Da Redação
Aos 12 anos, Maê Müller de Oliveira já vive o judô com intensidade de atleta profissional. Natural de Campo Grande (MS), ela começou no esporte ainda muito pequena, em 2016, e desde então não parou mais. Hoje, representa o estado em competições nacionais e internacionais, acumulando títulos importantes e mostrando que disciplina e paixão podem andar lado a lado no tatame.
“Comecei a fazer judô em 2016, com a sensei Gislaine Mendonça, da academia Judô Marruá. Em 2023, viemos para a Associação Desportiva Moura, onde treinamos junto com o sensei Luiz Alexandre”, conta Maê, que vive o esporte em família — o irmão, Cael, também é judoca e inspiração constante. “Meu pai sempre gostou de judô. O Cael começou a treinar primeiro, e ele me inspirou a começar a fazer também.”
A rotina de uma atleta em formação exige dedicação, e Maê encara o desafio com maturidade. Ela reconhece que o judô, mais do que um esporte, é um compromisso diário com a superação. “O judô pra mim sempre foi uma diversão. Eu amo judô. As maiores dificuldades são para chegar e manter o peso. Ter que abrir mão de ir a algumas festas para não sair do foco ou não passar vontade. Manter a rotina de alimentação e descanso são as principais dificuldades. Mas sei que isso vai me acompanhar sempre durante minha vida de atleta.”
Mesmo com apenas 12 anos, Maê já coleciona resultados expressivos. “Ganhar o Brasileiro final em 2024 e o Pan-Americano Sub-13 -34kg em 2024 foram as minhas principais conquistas até hoje”, afirma com orgulho. As vitórias reforçam a confiança da atleta, que recentemente representou Mato Grosso do Sul em mais uma grande competição.
No último sábado (4), Maê participou do Campeonato Brasileiro Sub-13 e Sub-15 de Judô, realizado em João Pessoa (PB). Ela conquistou a terceira colocação, resultado que lhe garantiu a vaga para o Campeonato Sul-Americano, que acontecerá entre os dias 24 e 27 de outubro, em Assunção, capital do Paraguai.
“O objetivo era a medalha de ouro, que infelizmente não veio dessa vez. Mas de qualquer maneira, estamos muito felizes com a medalha de bronze”, contou a atleta. Agora, a nova meta é conseguir os recursos necessários para representar o estado e o país na competição internacional. “A adesão da CBJ é mais de cinco mil reais e deve ser paga até o dia 15 de outubro. Contamos com a colaboração de todos para conseguirmos o valor e para que eu possa representar o Mato Grosso do Sul. Espero lutar bem em Assunção e, se Deus quiser, trazer a medalha de ouro. Conto com a torcida de todos e muito obrigada a todos que torcem por mim!”
A rotina de treinos também impressiona pela intensidade e comprometimento. “Treino de segunda a sábado, faço musculação e gosto muito de treinar”, explica. Essa dedicação é o que sustenta seus resultados e a prepara para os próximos desafios. A jovem atleta ainda encontra inspiração em grandes nomes do judô nacional. “Larissa Pimenta, eu gosto muito dela. Rafaela Silva e Willian Lima”, cita, mostrando que acompanha de perto os ídolos brasileiros que abriram caminho no cenário mundial.
O sonho olímpico, para Maê, é algo concreto. Ela fala com convicção sobre o que deseja para o futuro. “Meu sonho é um dia poder representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. E se for junto com meu irmão Cael, será a realização completa do nosso sonho. Esperamos poder ser atletas da Seleção Brasileira por muito tempo e levar o nome do estado do Mato Grosso do Sul, da academia Moura, do sensei Luiz Alexandre e da sensei Gislaine para o mundo todo. Quero poder dar muito orgulho para todos que torcem por mim.”
Apesar da rotina puxada, Maê garante que o esporte não atrapalha os estudos — pelo contrário, faz parte da sua vida de forma natural. “O judô faz parte da minha vida pessoal. Eu amo treinar! Isso não atrapalha meus estudos. Tenho uma rotina de chegar da escola, almoçar e estudar. Depois fico com a tarde livre, e às 17h começo os treinos. Dá pra fazer tudo”, explica.
Entre os valores que o judô ensina, a jovem destaca um que, para ela, resume o espírito da modalidade: a superação. “Acho que a superação, porque a cada dia temos que nos superar. Temos que estar cada dia melhor. Às vezes, quando perdemos, temos que erguer a cabeça e superar. Às vezes encontramos dificuldades, e se não superarmos, não chegamos onde queremos. Judô é sobre cair e levantar... é superação em cada treino.”