“Nem todos os dias voce consegue fazer o 100%, mas se trata de fazer, mesmo que nao seja seu maximo, isso e constancia”. A frase resume a forma como João Vitor Prodoskine Koch enxerga o fisiculturismo e a rotina esportiva que construiu ao longo dos últimos anos. Natural de Maracaju, nascido em 13 de março de 1997, ele entrou no esporte por incentivo direto dentro da academia e, com o tempo, passou a encarar a prática como parte de um processo mais amplo de evolução.
“Comecei por incentivo de uma amiga, dona da academia onde eu treinava. Ela era fisiculturista e me incentivou a entrar nesse mundo”, relata. O primeiro contato não veio de um planejamento estruturado, mas da convivência com quem já vivia a modalidade. A partir disso, o que era apenas treino se transformou em algo mais consistente.
Segundo ele, a decisão de levar o fisiculturismo a sério veio quando os resultados começaram a aparecer. “Assim que eu percebi uma boa evolução no físico e, principalmente, na mente, após encarar o desafio como algo que me traria evolução em todos os âmbitos da vida”, afirma. A mudança, nesse caso, não ficou restrita ao corpo, mas também à disciplina e à organização da rotina.
Atualmente, o fisiculturismo divide espaço com outra modalidade. João Vitor passou a incluir o boxe em sua preparação e já participou de competição em 2026. “Hoje inclui outro esporte na rotina, o boxe. O fisiculturismo ficou um pouco de lado, porém sempre mantendo uma boa alimentação, com quatro refeições ao dia e uma boa ingestão de água, além de no mínimo três treinos de musculação e três de boxe para fins competitivos”, explica.
A adaptação da rotina revela uma tentativa de manter o condicionamento enquanto explora novas possibilidades dentro do esporte. Mesmo assim, ele não abandona os princípios básicos do fisiculturismo, como alimentação controlada e frequência de treinos.
Entre os obstáculos enfrentados, João Vitor aponta principalmente a questão financeira. “Com toda certeza, a parte financeira, sem retorno para o atleta no Brasil. Infelizmente, os incentivos são muito poucos e o retorno é menor ainda”, diz. A avaliação reflete uma realidade comum entre atletas de modalidades que não contam com grande visibilidade ou patrocínio constante.
Essa limitação impacta diretamente nas decisões ao longo da carreira. Apesar de ter o fisiculturismo como objetivo, ele afirma que precisou priorizar outras áreas em determinados momentos. “Não abri mão de algo muito importante. Como disse, o retorno é mínimo e, embora seja um sonho meu, sempre priorizei coisas mais importantes do que competição, como não ter competido em 2025 por conta do curso de Nutrição, que já estava em fase final”, conta.
A formação acadêmica, inclusive, tem ligação direta com o esporte. Segundo ele, o interesse pela nutrição surgiu dentro do próprio fisiculturismo. Entre as conquistas que considera mais relevantes, estão experiências pessoais e profissionais. “Ter visto minha mãe e meu pai juntos me assistindo no primeiro campeonato foi algo marcante. Foi a primeira e única vez que vivi isso. Também o curso de Nutrição, que foi através do esporte que criei o interesse em me formar na área, e o campeonato de boxe, que me manteve com aquela fome de vencer enquanto não podia me preparar para o fisiculturismo”, relata.
Ao analisar o cenário local, João Vitor faz uma avaliação direta sobre o desenvolvimento da modalidade. “Precário e com uma estrutura pequena pelo potencial que vem se tornando o Mato Grosso do Sul em relação ao bodybuilding”, afirma. A crítica aponta para a falta de estrutura diante do crescimento do interesse pelo esporte.
Mesmo diante das dificuldades, ele mantém referências dentro do meio. “Admiro o trabalho de atletas como Rafael Brandão, Gabriel Zancanelli e Leandro Peres, assim como treinadores e nutricionistas dentro do meio”, diz, destacando nomes que acompanham sua trajetória como inspiração.
Para o futuro, o planejamento envolve o retorno às competições de fisiculturismo. “Meu objetivo e sonho sempre foi alcançar um físico de Pro, mesmo que eu não me torne um, e conquistar o Pro Card. Consequentemente, viver do esporte e conciliar a nutrição, que é meu trabalho, com o hobby do esporte”, projeta.
Os próximos passos já estão definidos. “Competir novamente no Mato Grosso do Sul entre 2026 e 2027 e depois arriscar um campeonato maior. No total, são cinco campeonatos em cinco anos de trabalho voltado exclusivamente para o fisiculturismo”, conclui.