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“Mais do que formar atletas, quero formar cidadãos”, diz treinador de Nova Andradina

da redação - 3 de jul de 2026 às 15:32 90 Views 0 Comentários
“Mais do que formar atletas, quero formar cidadãos”, diz treinador de Nova Andradina Da Redação

“Mais do que formar atletas, quero formar cidadãos.” A frase resume a forma como o professor e treinador Paulo de Freitas Ferreira conduz o trabalho esportivo desenvolvido com crianças e adolescentes em Nova Andradina, principalmente no bairro Morada do Sol, onde mora e iniciou seus projetos ligados ao esporte.

 

Professor efetivo de matemática das redes municipal e estadual de ensino, Paulo também atua como treinador de handebol, atletismo e futsal pela Fundação Nova-Andradinense de Esporte e Lazer (FUNAEL). Natural de Nova Andradina, ele afirma que o interesse em trabalhar com o esporte surgiu ainda antes da formação acadêmica.

 

“Minha trajetória começou há muitos anos com o futebol de campo e o futsal, modalidades que despertaram ainda mais minha paixão pelo esporte. Na época, eu ainda não tinha nenhuma formação superior”, relatou.

 

Segundo ele, a intenção inicial era oferecer oportunidades para crianças da comunidade. “Meu objetivo era proporcionar às crianças do bairro onde moro, conhecido como Morada do Sol, e arredores, um esporte de qualidade”, afirmou.

 

Paulo concluiu a graduação em Matemática em 2010 e, anos depois, decidiu também cursar Educação Física. “Sempre tive uma ligação muito forte com o esporte e nunca deixei de incentivar meus amigos e, posteriormente, as crianças do bairro a participarem das atividades esportivas da cidade”, disse.

 

Ele contou que a decisão de buscar formação na área esportiva aconteceu por incentivo de amigos ligados ao voleibol de praia. “Em 2019 concluí minha graduação em Educação Física, mas foi somente depois que comecei a trabalhar de forma mais firme na profissão, passando a integrar a FUNAEL”, explicou.

 

Na fundação, Paulo passou a atuar principalmente com handebol e atletismo. O trabalho começou em 2023 em uma escola municipal do bairro Morada do Sol. Segundo ele, um dos principais desafios foi apresentar modalidades que ainda não faziam parte da realidade da maioria das crianças atendidas.

 

“O maior desafio foi implantar modalidades que praticamente não existiam na realidade das crianças do bairro. Foi preciso despertar o interesse delas e mostrar que esses esportes também poderiam fazer parte de suas vidas”, afirmou.

 

Ele lembra que, no início da trajetória esportiva, também enfrentou resistência pelo fato de ainda não possuir formação acadêmica. “Quando comecei meu trabalho com o futebol, o maior problema era eu não ser formado. Havia muitas barreiras e um pouco de preconceito quanto a isso”, relatou.

 

Apesar das dificuldades, Paulo afirma que o apoio da comunidade foi determinante para a continuidade do projeto. “Conquistar a confiança das crianças e das famílias foi um processo construído aos poucos”, disse.

 

Hoje, segundo ele, o cenário é diferente. “É muito gratificante ver que essas modalidades se tornaram conhecidas e valorizadas pela comunidade.”

 

No trabalho realizado com os alunos, Paulo procura integrar as modalidades esportivas. De acordo com ele, o atletismo contribui diretamente para o desenvolvimento físico dos atletas do handebol.

 

“O atletismo desenvolve velocidade, força, coordenação, resistência e diversas capacidades físicas que ajudam muito no desempenho do handebol. Já o handebol trabalha aspectos como espírito de equipe, comunicação, disciplina e cooperação”, explicou.

 

O treinador afirmou que o objetivo é manter as crianças envolvidas com o esporte pelo maior tempo possível. “Acreditamos que quanto mais tempo uma criança estiver envolvida com o esporte, maiores serão suas oportunidades de crescimento e menores serão as chances de seguir caminhos negativos.”

 

Além do desempenho esportivo, Paulo destaca que o principal resultado está nas experiências proporcionadas aos alunos. “Trabalho com muitas crianças que nunca haviam viajado ou participado de uma competição esportiva. Hoje elas conhecem novas cidades, fazem amizades e passam a acreditar mais no próprio potencial”, contou.

 

O treinador também lembrou das participações de atletas de Nova Andradina nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs). “Já tivemos atletas representando Nova Andradina e Mato Grosso do Sul nos JEBs. Isso nos enche de orgulho”, afirmou.

 

Segundo Paulo, o esporte ocupa papel importante na formação social das crianças e adolescentes. “Vivemos em uma época em que eles são expostos muito cedo a influências negativas. O esporte oferece um ambiente saudável, onde aprendem disciplina, respeito, responsabilidade, amizade e trabalho em equipe”, disse.

 

Ele reforça que o incentivo aos estudos também faz parte do trabalho realizado com os atletas. “Na minha escolinha de futebol, nosso lema sempre foi: ‘Esporte e educação. Drogas, não’”, relatou.

 

Paulo afirma que busca transmitir valores que ultrapassam o ambiente esportivo. “Quero que meus atletas entendam que é possível sonhar alto sem abandonar a escola, a família e os bons princípios.”

 

Ao falar sobre os atletas e famílias que participaram da construção do projeto esportivo, ele evitou destacar nomes específicos. Segundo o treinador, o trabalho desenvolvido só foi possível graças ao apoio coletivo recebido ao longo dos anos.

 

“Muitos acreditaram no meu trabalho desde o início, quando o projeto ainda estava começando. Houve momentos em que pensei em desistir, mas eram justamente essas famílias e esses atletas que me motivavam a continuar”, afirmou.

 

Paulo também avaliou de forma positiva a estrutura esportiva oferecida em Nova Andradina e em Mato Grosso do Sul. “Contamos com um importante apoio da FUNAEL, que oferece estrutura e profissionais em diversas modalidades”, disse.

 

Para ele, as competições escolares desempenham papel fundamental na permanência dos jovens no esporte. “As crianças se interessam pelo treinamento, mas são as competições esportivas, sejam grandes ou pequenas, que motivam elas a permanecerem no esporte.”

 

O treinador acredita que o esporte é uma ferramenta importante de inclusão social. “Dentro da quadra ou da pista, todos têm as mesmas oportunidades de aprender, evoluir e crescer”, afirmou.

 

Ele também destacou que cada criança possui habilidades diferentes e que cabe aos professores identificar esse potencial. “Quando uma criança encontra aquilo em que pode evoluir, ela ganha confiança, autoestima e passa a acreditar muito mais em seu próprio potencial.”

 

Ao falar sobre os planos para o futuro, Paulo afirmou que pretende continuar ampliando o acesso ao esporte para crianças e adolescentes da comunidade.

 

“Meu objetivo é continuar oferecendo oportunidades para cada vez mais crianças, ajudando-as a sonhar e acreditar em seu potencial”, disse.

 

Ele também pretende continuar evoluindo como treinador. “Quem sabe, no futuro, eu possa representar Nova Andradina e Mato Grosso do Sul em competições nacionais como treinador, tanto no handebol quanto no atletismo.”

 

Apesar das metas profissionais, Paulo afirma que a principal missão permanece a mesma. “Acima de qualquer conquista esportiva, meu maior sonho continuará sendo formar cidadãos, mostrando que o esporte pode abrir portas, transformar vidas e construir um futuro melhor para nossas crianças e jovens.”

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