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Marcelo Matos: mais de três décadas de dedicação e ensinamentos no judô sul-mato-grossense

da redação - 9 de out de 2025 às 13:59 196 Views 0 Comentários
Marcelo Matos: mais de três décadas de dedicação e ensinamentos no judô sul-mato-grossense Da Redação

O judoca e professor Marcelo da Silva Matos, faixa-preta 4º dan e profissional de Educação Física (CREF 2560 G/MS), carrega mais de três décadas de vivência sobre o tatame. Nascido em 11 de dezembro de 1981, ele iniciou no judô ainda criança, em 1989, no tradicional Clube Rocha, em Campo Grande. Desde então, o esporte se tornou não apenas uma prática física, mas uma filosofia de vida. “Minha mãe queria ocupar o meu tempo livre e viu no judô uma oportunidade da prática esportiva. Foi em 09 de março de 1989 que iniciei no Clube Rocha”, lembra.

 

Com o passar dos anos, o menino que começou por incentivo materno se tornou atleta, professor e gestor esportivo, além de pós-graduado em Gestão Escolar e Gestão Esportiva. A trajetória até a faixa-preta foi marcada por conquistas, amadurecimento e um ponto de virada ainda na adolescência. “Foi algo muito tranquilo e prazeroso. O maior momento decisivo foi aos 12 anos, quando participei do meu primeiro campeonato brasileiro. Ali começou o sonho olímpico e o desejo de disputar eventos internacionais”, recorda.

 

Marcelo atribui grande parte de sua formação à influência dos senseis da família Rocha, referência do judô sul-mato-grossense. Ele também destaca a importância dos pais e de um nome em especial: Sensei Flávio Rocha. “A forma como ele dava os treinos e atuava como treinador sempre foi inspiradora. Via nele toda a representação de garra e vontade de vencer. O olhar dele para a gente era contagiante. Fora a história de ter sido campeão brasileiro escolar com o quadril lesionado”, conta.

 

Entre os muitos valores que o judô ensina, um se destaca na visão do professor: o respeito. “O respeito mútuo é o maior ensinamento do judô. A ação de saudar o adversário, mesmo na derrota, representa muito. Respeito é uma palavra e uma ação que estão ficando escassas no mundo”, afirma.

 

Atualmente, Marcelo atua como professor no Judô Clube Rocha, onde segue formando novas gerações de praticantes e atletas. Ele ressalta que a formação de um atleta vai muito além do tatame — e depende da dedicação de cada um. “Formar atletas é algo relativo. Depende muito de a pessoa querer pagar o preço. Quando ela se propõe, fica fácil, e as conquistas viram detalhes. Meu objetivo hoje é repassar os ensinamentos adquiridos para esta geração, que precisa muito de resiliência”, explica. Ele também atuou como Oficial técnico nacional nos Jogos Olímpicos e Jogos Paraolímpicos Rio 2016.

 

Além de treinador, ele também é pai e vê na própria família um reflexo de sua missão no esporte. “Meu maior objetivo e desafio é ajudar minha filha e meus sobrinhos a seguirem um caminho digno, com vitórias na vida”, diz.

 

A trajetória como professor é repleta de conquistas. Entre 2007 e 2014, Marcelo manteve seu próprio clube, a Associação Judô Matos, onde revelou nomes de destaque no cenário nacional e internacional. “Fiz muito atleta bom”, diz, com simplicidade. Ele cita com orgulho o exemplo de Vitória Siqueira, que conquistou títulos nacionais e internacionais e participou de dois campeonatos mundiais. “O ponto marcante foi quando ela conquistou o primeiro título nacional em um evento realizado na nossa capital”, relembra.

 

Outros nomes também passaram por seu tatame e alcançaram o pódio em grandes competições: Marcos Paulo, seu sobrinho, que começou a treinar com apenas nove meses; Vinicius Prux, Milena Barbosa, Sidnei Freitas, Luis Felipe, Giovane Vascão, João Pedro Andrade, Mauri Gabriel e Cristhofer Matheus — todos medalhistas em eventos nacionais e internacionais.

 

Para Marcelo, o papel do judô vai muito além das medalhas. Ele acredita que a arte marcial japonesa é uma poderosa ferramenta de formação de caráter. “O judô, por ser de origem japonesa, traz em sua essência a disciplina. Hoje falta resiliência, disciplina, propósito e metas. O judô ensina tudo isso ao longo do aprendizado”, afirma.

 

Mais do que o esporte em si, o judô também transformou a maneira como Marcelo enxerga o mundo. “Mudou a minha mentalidade. A todo momento busquei crescimento em todas as áreas, e o judô trabalha muito isso no meu dia a dia. Sempre estou em busca de um desafio. Erros e acertos fazem parte, mas o processo deve ser de crescimento, sempre um upgrade”, reflete.

 

A filosofia do judô, segundo ele, transborda para seu trabalho fora dos tatames. Além de sensei, Marcelo é coordenador pedagógico do Colégio Nota 10, onde atua com as turmas de 3º ano do Ensino Médio e com os cursos pré-vestibulares. “Uso muito esse aprendizado no colégio, para ajudar meus alunos a conquistarem o sonho da vaga nas universidades públicas. Desistir nunca. O que é nosso, ninguém tira. Devemos tomar posse”, afirma.

 

Mesmo com a longa trajetória, Marcelo reconhece que ainda há desafios para quem vive do judô no Brasil. “O maior desafio é a valorização. O judô ainda é um esporte amador. Ele ganha destaque momentâneo depois das conquistas olímpicas, mas depois só os fortes sobrevivem”, critica. Ele também aponta um desequilíbrio entre clubes formadores e grandes centros do país. “Os grandes clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul importam judocas dos clubes formadores, e depois colhem os louros das conquistas. Mas é o clube que ensinou o primeiro golpe?”, questiona.

 

Com olhar sereno e voz de quem fala com experiência, Marcelo encerra sua fala projetando o futuro com o mesmo entusiasmo que o levou a pisar no tatame pela primeira vez. “Quero seguir contribuindo com o esporte, com o Clube Rocha e com a Federação de Judô nos projetos. E ajudar minha família e meus alunos do Nota 10 a conquistarem seus objetivos”, conclui.

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