Da Redação
Com uma rotina intensa de treinos e um estúdio voltado exclusivamente para a prática do Muay Thai, Jackson Canhete, de 30 anos, é hoje um dos nomes que atuam diretamente na estruturação da modalidade em Campo Grande. À frente do Studio Canhete – Especializado em Muay Thai –, ele busca mais do que a formação de atletas: trabalha com um método que une disciplina, constância e paciência, valores que, segundo ele, vão além do tatame.
“Acredito que cada aluno, independente do nível, tem potencial para crescer desde que haja esforço e constância. Trabalho com um método muito desafiador”, afirma o treinador, que começou na modalidade aos 17 anos, mais por influência de amigos do que por vontade própria. “Entrei para o Muay Thai mais pela amizade mesmo. Porém todos pararam e apenas continuei”, lembra.
A semente do que viria a ser o Studio Canhete foi plantada em 2017, quando um aluno disponibilizou um pequeno salão para que Jackson pudesse dar início ao seu trabalho de forma independente. Na época, surgia o “Canhete Thai Boxing”. O nome foi mantido e consolidado nos anos seguintes. Hoje, o Studio Canhete se apresenta como um espaço especializado, com estrutura voltada tanto para quem busca qualidade de vida quanto para quem deseja competir.
“Nossos alunos são, em sua maioria, pessoas que buscam qualidade de vida. Um ou outro se dedica à competição, mas esse lado é delicado. A estrutura do estúdio permite atender ambos com qualidade. Cabe ao praticante saber o que quer”, pontua.
A trajetória como treinador também o levou à arbitragem. Hoje, Jackson é diretor de arbitragem da recém-fundada Federação Sul-Mato-Grossense de Muay Thai. O duplo papel – como treinador e árbitro – se tornou um diferencial no processo de ensino. “Ter um treinador que é árbitro facilita o entendimento. O aluno, além de aprender o esporte, ainda começa a entender sobre a regra”, destaca.
Do tatame para a vida
Para além da parte técnica, o Muay Thai se apresenta, no Studio Canhete, como uma ferramenta de transformação. Jackson defende que cada pessoa chega com um objetivo e que, com o tempo, vai descobrindo os benefícios físicos e mentais da prática. “É uma prática completa que ajuda a transformar não só o corpo, mas também a mente”, resume. Entre os valores que a arte marcial tailandesa transmite, ele destaca um em especial: paciência. “A maior lição que o Muay Thai ensina para a vida é a paciência”, define.
Nos treinos, essa filosofia é repassada desde o primeiro contato. “Todos têm um começo. Uso muito a explicação sobre construções: primeiro a base, depois as paredes. Quando se tem uma didática, fica fácil ensinar”, explica. A progressão, segundo ele, é feita de forma natural. “Começamos com fundamentos básicos, focando na técnica, coordenação e condicionamento. Aos poucos, o aluno ganha confiança e evolução, sem pressão.”
O desafio, no entanto, vai além do tatame. Manter um estúdio especializado em uma capital do Centro-Oeste exige organização, visão empreendedora e presença constante. “Manter um estúdio exige muito trabalho, tanto na parte técnica quanto na gestão. O desafio é equilibrar a qualidade do ensino, a motivação dos alunos e a sustentabilidade do negócio”, diz o treinador.
De Campo Grande para o cenário nacional
Entre os atletas que passaram pelo Studio Canhete, um nome ainda ecoa como referência: Jhow. Segundo Jackson, ele foi o único aluno que seguiu uma carreira sólida na competição. “Digo maior pois foi o único que teve uma carreira séria e dedicada em quatro anos. Hoje tem sua família e sua dedicação é 1000% voltada a ela. E mesmo assim, seu nome é ouvido aqui”, conta.
A principal conquista de Jhow foi o cinturão de 54kg do evento Nak Rob, conquistado com um nocaute no primeiro round sobre um campeão mundial recém-chegado da Tailândia. “Esse foi o maior título”, destaca Jackson.
Apesar do orgulho pelas conquistas individuais, Canhete acredita que o crescimento coletivo da modalidade é ainda mais importante. Nesse sentido, a criação da federação estadual representa um marco. “Hoje temos uma federação recém-aberta e com um calendário épico em nosso esporte”, afirma. Ele não revela detalhes, mas deixa uma promessa no ar: “Sobre o nome Canhete... aguardem”.
Mais que um estúdio
Com foco na formação técnica, mas também no fortalecimento pessoal de cada aluno, o Studio Canhete vai ganhando seu espaço em Campo Grande. A proposta é clara: ensinar Muay Thai com seriedade, respeitando o ritmo de cada praticante, mas sempre com desafios que estimulem o crescimento individual.
Jackson, que começou por acaso e seguiu sozinho, agora ocupa posição de destaque tanto no ensino quanto na organização da modalidade no estado. Seu nome, que começou como uma marca improvisada em um pequeno salão, hoje carrega um projeto sólido, com base construída dia após dia, treino após treino.
“Sobre o fortalecimento [da modalidade], nosso objetivo é fortalecer a cena local, trazer mais eventos e reconhecimento para o trabalho sério feito em Mato Grosso do Sul”, finaliza. E, com o mesmo espírito de paciência que ensina em suas aulas, Jackson segue construindo, tijolo por tijolo, uma base cada vez mais firme para o Muay Thai sul-mato-grossense.