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Hérlon Henrique transforma rotina e supera desafios com a corrida de rua

da redação - 27 de mai de 2025 às 15:51 311 Views 0 Comentários
Hérlon Henrique transforma rotina e supera desafios com a corrida de rua Da Redação

Em julho de 2023, Hérlon Henrique Castilho Palácio iniciou sua trajetória na corrida de rua, após um convite do primo Pedro. "Ele corria na ADAC e me convidou para uma corrida, foi onde eu vi que tinha uma certa aptidão pela corrida", relata. A partir daquela experiência, Hérlon percebeu o potencial que tinha para as provas de longa distância.

Em pouco tempo de treino, decidiu se inscrever nos 21 km da Corrida do Fogo, realizada em outubro de 2023. "Foi aí que vi que tinha uma boa resistência nas corridas longas", afirma. Apesar do pouco tempo de prática, ele optou por se lançar rapidamente em provas de resistência, o que reforçou sua percepção sobre o próprio desempenho.

A escolha pela especialização nas provas de 10 km veio de uma avaliação prática sobre o seu rendimento nas competições. "Estava fazendo muitas corridas de 5 km e via que não tinha tanta explosão quanto constância. Para não prejudicar meus treinos, comecei a correr 10 e 15 km nas corridas que apareciam e vi que conseguia manter um ritmo bem melhor nessas distâncias do que em corridas mais curtas", explica. Segundo ele, a distância de 10 km é desafiadora e estratégica. "Os 10 km me atraem bastante por ser uma prova que exige um ritmo constante do começo ao fim e você pode aproveitar bem mais o dia da corrida. Além disso, te prepara para corridas importantes de menor distância."

A rotina de treinos é orientada pelo treinador Thiago Jacques, presidente da ACORP Campo Grande, onde Hérlon é filiado. "Nas segundas, quartas e sextas eu vou com ele até a pista do Parque Ayrton Senna para fazermos meu treino. Nas terças e quintas faço fortalecimento na academia", detalha. Atualmente, percorre cerca de 50 km por semana, mesclando "corridas ao ar livre, educativos e longos".

Mesmo com uma rotina disciplinada, ele aponta as dificuldades que enfrenta, especialmente no aspecto financeiro e na conciliação com a vida profissional. "Minhas maiores dificuldades, além das financeiras — porque a gente sabe que as corridas hoje em dia têm um custo relativamente alto — são o tênis, o custo para ir até o local, e também o horário, porque eu trabalho como CLT", explica. Por conta disso, determinou que seus treinos ocorreriam sempre no início da manhã. "Decidi que meus treinos seriam às 5h da manhã. O sono e o cansaço, a vontade de ficar em casa, as dores que a gente sente após os treinos e durante eles, essas realmente foram as maiores dificuldades que enfrentei e até hoje enfrento."

Entre as provas que marcaram sua trajetória, ele destaca a Lendas do Interior, em Ivinhema, como uma das experiências mais significativas. "Eu e meu colega trabalhamos o dia todo e saímos à meia-noite para chegar a tempo da largada. Chegamos no local às 3h e ficamos esperando no carro", lembra. Apesar das adversidades, conseguiram completar a prova com destaque. "Corremos os 21 km em um pace de 5’05, sem alimentação e sem descanso. Foi uma superação e tanto na minha vida. Para quem já correu lá sabe que o percurso exige muita força pelo tanto de elevação que tem." O esforço resultou em boas colocações: "Meu colega conseguiu um 3º lugar e eu fiquei em 4º, por 1 segundo atrás, mas o que valeu foi ter completado uma prova tão difícil."

A preparação para cada prova começa com antecedência, especialmente com foco na alimentação, hidratação e descanso. "Tento jantar até umas 21h e dormir o mais cedo possível. O sono é muito importante para o dia da prova. Deixo tudo pronto para quando começar a prova eu ter em mente somente a concentração."

Além dos treinos específicos de corrida, Hérlon adota cuidados complementares para manter a saúde física e prevenir lesões. "Sempre tento me alimentar bem, sem consumo de ultraprocessados ou refrigerante", diz. Ele também realiza acompanhamento com profissionais especializados. "Faço prevenções com a Sheila Sniper, que é especialista em atletas, para evitar possíveis lesões ou alguma tensão muscular, e também meus fortalecimentos na academia, porque é essencial que o atleta faça treinos de força para não se machucar durante os treinos ou então nas competições." Além disso, segue orientações nutricionais. "Faço consultas com o Dylan Ayala, que é meu nutricionista. Ele passa meus suplementos e o pré-treino necessário para ter um bom rendimento."

Sobre o cenário da corrida de rua em Mato Grosso do Sul, Hérlon observa um bom nível de prática, mas acredita que faltam incentivos públicos. "Acredito que deveriam haver mais incentivos por parte do governo e até mesmo da prefeitura de Campo Grande, para os atletas que já competem e para os que estão iniciando. É difícil ver alguém que não pratique a atividade hoje em dia, mesmo que seja somente a caminhada."

O início na corrida foi motivado por questões de saúde, mas com o tempo o esporte ganhou outros significados. "Comecei a correr por saúde e até mesmo para tratar minha ansiedade, mas hoje em dia eu tenho o desejo de competir como atleta guia nos próximos anos. Ainda falta muito trabalho, mas acredito que é possível. Com esforço e dedicação a gente vai chegar lá."

Para quem pretende começar a correr ou deseja se aprofundar nas corridas de longa distância, Hérlon recomenda a busca por orientação profissional. "Aconselho a procurar alguma assessoria, faz uma diferença. Além do apoio do grupo, tem também o planejamento com base no físico e condicionamento do praticante." No entanto, ele também reconhece que o acesso à informação está mais democrático. "Caso a pessoa não consiga manter uma assessoria, existem muitos vídeos hoje em dia e influenciadores que ensinam o básico. É tudo questão de querer, porque hoje em dia a gente tem acesso a tudo pela internet."

O conselho principal que ele deixa é sobre a importância da progressão gradual. "O básico é começar devagar, 5 km, depois partir para os 10 km e ir subindo aos poucos, até mesmo para ter longevidade no esporte e evitar lesões precoces." Ele reforça a necessidade de paciência no processo. "Apesar de ser uma 'corrida', temos que ter paciência e ir trabalhando conforme meu treinador diz: trabalho de formiguinha, de pouquinho em pouquinho construindo uma grande estrutura."

Hérlon também faz questão de destacar o apoio recebido no ambiente de trabalho. "A empresa onde eu trabalho, a Claro, apoia muito os colaboradores a começarem. Eles até fornecem a inscrição pela metade do preço e para descontar em folha, para qualquer colaborador", conta.

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