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Lesão, mudança e reinvenção: como Pedro Henrique encontrou seu caminho no beach tênis

da redação - 9 de jan de 2026 às 15:44 46 Views 0 Comentários
Lesão, mudança e reinvenção: como Pedro Henrique encontrou seu caminho no beach tênis Da Redação

“Comecei rastelando as quadras e ajudando na recepção. Um dia resolvi jogar para brincar com os alunos e eles ficaram impressionados.” A frase resume a virada na trajetória de Pedro Henrique da Silva Urbieta, nascido em 23 de março de 2000, em Dourados (MS). Professor de beach tênis e atleta de futebol freestyle, Pedro encontrou no esporte não apenas um trabalho, mas um caminho que uniu histórias, hábitos e uma recuperação que mudou sua vida.

 

A relação com o esporte começou cedo. “Sempre joguei futebol de campo desde os 7 anos”, lembra. Aos 12, quando morava em Juiz de Fora (MG), ganhou um CD do atleta de futebol freestyle Adonias Fonseca. Ali surgiu o interesse pela modalidade. “Fiquei fissurado no freestyle. Treinava mais de três horas por dia, todos os dias.” Em 2013, teve a chance de conhecer seu ídolo e treinar com ele por um período, o que impulsionou sua evolução.

 

O freestyle o acompanhou por anos, até que uma grave lesão interrompeu o ritmo. “Passei por alguns clubes de futebol até que tive uma lesão no tornozelo em 2020, que me fez parar tudo por seis meses.” A fisioterapia e o retorno ao movimento aconteceram na areia, ambiente que abriu portas para outras modalidades: vôlei, futevôlei e beach tênis.

 

A mudança definitiva ocorreu em dezembro de 2021, quando Pedro se mudou para Florianópolis. Lá, começou a trabalhar na Arena Gym Club, ainda em funções operacionais. “Comecei rastelando as quadras e ajudando na recepção por muito tempo”, conta. O contato direto com os praticantes do esporte acabou o aproximando da própria prática. “Resolvi jogar para brincar em um horário vago e os alunos ficaram impressionados com minha velocidade e consciência corporal no jogo.”

 

Essa reação inesperada o fez perceber um novo caminho. Com incentivo do então patrão e amigo, começou a dar aulas. Sem intenção inicial de se tornar professor, encontrou no beach tênis uma forma de crescer dentro do esporte e assumir novas responsabilidades. “Os alunos pediram para fazer aula comigo. Não tinha a pretensão de dar aula, mas depois de uma conversa, fui convencido de que isso poderia ser bom para o meu futuro.”

 

Pedro avalia que a expansão do beach tênis no Brasil está ligada à experiência sensorial que o esporte proporciona. “O crescimento acelerado se dá pela facilidade e pelas conexões que ele cria”, afirma. A sensação de pisar na areia, segundo ele, produz um efeito direto no bem-estar do praticante. “Os pés tocam a areia e o corpo associa a algo bom: praia, descanso, férias. Isso traz uma sensação boa para quem está cansado ou triste.”

 

Do ponto de vista técnico, ele explica que o maior desafio das aulas é adaptar a explicação a diferentes perfis de praticantes. “A dificuldade está na didática para cada pessoa. Quem vem de outro esporte entende mais rápido. Já quem nunca praticou nada precisa de outro tipo de explicação.” Ainda assim, destaca que todos conseguem aprender. “No final, todos entendem e se divertem.”

 

O freestyle permanece presente, mesmo que hoje esteja em segundo plano. “Costumo treinar aos finais de semana, mas mesmo ficando meses sem treinar, a memória muscular me ajuda.” As técnicas mais difíceis, segundo ele, sempre foram as da parte superior do corpo. “Os equilíbrios com cabeça e ombro demoraram mais para aprender, porque não vemos a bola o tempo todo. É preciso pegar um padrão de movimento para concluir a manobra sem ter a visão constante.”

 

A vivência como atleta é algo que ele considera determinante na postura como professor. “Consegui entender a diferença entre quem faz o esporte por lazer e quem deseja ser atleta”, explica. Essa percepção influencia a forma como conduz as aulas e como identifica as necessidades de cada aluno.

 

Antes do beach tênis, Pedro também acumulou apresentações e participações em competições de freestyle. “Fiquei em segundo lugar em um campeonato pequeno em Juiz de Fora”, relembra. Na faculdade, protagonizou a apresentação que considera mais marcante: “Fui chamado para apresentar na chegada dos calouros da UNIP em 2019. Havia cerca de 200 pessoas. Entrei nervoso, mas acertei a primeira manobra e consegui seguir tranquilo.”

 

Para 2026, os planos incluem continuidade no ensino e retorno mais frequente às competições. “Quero continuar dando aula na Arena CG, crescer e evoluir no esporte e na didática. Pretendo aumentar a quantidade de alunos e jogar mais campeonatos da categoria A.” Ele reforça que a relação entre professor e alunos vai além da quadra. “O professor de beach tênis não tem só alunos. Ganha amigos. Eles conversam, contam histórias da semana, as crianças brincam, os mais velhos dão conselhos.”

 

Aos que desejam iniciar a carreira esportiva, Pedro resume sua orientação: “Se especialize e estude bastante. O esporte está em constante evolução.” E completa com uma frase que resume seu percurso: “Faça o que tiver que fazer por amor, que o reconhecimento vem quando você menos espera.”

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