Da Redação
Após participar de uma partida de futebol solidária neste domingo (30), o governador Eduardo Riedel (PP) afirmou que pretende reabrir gradualmente o Estádio Morenão a partir de 2026. O anúncio, feito em tom de compromisso com o esporte sul-mato-grossense, reacende o debate sobre a demora nas intervenções e levanta um questionamento inevitável: com a reeleição no horizonte, o governador já entrou em campanha?
Riedel reconheceu que uma reconstrução completa não ocorrerá no curto prazo, mas garantiu que o governo atuará para liberar partes do estádio ao público. A estratégia, segundo ele, é recolocar o espaço em funcionamento enquanto se discute uma parceria com empresas para modernização futura.
“O Estado vai apoiar o Morenão. Não se nega a isso. A universidade já demonstrou também toda a possibilidade de fazer essa transferência do ativo em si para que possa ser investido”, afirmou ao Campo Grande News.
A declaração ocorre no momento em que a UFMS e a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul avançam nas negociações para transferir o estádio ao governo — um processo que se arrasta há anos e sofreu sucessivos impasses. Somente agora, após recuos da universidade em exigências que travavam o convênio, o acordo avança para formalização jurídica.
Enquanto isso, o Morenão segue fechado desde 2022. Em 2023, o governo chegou a firmar um convênio de R$ 9,4 milhões para reformas, dos quais R$ 7,8 milhões acabaram devolvidos pela UFMS sem que a obra fosse concluída. O investimento inicial contemplou apenas melhorias parciais em banheiros, rampas de acesso e no museu. O restante ficou na promessa.
Ainda assim, Riedel disse que a prioridade será recolocar o estádio em uso.
“Vamos abrir o Morenão, fazer com que os jogos aconteçam lá. A gente vai ajudar a restabelecer essa força do futebol com investimento”, afirmou. Segundo ele, a revitalização ocorrerá aos poucos, com melhorias contínuas até que seja possível pensar em modernização completa.
Sobre uma eventual parceria público-privada, o governador adotou cautela — ou prudência eleitoral.
“A gente tem que botar o Morenão a funcionar. Qualquer investimento maior depende de viabilidade. É um passo de cada vez”, declarou.
O discurso, no entanto, entra em choque com a realidade: o estádio mais importante de Mato Grosso do Sul segue interditado há dois anos, com obras atrasadas, convênio encerrado e disputas burocráticas que empacaram a reabertura. Agora, justamente às vésperas de 2026 — ano em que Riedel tentará a reeleição — o governo promete um Morenão enfim reativado.
Resta a pergunta que circula nos bastidores e nas arquibancadas: o governador apenas atualiza um compromisso antigo ou usa o maior palco do futebol sul-mato-grossense como vitrine política? A torcida ainda espera por resposta — mas, por enquanto, o jogo segue em aberto.