Da Redação
Aos 22 anos, José Henrique Cabral Dias, nascido em Campo Grande e criado em Maracaju, segue atuando no futsal e no futebol de campo após enfrentar duas graves lesões nos joelhos. Entre o trabalho nas lavouras e a rotina intensa de treinos, ele mantém vivo o sonho de conquistar um dos principais títulos do futsal sul-mato-grossense: a Liga MS.
Henrique começou a trajetória no esporte ainda criança, logo após a mudança de sua família de Nioaque para Maracaju, quando seu pai deixou o serviço militar. “Cheguei aqui com quatro anos de idade e havia um projeto social de futebol. Desde muito novo, sempre joguei no meio dos mais velhos, onde eu tinha quatro anos e a categoria mínima era sub-9 no futebol de campo”, relembra. O futsal veio mais tarde, aos dez anos, por meio da escola onde estudava.
Ao longo da caminhada, Henrique enfrentou dificuldades comuns a muitos atletas do interior, principalmente ligadas ao apoio institucional e à condição financeira. “Acredito que os desafios sempre foram parecidos para todos que sonharam com isso. Às vezes, a falta de incentivo, mas na maioria das vezes a falta de recurso financeiro, tanto por parte da gestão pública quanto familiar”, afirma. Ainda assim, ele destaca o esforço dos pais: “Sempre fizeram o que puderam e até mesmo o que não puderam, para sonhar o meu sonho.”
Comprometido com o preparo físico desde cedo, ele conta que sempre priorizou treinos voltados à força, velocidade e condicionamento. Mas uma queda no ritmo resultou em sua primeira lesão: “Quando ‘relaxei’ um pouco e perdi o condicionamento físico, tive minha primeira lesão: ligamento cruzado anterior e menisco no joelho esquerdo.” Após recuperação, sofreu nova ruptura, desta vez no joelho direito. Foram mais de dois anos afastado dos jogos.
Mesmo assim, não desistiu. “Hoje continuo meus treinos seis vezes por semana, faço treinos específicos, mas também de força, para me manter bem e esse trauma não se repetir por falta de condicionamento físico.”
Henrique observa diferenças claras entre o futebol e o futsal, e considera este último mais exigente fisicamente e mentalmente. “O futsal exige muito mais do condicionamento físico, como a resistência mental do atleta. São cinco ou seis minutos de máxima intensidade para não deixar o volume de jogo cair. Qualquer fração de segundo que relaxar pode dar condição ao adversário crescer na partida.”
Entre suas conquistas no esporte, ele cita três títulos e três vices no Campeonato Amador de Futebol de Campo de Maracaju, além de um estadual de futebol de campo e finais da Liga MS de Futsal. No entanto, sua maior vitória, segundo ele, é poder jogar novamente. “Contrariando os médicos que um dia falaram que eu não poderia mais jogar futebol, muito menos futsal, pois são duas cirurgias, seis parafusos, e um joelho que não tem menisco.”
O apoio institucional ao esporte em Maracaju, na visão de Henrique, ainda é limitado. “Quem conhece a arena aqui sabe a estrutura que temos. Mas muitas vezes não deixam os projetos usarem, não sei por quê. Acredito que estrutura e incentivo financeiro Maracaju sempre teve, mas quem tem o poder de ajudar a fazer o esporte crescer não faz nada e não pensa dessa forma.”
Sobre suas inspirações, Henrique valoriza atletas locais. “Sempre tive muitas referências dentro da minha cidade. Jogadores que para mim são ídolos, como Juninho Paré, Ariel, Pedrinho, Jean, Douglas.” No cenário profissional, cita Rodrigo Capita como referência no futsal, além de Cristiano Ronaldo e Sérgio Ramos no futebol de campo, destacando-os pelo profissionalismo e pelo exemplo de dedicação.
Embora já tenha atuado fora do estado entre os 11 e os 16 anos, hoje não tem mais ambições de jogar profissionalmente. “Profissionalmente não mais. Decidi parar e começar uma carreira de trabalho e deixar o sonho de lado.”
A rotina atualmente é dividida entre a atividade no campo e os treinos esportivos. “Minha rotina é puxada entre a mecanização agrícola, colheita e plantio nas lavouras. Conciliar com treinos e jogos é difícil, mas quando se tem amor pelo que faz, o cansaço não importa muito.”
O próximo grande objetivo de Henrique é conquistar o título da Liga MS de Futsal. “Já bati na trave duas vezes. Hoje é a competição de mais alto nível do estado.” E deixa um recado para os jovens que estão começando: “Se você tem um sonho, existem muitos sacrifícios no caminho. Alguns como família, distância, e o fora das quatro linhas. Sempre falo que talento sem treino e dedicação não vale de nada. Nunca deixem ninguém falar que você não pode chegar. Se você realmente quiser, já tem metade. É só correr atrás da outra metade.”