Da Redação
“Não formamos apenas atletas, formamos cidadãos”. A afirmação do professor de Educação Física e técnico de handebol Nathan Vinícius Almeida Vargas resume a forma como ele enxerga o papel do esporte na formação de jovens. Natural de Campo Grande (MS), onde nasceu em 26 de outubro de 1999, Nathan construiu sua trajetória a partir da vivência prática nas modalidades e da formação acadêmica voltada ao treinamento esportivo.
Filho de professores, ele relata que a educação sempre esteve presente em sua vida. “Venho de família de professores e a educação sempre foi uma paixão. Junto com o envolvimento com a prática de esportes, foi criando a paixão pela Educação Física”, afirma. O contato com o esporte começou ainda na infância, de maneira espontânea, principalmente com o skate. “Pratico skate e handebol desde os 12 anos de idade. O skate surgiu na rua, com os amigos, de forma natural”, conta.
Já o handebol entrou em sua vida dentro do ambiente escolar, por meio de uma professora que marcou sua trajetória. “O handebol foi através da falecida professora Rosineide, na escola Adair de Oliveira. Os treinamentos dela eram surreais, me encantavam. A dedicação dela com a nossa equipe era cativante”, relembra.
Apesar de reconhecer que não se destacou como atleta da modalidade, Nathan encontrou no ensino uma forma de se manter próximo ao esporte. “Sinceramente, nunca fui um atleta muito talentoso no handebol, mas a paixão pelo ensinar me aproximou muito da profissão de técnico esportivo”, diz.
Na adolescência, o skate ocupou um papel central. “Meu auge era no skate. Tive muitas participações em competições, vivências incríveis e um sonho de ser atleta profissional, porém o talento esportivo não surgiu”, relata. Já no início da vida acadêmica, chegou a atuar como professor da modalidade. “Trabalhei como professor de skate particular, porém as oportunidades para essa modalidade ainda são escassas, e a vida adulta necessita de retorno financeiro. Acabei não me dedicando muito à área do skate”, explica.
Com a formação em Educação Física e a pós-graduação em treinamento esportivo, Nathan afirma ter ampliado sua compreensão sobre o papel do treinador. “A formação acadêmica é fundamental para atuação como técnico, pois possibilita entender de forma geral os esportes, a atuação do professor e suas vertentes”, pontua. Ele também faz uma crítica ao cenário esportivo. “Vejo muitos esportes que dão muito palco para ex-atletas que atuam como técnico e pouca importância para os profissionais de Educação Física”, acrescenta.
Segundo ele, a especialização contribuiu para uma atuação mais completa. “A pós-graduação acrescentou na minha vida profissional uma visão mais aprofundada do treinamento esportivo, possibilitando entender melhor a gestão de equipe, liderança de grupo, equipes de alto rendimento e o papel do treinador na vida dos atletas”, afirma.
Na prática do dia a dia, Nathan divide seu trabalho entre o ambiente escolar e o treinamento esportivo, o que exige abordagens diferentes. “Convivo com os alunos como atletas e como professor, então percebo a diferença de comportamento. No treinamento, temos uma visão do esporte com repetição, cobrança, dedicação e disciplina. Já na Educação Física, o esporte é para todos, voltado para a inclusão”, explica.
Entre os principais desafios da modalidade em Campo Grande, ele destaca a dificuldade de continuidade para os atletas após a base. “As categorias de base têm uma ótima atuação, porém, após o ensino médio, temos poucas equipes adultas, devido à falta de apoio, calendário esportivo e espaços para o handebol”, afirma. Ele também aponta problemas estruturais nas escolas. “Muitas vezes não temos material suficiente, espaço adequado e incentivo do poder público. Infelizmente, não conseguimos fazer tudo”, diz.
No aspecto técnico, Nathan defende que o handebol exige preparação completa. “Mudança de direção, potência, impulsão e agilidade são indispensáveis. Os atletas precisam atacar e defender muito bem”, explica. Ele também ressalta o caráter coletivo do esporte. “O trabalho coletivo no handebol é o mais importante. É atacar um espaço, gerar vantagem e soltar a bola para o companheiro”, detalha.
A rotina de treinamentos envolve diferentes frentes. “Na parte física, focamos em explosão, potência, resistência e fortalecimento geral. Na parte técnica, utilizo jogos de superioridade numérica, estafetas e atividades que trabalham os fundamentos”, explica. Já no aspecto mental, ele destaca a importância do acompanhamento profissional. “Tentamos acolher os alunos para lidar com vitórias e derrotas. Temos acompanhamento de uma profissional de psicologia esportiva”, afirma.
Nathan também chama atenção para o papel da família no processo. “A família é uma grande aliada, porém sempre tem aquele pai que cobra muito do aluno e não percebe que, às vezes, está dificultando o aprendizado com uma cobrança extrema”, observa.
Sobre o desenvolvimento do handebol no Brasil, ele acredita que ainda há um caminho a ser percorrido. “Falta incentivo na formação, mais competições, divulgação e investimento financeiro. Exportamos muitos atletas, mas, para fortalecer o cenário nacional, precisamos de competitividade no Brasil”, analisa.
Entre os momentos marcantes da carreira, ele destaca a participação como técnico em competições escolares. “O ponto mais marcante foi poder atuar como técnico nos Jogos Escolares, onde fui atleta por anos”, afirma. Ele também menciona resultados em competições universitárias e novos objetivos. “Quero estar presente com alunos no primeiro Jogos Escolares de Skate Street em Campo Grande”, projeta.
Ao falar sobre os valores do esporte, Nathan é direto. “Trabalho em equipe, resiliência e dedicação”, resume.
Para o futuro, ele estabelece metas ligadas ao desenvolvimento da modalidade e à formação de atletas. “Desejo me tornar um técnico de referência na cidade e no estado, conquistar um pódio nos Jogos Escolares e exportar atletas para grandes clubes”, afirma. Ele também vislumbra atuar em alto rendimento. “Quem sabe, um dia, poder atuar em uma equipe de alto rendimento com toda a estrutura que um clube esportivo pode oferecer”, conclui.