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Jonathan Tadeu: a trajetória de quem trocou o videogame por uma bicicleta para viver o tênis de mesa em MS

da redação - 25 de ago de 2025 às 15:49 160 Views 0 Comentários
Jonathan Tadeu: a trajetória de quem trocou o videogame por uma bicicleta para viver o tênis de mesa em MS Da Redação

“Troquei meu videogame em uma bicicleta velha para conseguir ir até o clube que era bem afastado de casa.” A frase de Jonathan Tadeu Roda, 33 anos, resume a paixão e a dedicação que o atleta e técnico de Campo Grande nutre pelo tênis de mesa desde 2004, quando conheceu a modalidade ainda na escola.

 

Naquele momento, o esporte não passava de uma brincadeira entre amigos. Jonathan dividia a rotina com outras modalidades, até que uma apresentação mudou sua vida. “Um dia recebemos na escola dois atletas para fazer uma apresentação, foi aí então que eu acabei me apaixonando pelo esporte. Eles eram rápidos, jogavam fazendo todas aquelas firulas que a gente vê no alto rendimento. Na época os atletas eram Alcides Cunha e Rafael Cunha, que eram muito fortes e conhecidos aqui no estado.”

 

A partir dali, o jovem decidiu entrar para o antigo clube Bola Rápida, onde os irmãos treinavam. A escolha exigiu sacrifícios, já que a prática sempre foi financeiramente pesada. “Era uma época muito difícil porque eu não tinha condições nem recurso para praticar, porque era e é até hoje um esporte muito caro.”

 

Do atleta ao técnico

 

Mesmo com as dificuldades, Jonathan trilhou uma trajetória marcada pela persistência. Mais recentemente, conquistou o título estadual de tênis de mesa, mas destaca que a vitória não é seu foco principal hoje. “A vitória nessa etapa não vejo como um grande desafio porque hoje meu foco é mais como técnico na modalidade na Speed Pong.”

 

Na função de treinador, ele tem se dedicado ao crescimento do esporte e à formação de novos talentos. “Hoje meu maior objetivo é poder ajudar ao máximo os atletas do meu clube. A base vem crescendo forte nesses últimos anos. Pretendo me qualificar mais como técnico para poder ajudar.”

 

O ambiente competitivo segue atraente, mas o prazer de jogar está em outro lugar. “Jogo porque gosto muito de estar naquela atmosfera. Encontrar os amigos e poder ajudar ao máximo a academia. Como hoje devido ao dia corrido de trabalho, casa e família não consigo treinar, acabei indo jogar sem compromisso, tranquilo, sem aquele peso de ter que ganhar. Graças a Deus acabei me sagrando campeão nessa etapa e claro, sempre quero buscar por mais, porque hoje acredito que já está no sangue e não me vejo sem o tênis de mesa.”

 

A evolução do esporte

 

O tênis de mesa tem passado por transformações significativas nos últimos anos, e Jonathan acompanha de perto essa mudança. “Hoje o tênis de mesa envolve muito mais que treinos de repetições na mesa para aperfeiçoar a técnica. Evoluímos muito de alguns anos pra cá devido à tecnologia. Material mudou, regras foram modificadas, e com isso, fora da mesa vem sendo feito um trabalho forte na parte física e cognitiva para aperfeiçoar ainda mais a ação e reação na hora do jogo.”

 

Em Mato Grosso do Sul, o crescimento também é perceptível. Jonathan destaca o papel da união entre dirigentes e federação. “Hoje o tênis de mesa no estado vem crescendo muito graças aos dirigentes dos clubes que vêm se juntando à federação do estado, buscando se aperfeiçoar com cursos, correndo atrás de melhoria para a infraestrutura dos clubes e investimento alto em seus atletas mais promissores.”

 

Ainda assim, a dificuldade financeira continua sendo um desafio para atletas que sonham em competir em nível mais alto. “Acredito que o maior obstáculo para os atletas sempre vai ser o financeiro. Temos muitas promessas no esporte, porém precisam de muito investimento para isso. Material, inscrições, viagens… nada disso sai barato para um atleta arcar sozinho.”

 

Conquista fora das mesas

 

Quando questionado sobre a conquista mais marcante da carreira, Jonathan não cita títulos individuais, mas uma conquista coletiva. “A melhor conquista que tive acredito que não vem como atleta, mas sim ter ajudado meu amigo Ricardo Rieff, hoje diretor junto com o Denilson Teixeira da Speed Pong, a ter alavancado o esporte no estado em 2019, que já estava parado há alguns anos. Hoje contamos com mais de 8 clubes no estado e mais de 200 atletas federados. Corremos muito atrás para que isso fosse possível.”

 

Essa visão revela sua transformação de atleta para formador. O tênis de mesa se tornou, além de um esporte, um espaço social de transformação.

 

Inspiração e rotina

 

Jonathan tem no brasileiro Hugo Calderano, atual número 4 do mundo e vice-campeão mundial, uma referência de dedicação e sucesso. “Hoje a maior inspiração não só minha, mas acredito que de todos, é o Hugo Calderano. Ele vem conquistando muitos torneios importantes, como a Copa do Mundo.”

 

Fora da mesa, a rotina é comum a muitos brasileiros. “Minha rotina é igual à maioria… sentado em um escritório trabalhando 8 horas por dia. Mas tento ao máximo estar dentro do clube quando dá para jogar ou até mesmo dar minhas aulas particulares. Minha esposa é meu principal combustível. Sempre me apoiou no meu sonho de estar inserido nesse meio social.”

 

Um conselho para a nova geração

 

Mais do que técnica ou títulos, Jonathan valoriza o impacto humano do esporte. Seu conselho resume a forma como vê o tênis de mesa. “O conselho que dou hoje é: confiem no processo, porque o esporte salva. O meio social muda, e no tênis de mesa, que é um esporte de cordialidade, você cresce muito como ser humano. Às vezes não conseguimos ser um atleta excepcional a nível nacional ou mundial, mas podemos ir para outras áreas dentro desse meio que também podem ajudar muitas pessoas.”

 

De menino que trocou um videogame por uma bicicleta a técnico que hoje forma novas gerações, Jonathan Tadeu representa a resistência, a paixão e o compromisso com um esporte que, segundo ele, “já está no sangue”.

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