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Mario Katayama busca montar maior equipe de jiu-jitsu competitivo de MS e sonha com título mundial na Master

da redação - 21 de jul de 2025 às 15:10 218 Views 0 Comentrios
Mario Katayama busca montar maior equipe de jiu-jitsu competitivo de MS e sonha com título mundial na Master Da Redação

Mario Márcio Katayama nasceu em Campo Grande, no dia 7 de março de 1973, mas foi fora do país que se aprofundou no jiu-jitsu e construiu uma carreira que hoje carrega o título de faixa-preta 4º grau e o credencia como árbitro da IBJJF, a maior entidade internacional da modalidade. Ele planeja voltar a competir e tem uma meta ousada: formar a maior equipe de competição da região e buscar títulos em grandes eventos como o Brasileiro da CBJJ, o Mundial e o Master da IBJJF.

 

O primeiro contato com o jiu-jitsu ocorreu ainda na adolescência, em 1987, dentro de uma academia de outra arte marcial. "Foi uma boa experiência, mas eu era adolescente e continuei treinando o que já fazia." A virada veio anos depois, no Japão. "Vi os vídeos do UFC, vídeos dos Gracie, e aquilo me fez olhar de forma diferente. Um acidente grave me tirou do esporte de luta em pé, e foi aí que procurei algo que me adequasse."

 

Foi na cidade de Hamamatsu, no estado de Shizuoka, que ele conheceu o jiu-jitsu de forma mais aprofundada. "Foi nessa cidade que aprendi que existem vários jiu-jitsu. O Brazilian Jiu-Jitsu ou Gracie Jiu-Jitsu." Desde então, iniciou a busca por um professor com quem se identificasse. "Treinei em várias academias, inclusive na Gracie Barra, em São Paulo, e com Ryan Gracie. Mas foi da faixa-roxa para a marrom que conheci o Mestre Hélio em um seminário. Depois, o Mestre Osvaldo Alves, que realmente me forçou a mudar o meu jeito de pensar e de ver a luta."

 

Katayama define esse período como um divisor de águas. "Existe um Mario antes do Mestre Osvaldo e o Mario de agora. Ele é, sem dúvida, o marco na minha carreira."

 

Hoje, com tempo suficiente para conquistar o 5º grau, ele afirma que sua única referência é a CBJJ/IBJJF. "Em termos de representação, só mostra que estou ficando velho e que preciso me cuidar mais. Meu maior aprendizado? Não se deve mentir sobre você. Em determinado momento, um verdadeiro vai bater na sua porta. E aí?"

 

No campo pessoal, ele diz que as maiores transformações não vieram do tatame. "Quem me fez mudar de vida foram Jesus Cristo e os meus dois filhos, Isabella e Mario." E mesmo sem formação acadêmica além do jiu-jitsu, ele tem um propósito: "Quero deixar algo registrado para que, um dia, qualquer um deles olhe para minha história, aprenda, admire e se inspire para algo melhor."

 

Sobre filosofia de ensino, Katayama é direto: "Sou contra essa história de filosofia no jiu-jitsu. Com a minha vivência, tanto didática quanto em competições, descobri que isso é uma grande farsa. O que realmente existe são princípios e caráter." Segundo ele, um bom professor deve ser íntegro. "Esses princípios serão admirados e repetidos pelos alunos. Nada de algo específico do jiu-jitsu. Já vi professores pararem para fumar e depois falarem de filosofia."

 

Apesar de evitar comentar diretamente sobre o cenário local do jiu-jitsu, Katayama compartilha suas observações após viver em diferentes países. "Morei nas Filipinas, Tailândia, Indonésia, e fiz duas temporadas nos EUA, em San Diego e Las Vegas. Me assusto com tantos 'mestres'. Fui a um campeonato onde um senhor usava camiseta de Mestre. Será que ele sabe quando se pode ser atribuído esse título?"

 

Em sua trajetória como professor, ele também coleciona histórias marcantes. "Nunca nenhum jovem veio à minha academia buscando disciplina. Em geral, são pais que não sabem lidar com os filhos e querem que um terceiro tome conta. Mas tive alunos com traumas violentos, alunos abusados, que mudaram de vida com o jiu-jitsu. Pararam de beber, fumar e até de roubar."

 

Katayama acredita que essas transformações acontecem dentro de um ambiente construído. "Um ambiente de respeito e amizade acima do normal. Tenho alunos que já pararam de treinar e ainda me visitam para conversar."

 

Sobre o crescimento feminino no jiu-jitsu, ele considera algo natural e positivo. "Acho maravilhoso. Torna o ambiente mais saudável, limpo e descontraído. Elas são mais agressivas, muito mais competitivas. O treinamento feminino é mais específico e minucioso. A mulher menstrua, o que a transforma em uma bomba hormonal e psicológica. Para treinar mulher, é necessário o mínimo de conhecimento."

 

No que se refere à preparação mental e emocional, Katayama é enfático. "Para mim, não existe treino físico sem o mental. É preciso fazer o atleta entender sua posição na academia, na luta e na competição." Ele critica quem tenta formar atletas sem ter vivenciado competições. "Vejo pessoas se gabando de serem time de competição. Como alguém pode ensinar algo que nunca viveu? Qual o currículo desse professor? Quantos campeonatos ele ganhou?"

 

Para ele, o apoio psicológico é essencial, mas exige profissionais preparados. "Aqui em Campo Grande é bem difícil. Vejo muitos especialistas sem especialidade alguma atuando."

 

Mesmo com décadas de prática, a motivação permanece. "Ainda não sei o que me motiva. Amor? Talvez. Meus filhos. Adoro competir. Tenho algumas restrições médicas que estou corrigindo. Em breve quero voltar. Quero saber quem eu sou, até onde posso ir."

 

A decisão de permanecer no Brasil foi motivada por um luto familiar. "Eu estava só de passagem para visitar meu pai e minha família. Perdi meu pai há pouco tempo. Foi aí que resolvi ficar e arriscar algo grande."

 

O plano é ousado: "Quero trazer a representação da CBJJ para cá de novo. É um campo gigantesco onde posso trabalhar. Quero montar a maior equipe de competição da região e disputar o Brasileiro da CBJJ, Mundial da IBJJF e o Master da IBJJF."

 

Além da experiência como árbitro da IBJJF, Katayama destaca as conquistas internacionais e o desejo de continuar vencendo. "Tenho vários títulos internacionais verdadeiros. Fiz alguns atletas fortes fora do Brasil. Espero repetir isso aqui. A nível pessoal? Ainda vou ser campeão mundial na Master."

 

Por fim, compartilha o que considera sua maior qualidade: "Se eu tenho uma qualidade, essa é a minha teimosia. Muitos disseram que não se vive de jiu-jitsu aqui. Eu quero tentar. Não vou roubar aluno, tirar proveito, vender faixa. Vou fazer como sempre fiz: mostrando como se compete, do lado do meu aluno."

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