Da Redação
João Lucas começou no jiu-jitsu ainda criança, levado pela tia a uma aula experimental quando tinha apenas sete anos de idade. O que poderia ter sido apenas uma vivência momentânea, transformou-se em uma rotina diária e um projeto de vida. Hoje, aos 16 anos, o sul-mato-grossense carrega no currículo títulos importantes, como o Mundial da ISBJJ e o Grand Slam Rio 2025, e se dedica intensamente à modalidade, com o objetivo claro de se tornar campeão mundial da IBJJF e viver do esporte.
“Comecei a treinar com 7 anos, minha tia que me levou pra uma aula experimental. Desde lá eu treino até hoje”, conta o jovem, que divide a rotina de treinos com os estudos e com o papel de auxiliar na turma infantil de jiu-jitsu da sua academia.
Com a admiração voltada para figuras próximas, João destaca o papel de quem está ao lado dele diariamente. “Meu professor Bruno Bezerra e minha mãe, que sempre me apoiam em tudo”, resume, ao falar de suas principais inspirações dentro e fora dos tatames.
A trajetória do atleta inclui conquistas relevantes para a idade, mas ele destaca com emoção o título do Grand Slam Rio 2025, considerado por muitos como o segundo torneio mais importante do país. Para competir, ele precisou encarar um corte de peso e, mesmo diante das dificuldades, venceu todas as cinco lutas que disputou. “Foi meu título mais importante. Fiz um corte de peso pra lutar, mesmo assim lutei forte, fiz 5 lutas e fui campeão. Me emocionei muito.”
A primeira medalha veio logo após iniciar no jiu-jitsu, aos sete anos. Desde então, o que era novidade virou compromisso sério. Atualmente, João vive uma rotina intensa, planejada com precisão para dar conta de todas as atividades. “Estudo de manhã, chego da escola e já vou comer e ir pra academia. Depois da academia, às 14h já tem o treino de posição que acaba às 15h, e já começa o treino de competição, que vai até 16h30. De noite, sou auxiliar na turma das crianças e faço meu treino do adulto às 20h.”
A rotina exaustiva exige equilíbrio e foco, e o jovem encontrou sua própria forma de concentração antes de entrar nos combates. “Eu coloco meu fone, coloco uma música — sempre Colo de Deus — e tento dormir”, revela. Mesmo com o corpo e a mente em constante atividade, ele faz do descanso um aliado, mesmo que simbólico, para se desligar momentaneamente e se preparar para a luta.
Além das medalhas, o jiu-jitsu contribuiu com valores pessoais e de vida para o atleta. “Acho que ajuda a ser pessoas melhores”, diz João, com simplicidade, mas com um entendimento claro do impacto que o esporte tem além das competições.
Apesar da dedicação e do talento, a caminhada não é fácil. O maior obstáculo, segundo ele, está fora do tatame. “Acho que o financeiro, né? As viagens são caras, acaba sendo o maior desafio.” Mesmo assim, o jovem não deixa que isso o paralise. Ele segue treinando todos os dias com o olhar voltado para o futuro.
“Estou trabalhando para ser campeão europeu em janeiro do ano que vem”, afirma, e completa: “Meu objetivo é ser campeão mundial da IBJJF e viver do esporte.”
João também deixa um recado para quem está começando. Para ele, esforço e constância valem mais do que qualquer rótulo de “talento nato”. “No começo pode até ser difícil, mas treinando e se dedicando o máximo, uma hora vai chegar. E quando chegar, todos vão falar ‘aquele ali é talentoso’, mas só você sabe o quanto você trabalha todo dia.”