Da Redação
“O esporte salva vidas. O esporte tem que ser levado a sério. O esporte tira as crianças da rua. Independente de uma lesão ou da sua classe social, você é do tamanho dos seus sonhos.” É dessa forma que Lucas da Silva Andrade resume a visão construída ao longo de uma trajetória que começou ainda na infância, passou pelo futebol profissional e hoje está voltada para a formação de crianças e adolescentes por meio do esporte escolar.
Natural de Campo Grande (MS), Lucas nasceu em 22 de março de 1995. A ligação com o esporte surgiu dentro de casa. Filho de um atleta, cresceu acompanhando o pai em jogos e campeonatos, convivência que despertou o interesse pelo futebol desde muito cedo.
“Minha trajetória começou pelo meu pai, que foi atleta. Eu o acompanhava pelos campos e jogos e sempre entrava em campo. Creio que isso me motivou”, relembra.
A paixão pelo futebol o levou ao profissionalismo, onde permaneceu durante nove anos. Nesse período, acumulou experiências em diferentes clubes e estados, além de viver momentos marcantes ao lado da família, que acompanhava sua carreira de perto.
“Alguns momentos marcaram essa trajetória. Meus pais iam me assistir jogar em estádios, tanto em Mato Grosso do Sul quanto em outros estados. Um desses momentos foi a final do Campeonato Paranaense pelo Cascavel contra o Maringá”, conta.
Quando vivia um dos principais momentos da carreira, uma lesão no joelho mudou seus planos. Aos 25 anos, Lucas precisou encerrar a trajetória como atleta profissional e iniciar um novo ciclo.
“Encerrar minha carreira aos 27 anos, praticamente no ápice, foi bem difícil. Era como se eu tivesse que começar tudo do zero. Mas não era exatamente do zero. Era algo que eu sabia fazer com muita maestria.”
A mudança de rumo aconteceu de forma natural. Desde a época de estudante, Lucas já demonstrava interesse pela área da Educação Física. Bolsista em uma escola da rede particular de ensino, participava de diversas atividades esportivas e começou a desenvolver habilidades ligadas ao ensino e à condução das práticas.
“Sempre fui bolsista em uma rede particular de ensino e sempre gostei das práticas esportivas em todas as áreas. A professora Sandra sempre me deixava conduzir o alongamento e o aquecimento. Creio que nasci para isso.”
Hoje, formado em Educação Física, Lucas atua no Órgão Central da Prefeitura de Campo Grande como coordenador do futsal da Rede Municipal de Ensino. Entre suas atribuições estão a organização dos Jogos da Rede Municipal de Ensino (JIRES) e dos Jogos Escolares da Rede Municipal (JERES), além do acompanhamento das atividades desenvolvidas pelos professores do projeto.
Segundo ele, o trabalho vai além da realização das competições. Também envolve a formação continuada dos profissionais responsáveis pelas aulas e treinamentos.
“Nós fornecemos formação para os professores do projeto, capacitando ainda mais cada um deles.”
A experiência adquirida dentro dos gramados passou a contribuir com a rotina de gestão e planejamento do esporte escolar. Lucas destaca que parte dos profissionais com quem trabalha hoje fizeram parte da sua própria história no futebol.
“Trabalhar com grandes nomes e representantes da Rede Municipal é muito gratificante. Muitos já foram meus treinadores ou jogaram contra mim.”
O coordenador afirma que o esporte escolar enfrenta desafios constantes, mas destaca que o investimento em estrutura tem permitido ampliar as oportunidades para os estudantes.
“Temos grandes desafios, mas hoje contamos com investimento anual em materiais para os nossos alunos.”
Mesmo após deixar o futebol profissional, Lucas não se afastou completamente dos gramados. Atualmente, segue praticando a modalidade no futebol amador, mantendo viva uma relação construída desde a infância.
“Eu ainda jogo futebol amador. É algo que eu não consigo deixar de lado.”
Para ele, a prática esportiva vai além do rendimento ou da busca por resultados. O esporte representa um instrumento de desenvolvimento humano, inclusão social e transformação de vidas, especialmente entre crianças e adolescentes.
Ao olhar para a própria trajetória, Lucas considera que os obstáculos encontrados pelo caminho, incluindo a interrupção precoce da carreira profissional, reforçaram a importância de continuar contribuindo com o esporte em outra função.
“O esporte salva vidas. O esporte tem que ser levado a sério. O esporte tira as crianças da rua. Independente de uma lesão, que você venha a se recuperar ou da sua classe social, você é do tamanho dos seus sonhos.”