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Myrella Lima: a atleta que cresceu jogando entre meninos e chegou à final da LPF

da redação - 13 de jan de 2026 às 15:42 677 Views 0 Comentários
Myrella Lima: a atleta que cresceu jogando entre meninos e chegou à final da LPF Da Redação

Myrella de Lima e Souza, nascida em 02 de fevereiro de 2005 em Campo Grande e criada em Figueirão, encontrou no futsal um vínculo que atravessa fases da vida. A relação com a bola começou cedo. “Desde nenenzinha eu sempre gostei de brincar de bola, jogar na rua com meus irmãos, então o futebol sempre esteve presente”, relembra. O sonho de seguir na modalidade nasceu ainda na infância, motivado pela rotina no interior. “Eu queria dar uma vida boa pra minha família. Minha família sempre foi uma grande motivadora”, afirma.

 

As limitações estruturais marcaram os primeiros passos da atleta. “Lá em Figueirão eu era sempre a única menina no meio dos meninos. Até uns 14 anos, se eu queria jogar, eu tinha que jogar com os meninos, porque não tinha time nem escolinha feminina. E minha família não tinha condições de me mandar para outro lugar para seguir esse sonho”, conta.

 

Sem referências femininas por perto, Myrella construiu sua própria trajetória. “Eu nunca tive uma presença feminina que me inspirava. Eu sempre quis ser melhor do que as pessoas que estavam ao meu redor”, explica. No futsal competitivo, passou a observar outras atletas, mas sua principal influência veio de casa. “A maior influência de vida para seguir e jogar foi o meu avô João Batista.”

 

Aos 15 anos, atuando entre adultas em sua cidade, Myrella ganhou destaque. “Eu sempre fui muito rápida e, por um longo tempo, fui a menina dos gols. Lá no interior, quando eu jogava no time adulto, eu era conhecida como a estrela do time”, recorda. O momento mais marcante aconteceu já fora do estado, atuando pelo clube Guerreiras Pinda, de São Paulo. A final da Liga Paulista de Futsal permanece viva na memória. “Eu estava com o joelho e a coxa machucados do confronto anterior, mas joguei com coração e alma”, diz.

 

Na partida decisiva, ela marcou um gol e recebeu o prêmio de melhor em quadra. “Fiz um gol, fui extremamente importante para a equipe, recebi o craque da partida e fomos campeãs, 2 a 1, em um jogo que começamos perdendo”, conta. Durante o jogo, uma nova lesão quase a tirou de quadra. “Achei que não conseguiria mais, mas voltei no sacrifício. Foi um jogo inesquecível para mim.”

 

A rotina de atleta hoje divide espaço com as responsabilidades da vida adulta e uma lesão no joelho que ainda inspira cuidados. “Eu me encontro um pouco sem esperanças, tendo que trabalhar muito em uma escala 6x1 e me sobrando pouco tempo para treinos e competições”, afirma. Ainda assim, Myrella não se afastou totalmente do esporte. Ela segue treinando sempre que possível no clube que considera fundamental para sua evolução recente. “Quando sobra um tempo entre trabalho e obrigações, eu ainda pratico no DEC Feminino, que me ajudou muito no meu crescimento.”

 

Sobre a modalidade em Mato Grosso do Sul, a atleta reconhece avanços, mas ressalta lacunas. “Hoje em dia já melhorou muito, porém ainda falta muito incentivo de órgãos públicos, em escolinhas e investimentos no futebol feminino”, avalia.

 

Mesmo diante das dificuldades, Myrella deixa um recado direto para quem sonha com o esporte. “Hoje em dia as pessoas colocam preconceito em tudo que você for fazer. Então, se você tem o sonho de seguir carreira, faça e não ligue para o que os outros falam. Conselho você escuta; o que achar que serve para o seu crescimento, absorve. O que não, faz o famoso ‘entrou no ouvido e saiu no outro’.”

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