afastou o atleta das quadras por um período significativo. “Fiquei um ano sem praticar o esporte. Quando voltei, já não era a mesma coisa: sobrepeso, falta de motivação, muito medo e dor”, afirma. A retomada aconteceu de forma gradual. “Aos poucos fui voltando, com limitações, mas nunca abandonei. Hoje é um hobby, algo que levo como lazer.”
Mesmo fora do alto rendimento, a presença do basquete permanece constante na rotina. “Temos um time e marcamos de praticar em dias e horários em que todos possam estar presentes. Nem sempre dá por conta do trabalho e estudo, mas, quando surge um tempo, é nas quadras que estamos”, explica.
A relação com o esporte também passa pela família. “Minhas referências são minha família. Meu pai, minha mãe, minha tia e meu tio praticaram. Eles foram minha inspiração para começar”, diz.
Ao olhar para o cenário local, Matheus aponta caminhos para o fortalecimento da modalidade. “Para ter mais visibilidade, são necessárias reformas em quadras públicas, mais apoio ao esporte e projetos sociais para jovens e adolescentes”, afirma. Ele destaca ainda o papel social da prática esportiva. “O incentivo melhora a coordenação, o equilíbrio e a resiliência, além de ser uma ferramenta de inclusão social para os jovens.”
Entre limitações estruturais e experiências marcantes, Matheus mantém o vínculo com o basquete sustentado pela constância. “Foi no esporte que aprendi a nunca desistir, manter o foco e dar o meu melhor todos os dias”, conclui.