Da Redação
“Enquanto muita gente sonhava em fazer gols, eu me sentia mais completo quando impedia um.” É a partir dessa frase que o goleiro Paulista Jorge Pazetti resume o ponto de partida da própria formação no futebol. A escolha pela posição não foi consequência de circunstância, mas uma convicção que nasceu cedo e que se solidificou conforme os treinos deixaram de ser apenas uma atividade e se tornaram um projeto de futuro. Ele conta que a decisão definitiva aconteceu por volta dos 10 ou 11 anos, quando percebeu que reunia estrutura física, identificação e interesse contínuo pela função.
O início da carreira envolveu mudanças e adaptações. Pazetti afirma que “chegar a um novo estado, conhecer o estilo de jogo da região e conquistar espaço em um ambiente competitivo foram desafios grandes”. A transição exigiu entendimento do ritmo local, da cultura de trabalho e da intensidade dos treinamentos, além da convivência com limitações estruturais e logísticas. Ele cita que, no começo, deslocamentos, viagens longas e ajustes pessoais moldaram seu amadurecimento como atleta. Segundo ele, superar esse período foi fundamental para que se tornasse mais consistente em campo e organizado fora dele.
A trajetória ganhou segurança definitiva em uma partida que ele considera decisiva para o próprio desenvolvimento. Pazetti relata que o jogo aconteceu em um momento de pressão, no qual a equipe havia acabado de conquistar a virada no placar contra ô Taveiropolis fora de casa. A atuação envolveu defesas importantes, que ajudaram a consolidar a liderança da equipe na competição. Ele resume a importância daquele episódio ao afirmar que “aquela atuação me deu muita confiança e marcou um ponto de virada na minha evolução”. Na avaliação do goleiro, o desempenho não foi apenas técnico, mas representou uma compreensão mais clara do impacto que a posição pode ter no destino de uma partida.
Hoje, a rotina de treinos de Pazetti é estruturada para atender às demandas físicas e mentais de quem ocupa uma posição em que a margem de erro é mínima. Ele explica que trabalha “explosão, força, mobilidade e fundamentos específicos da posição praticamente todos os dias”. O cuidado com alimentação, descanso e suplementação compõe o lado físico, enquanto exercícios de visualização, respiração e foco fazem parte da preparação mental. A busca por equilíbrio emocional é decisiva para que ele responda a situações de pressão com estabilidade. Nas palavras do jogador, ser goleiro exige controle constante para lidar com o peso das decisões tomadas em segundos.
A pressão inerente à função é tratada de forma prática. Pazetti afirma que procura “se manter focado no presente, sem carregar o peso do que já passou” e que reforça mentalmente momentos de jogo para criar repertório emocional. Ele encara erros como parte do processo, mas evita prolongar o impacto deles em atuações seguintes. A confiança, segundo ele, surge da repetição e do treino. Essa lógica faz com que, em momentos decisivos, o goleiro recorra ao próprio preparo como fonte principal de segurança.
Pazetti avalia que suas principais qualidades envolvem leitura de jogo, tempo de reação, coragem para enfrentar lances complexos de enfrentamentos, saídas de gol em bolas aéreas e comunicação com a defesa. Ele reconhece que as exigências da posição mudaram e que o jogo com os pés é um dos pontos que mais tem buscado aprimorar. O entendimento de que o goleiro moderno precisa participar da construção, iniciar jogadas e manter consistência em todos os aspectos faz parte de sua rotina de evolução.
Ele também observa transformações no cenário do futebol em Mato Grosso do Sul. Para Pazetti, há avanço visível na organização dos clubes, no investimento em categorias de base e na formação específica de goleiros. Essa melhoria, segundo ele, amplia oportunidades e contribui para revelar novos talentos. Ainda assim, ele entende que o processo é gradual e demanda continuidade.
As referências que o influenciaram incluem nomes tradicionais da posição no país. Pazetti cita que cresceu acompanhando Rogério Ceni, Marcos, Dida, Cássio e, recentemente, Alisson. O que busca nesses atletas vai além da técnica: interessa a capacidade de liderança, a postura diante das dificuldades e a manutenção da disciplina após conquistas importantes. Ele explica que tenta “absorver um pouco de cada referência para construir a própria identidade no gol”, sem reproduzir modelos prontos.
O goleiro projeta o futuro com metas ligadas ao desenvolvimento constante. Entre os objetivos, ele menciona continuar crescendo, disputar competições de maior relevância e fortalecer a carreira em clubes que ofereçam ambiente competitivo. A ambição de “olhar para trás no futuro e saber que aproveitei todas as oportunidades” sintetiza a perspectiva de quem vê o futebol como resultado de esforço contínuo.
Para jovens e crianças que sonham com a posição, Pazetti resume o caminho com orientações diretas: acreditar no processo, treinar com disciplina, ouvir treinadores e lidar com erros sem transformá-los em barreiras. Ele reforça a importância da paciência e afirma que a paixão pelo treino sustenta o atleta nos momentos difíceis. A recomendação final é objetiva: continuar insistindo e se dedicar diariamente.