Da Redação
“Eu consigo, esquece esse erro e melhore para não se repetir.” A frase dita por Rafaely Gabriel Alves, jovem atleta de vôlei de Mato Grosso do Sul, ajuda a compreender a forma como ela encara o esporte, a rotina e os desafios de quem ainda está em formação, mas já carrega responsabilidades típicas de atletas de alto rendimento.
Nascida em 19 de janeiro de 2009, em Naviraí (MS), Rafaely teve o primeiro contato com o voleibol ainda na infância, acompanhando a mãe nos treinos. “Meu primeiro contato com o vôlei foi através da minha mãe, que jogava para o time de Naviraí. Todos os treinos eu acompanhava minha mãe, sempre prestava atenção e até mesmo a maioria dos fundamentos básicos aprendi com ela”, relata. O convívio frequente com o ambiente esportivo fez com que o interesse se tornasse algo natural, antes mesmo de qualquer planejamento de carreira.
Com o passar do tempo, Rafaely começou a se aperfeiçoar tecnicamente sob orientação do técnico Norberto Puertas. A motivação, no entanto, seguiu vindo de casa. “O que mais me motivou foi minha mãe, que me levava para os treinos, acompanhava minha evolução e sempre rezava por mim em cada competição”, afirma. O apoio familiar aparece de forma recorrente em sua trajetória, não apenas como incentivo emocional, mas também como sustentação diante das exigências da rotina esportiva.
Durante a temporada, a jovem atleta mantém uma agenda intensa. “Minha rotina é de manhã escola, à tarde academia e à noite treino, a semana toda, menos sábado e domingo. Às vezes, tenho treinos à tarde também”, conta. A organização do tempo se torna fundamental para dar conta das demandas esportivas e escolares, algo que Rafaely aponta como uma das maiores dificuldades enfrentadas por atletas da base.
Entre os momentos mais marcantes de sua trajetória, a Copa da Amizade, etapa de Três Lagoas, ocupa lugar de destaque. “A Copa da Amizade de Três Lagoas foi incrível. Tivemos um resultado que não era esperado, porque nosso time estava desfalcado, sem levantadora”, relembra. Diante da situação, o técnico optou por uma mudança improvisada. “O técnico quis me colocar de levantadora, mas eu nunca tinha treinado nessa posição, porque era ponteira”, explica.
Mesmo sem preparação específica para a função, Rafaely acabou se destacando. “Nesse campeonato, fui destaque com dois MVPs e o primeiro lugar. Sem acreditar, porque eu não tinha treinado uma vez sequer para a competição como levantadora”, relata. A experiência acabou marcando não apenas um título, mas também uma redefinição de identidade esportiva dentro de quadra.
Atualmente, Rafaely atua como ponteira e levantadora, mas se identifica mais com a segunda função. “Me identifico mais com levantadora por causa da minha altura, do meu toque e porque me destaco mais também”, afirma. A versatilidade em quadra passa a ser uma de suas principais características, especialmente em competições de base, onde a adaptação rápida muitas vezes se torna necessária.
Conciliar esporte, estudos, família, igreja e vida social é um desafio constante. “Acho que as maiores dificuldades são conciliar tudo: escola, academia, treinos, igreja, família e amigos”, diz. Segundo ela, as competições exigem renúncias. “Já teve vezes em que não consegui passar aniversário da minha mãe, do meu pai ou dos meus irmãos por estar em competições. Às vezes sentimos falta uns dos outros”, completa.
Além da mãe, Rafaely destaca outras pessoas importantes em sua caminhada. “Sem dúvida alguma, minha mãe. Meu primo Ricardo, que sempre me corrige em algumas falhas, e também tenho uma amiga, a Ana Laura, que me apoia muito e sempre me coloca para cima”, afirma. A rede de apoio, segundo ela, é fundamental para manter o equilíbrio emocional diante das cobranças do esporte.
Olhando para o futuro, a jovem atleta já tem objetivos claros. “Meus principais objetivos no vôlei são dar meu máximo no meu último ano de sub-17, em 2026, me destacar e fazer o máximo para ser mais reconhecida através do meu voleibol”, projeta. A meta reflete não apenas o desejo por visibilidade, mas também a busca por evolução técnica e pessoal.
Para outras meninas que sonham em seguir no esporte, Rafaely deixa uma mensagem direta, baseada na própria experiência. “O que mais tem que colocar na cabeça é: ‘eu consigo, esquece esse erro e melhore para não se repetir’. Tenha fé, disciplina rigorosa e, o mais importante, acredite em si mesmo”, conclui.