Da Redação
“As artes marciais são o que mantêm minha rotina de treino, meu trabalho e minha renda para manter minha família.” É dessa forma que Sergio Aparecido Freitas, conhecido no mundo das lutas como “La Muerte”, resume a relação construída ao longo de décadas com os esportes de combate.
Figura conhecida no cenário sul-mato-grossense, Sergio começou sua trajetória no boxe amador, modalidade que abriu as portas para a carreira no esporte e também para a formação profissional. Nascido em 22 de janeiro de 1977, ele relembra que os primeiros passos aconteceram ainda em Mato Grosso do Sul, onde disputou cerca de dez lutas na categoria super pesado.
No período como atleta amador, acumulou títulos importantes. Foi campeão Centro-Oeste, campeão pela Associação Justiniano de Boxe Amador, campeão pela Federação de Mato Grosso do Sul e campeão catarinense de boxe amador. Também conquistou o vice-campeonato brasileiro pela Confederação Brasileira de Boxe Amador.
Depois da trajetória no amadorismo, Sergio se mudou para Santa Catarina, onde iniciou a carreira profissional no boxe. Foi justamente nesse período que surgiu o apelido que o acompanha até hoje.
“Recebi o apelido de ‘La Muerte’ na minha estreia no profissional”, contou.
Ele realizou três lutas no boxe profissional antes de migrar para o MMA, modalidade que ganhava espaço no Brasil naquele momento. Segundo Sergio, o boxe sempre foi a principal característica dentro das artes marciais mistas.
“Em seguida, migrei para o MMA profissional, onde tive muitas vitórias representando o boxe nas artes mistas, como meu carro-chefe nas lutas”, afirmou.
Atualmente, distante das competições profissionais, Sergio atua como treinador e trabalha com diferentes modalidades, como boxe executivo, MMA executivo, funcional thai, muay thai e wrestling. O foco, segundo ele, deixou de ser exclusivamente a formação de atletas para competições e passou a priorizar saúde e qualidade de vida.
“O boxe executivo hoje é muito procurado no meu studio, não pela competição, mas pela qualidade de vida”, explicou.
Ele atende empresários e clientes em treinos personalizados, inclusive em condomínios. A procura, segundo o treinador, está ligada principalmente aos benefícios físicos e mentais proporcionados pelas modalidades de combate.
“O boxe executivo ajuda na ansiedade, perda de peso, tonificação muscular e resistência física”, disse.
Para Sergio, as artes marciais vão além da preparação física e do desempenho esportivo. Ele acredita que a prática ajuda diretamente no equilíbrio emocional e na rotina das pessoas.
“As artes marciais, de modo geral, são uma ferramenta de treino. Quem começa a prática tem muita coisa para receber. Ajuda a manter a calmaria, aliviar o estresse e serve como um escape para si mesmo no dia a dia”, afirmou.
Ao analisar o cenário esportivo atual, Sergio avalia que Mato Grosso do Sul vive um momento de crescimento nas modalidades de combate e destaca o surgimento de atletas com destaque nacional e internacional.
“Hoje Mato Grosso do Sul é um celeiro nas modalidades de combate. Saíram muitos atletas campeões lutando fora do Brasil”, comentou.
Com experiência dentro e fora dos ringues, ele também fala sobre o desafio de manter os alunos motivados nos treinos. Para o treinador, a proximidade com os alunos faz diferença no processo de aprendizado.
“Hoje, para manter os alunos motivados nos treinos, é preciso trazer mais conhecimento durante as aulas e também participar dos treinos. Isso faz com que os alunos foquem mais”, explicou.
Entre os momentos mais marcantes da carreira, Sergio aponta a possibilidade de usar o esporte como ferramenta para investir na própria educação. Segundo ele, as bolsas conquistadas por meio das lutas ajudaram a custear a graduação em educação física.
“O momento mais marcante da minha carreira foi pagar minha faculdade de educação física com bolsas de lutas. Isso me deu mais força para seguir lutando boxe e MMA profissional”, relembrou.
Hoje, ele afirma que procura retribuir ao esporte tudo o que recebeu ao longo da trajetória, compartilhando experiências e ensinamentos com alunos e clientes.
“Hoje eu retribuo ao esporte de combate e passo meus conhecimentos para meus alunos e clientes do studio”, afirmou.
Mesmo após anos de carreira, Sergio mantém a ligação diária com os treinamentos e com o ambiente das lutas. Para ele, o esporte continua sendo parte fundamental da própria vida.
“As artes marciais são o que mantêm minha rotina de treino, meu trabalho e minha renda para manter minha família, meus negócios dentro e fora dos ringues”, concluiu.