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“Nunca é tarde para começar”: Magrão vai competir no jiu-jitsu aos 55 anos

da redação - 22 de ago de 2025 às 14:06 122 Views 0 Comentários
“Nunca é tarde para começar”: Magrão vai competir no jiu-jitsu aos 55 anos Da Redação

Waldir Martins Esmerio, conhecido no tatame como “Magrão”, começou a treinar jiu-jitsu aos 52 anos, na academia Nine Nine Team Oshiro, em Dourados. Ele levava o filho Danilo para treinar e, enquanto aguardava o fim das aulas, observava os treinos. “O professor ficava me chamando para treinar, e aí eu fiz uma aula experimental e gostei muito. E hoje estou perto dos 55 anos e não consigo ficar sem treinar”, relata.

 

O início tardio não foi impedimento. “Na verdade, eu comecei o Jiu-Jítsu muito tarde e sentia muitas dores no meu corpo, principalmente na coluna. Com os aquecimentos para os treinos, essas dores foram diminuindo e eu fui gostando cada vez mais de treinar”, explica. A presença do filho nas competições também serviu de incentivo. “Agora, com 55 anos, vou participar do meu primeiro campeonato no dia 13 de setembro de 2025. E como o meu aniversário é no dia 15, com certeza será um grande presente poder participar.”

 

O jiu-jitsu, segundo Magrão, transformou sua rotina e sua percepção sobre disciplina e respeito. “Muitas vezes a pessoa diz que não tem tempo para treinar, mas quem realmente quer sempre encontra um jeito. No Jiu-Jitsu, a pessoa aprende técnicas, respeito e a evitar brigas. Dentro da família, como no caso do Danilo, vai aprendendo a se defender e a respeitar mais as pessoas”, explica.

 

Conciliar a prática esportiva com trabalho e responsabilidades familiares exige disciplina e determinação. “Com força de vontade e dedicação. Não pode fazer corpo mole, senão acaba desistindo e, muitas vezes, colocando a culpa no Jiu-Jitsu”, afirma. Entre os desafios enfrentados, destaca-se uma lesão grave: “O meu maior desafio foi quando fraturei duas costelas durante um treino. A dor foi tão intensa que cheguei a pensar que nunca mais conseguiria treinar Jiu-Jitsu. Foram cerca de 45 dias de recuperação, e nesse período quase desisti. Além disso, eu ainda era faixa branca e muitas pessoas diziam que eu já era ‘muito velho’ para praticar o esporte. Alguns colegas de treino também desistiram por causa de lesões, mas eu escolhi continuar, e graças a Deus segui firme no meu caminho.”

 

Magrão também compartilha a motivação por trás da decisão de competir, que surgiu após acompanhar o filho Danilo durante os campeonatos. “Tudo tem a sua hora certa. Depois de tantos anos treinando e acompanhando meu filho nas competições, senti vontade de também competir. Já estou com quase 55 anos e queria conquistar a minha primeira medalha”, explica. Ele destaca que, durante os treinos, enfrentou atletas significativamente mais jovens, entre 35 e 42 anos, pois na faixa etária dos 50 a 55 anos quase não há competidores.

 

Para ele, a conquista da primeira medalha representa mais do que um resultado esportivo. “Ela representa superação, coragem e fé. Mostra que nunca é tarde para realizar sonhos e que idade não é impedimento para lutar. Essa vitória também serve de exemplo para aqueles que acham que sou ‘velha demais’ para competir. Hoje, com essa conquista, tenho ainda mais motivação para continuar treinando e buscando novas vitórias. Glória a Deus!”

 

A coragem de Magrão tem o apoio do professor e orientador, e também do próprio filho. “O professor Marquinhos sempre me incentivou a participar, e depois de tanto tempo apenas acompanhando, finalmente criei coragem. Hoje me sinto realizado por ter alcançado essa fase da minha vida. Agradeço imensamente ao meu filho Danilo, que sempre me apoiou, e também ao professor Marcos, que acreditou em mim e me incentivou a não desistir.”

 

No começo, nem toda a família compartilhava da mesma visão sobre o esporte. “No começo, minha família não gostou muito. Diziam que era coisa de vale-tudo e só porrada. Mas eu segui firme e, com o tempo, foram vendo que não era bem assim. Hoje continuo treinando, mesmo com as dificuldades por causa do meu trabalho de mecânico de caminhão, que às vezes não me deixa tempo para treinar. Alguns familiares me apoiam bastante e até elogiam, outros já não gostam muito. Muitos me perguntam se vou competir, e a resposta é sim: minha primeira competição será no dia 13 de setembro, em Ponta Porã”, conta.

 

Magrão mantém uma rotina focada em evolução contínua. Começou como faixa branca e hoje já é faixa azul. “Quero seguir treinando, lutando e competindo até conquistar a tão sonhada faixa preta. Todos que começam no jiu-jitsu iniciam na faixa branca, mas sonham em chegar à preta. Esse também é o meu foco”, revela.

 

A mensagem que deixa para quem acha que está “tarde demais” para começar a praticar ou competir é direta: “Nunca é tarde para começar. Me arrependo de não ter iniciado antes. Na minha época era muito difícil, só existia caratê e judô, e meus pais não deixavam eu praticar, além de não termos condições financeiras. Lembro que comprei um quimono de judô parcelado em quatro vezes, mas depois não consegui pagar a academia e tive que parar. Hoje é diferente: o jiu-jitsu está mais acessível, bastante divulgado, com várias academias e mensalidades bem mais em conta.”

 

A trajetória de Magrão demonstra que a disciplina, a persistência e o acompanhamento familiar podem transformar a vida de qualquer pessoa, independentemente da idade. Aos 55 anos, ele se prepara para entrar no tatame não apenas como praticante, mas como competidor, reafirmando que a dedicação e a paixão pelo esporte não têm limites. “Nunca é tarde para realizar sonhos. Basta começar”, conclui.

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