Da Redação
“Eu comecei a jogar vôlei aos 13 anos em um time adulto no qual minha mãe participava. Não tive uma base de fundamentos na época, então quem foi me ensinando tudo foi ela.” É assim que Heloisa Goulart Zanette, nascida em 25 de outubro de 2004, em Guia Lopes da Laguna, lembra o início da trajetória que a levou ao voleibol universitário e a conquistas importantes, como a medalha nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBS), um dos momentos que ela considera mais marcantes da carreira.
O caminho até esse ponto, no entanto, não foi simples. Segundo Heloisa, o resultado obtido no JUBS representa mais do que uma vitória esportiva. “Passamos por tantos desafios e momentos difíceis durante esse período que essa conquista foi muito especial, representando todo o esforço e dedicação da equipe”, conta. A fala revela o quanto o esporte se tornou uma parte central da vida da atleta, não apenas pelas vitórias, mas também pelas experiências que moldaram seu caráter e fortaleceram seu vínculo com o grupo.
Com apenas 21 anos, Heloisa já acumulou uma rotina exigente entre treinos, estudos e compromissos pessoais. Estudante e atleta, ela se desdobra para manter o ritmo de preparação física e técnica necessário para competir em alto nível. “Como o tempo é um pouco corrido, além de treinar na faculdade eu busco fazer treinos em casa para complementar”, explica. O comprometimento vai além do físico: a jogadora também dá atenção à parte mental, reconhecendo sua importância para o desempenho. “Procuro manter o foco, pensar positivo e lembrar do motivo que me faz amar o esporte, isso me ajuda a entrar em quadra mais confiante”, diz.
A influência familiar é um aspecto constante em sua história. O início no esporte, ao lado da mãe, foi apenas o primeiro capítulo de uma relação que segue sendo fonte de motivação. “A minha maior inspiração é a minha família. Eles sempre me apoiam em tudo, independente de onde estão, e fazem o possível para me ver bem. Esse apoio é o que me motiva a me dedicar cada vez mais”, afirma.
Essa presença familiar não apenas impulsionou Heloisa no começo, mas também moldou sua forma de encarar o esporte. A jogadora enxerga o voleibol como uma construção coletiva, que depende tanto do esforço individual quanto da parceria com o grupo. Foi com essa visão que ela se desenvolveu em diferentes posições dentro de quadra. “Jogo em várias posições, mas atualmente atuo como ponteira/oposta. Comecei a focar nessas posições quando jogava no time de base da cidade de Jardim, com 14 anos. A partir daí fui aprimorando minhas habilidades com muito treino, observando jogadoras mais experientes e recebendo conselhos dos técnicos”, relata.
A versatilidade se tornou uma de suas marcas. Adaptar-se às necessidades da equipe e aprender constantemente são pontos que ela destaca como fundamentais para a evolução. Mesmo com o ritmo intenso, Heloisa busca manter um equilíbrio entre as responsabilidades esportivas e a vida pessoal. “Procuro ter uma boa organização. Mesmo com a rotina puxada, reservo um tempo para descansar e estar com a família e os amigos. Acho importante manter esse equilíbrio para continuar motivada e feliz tanto dentro quanto fora das quadras”, afirma.
O foco e a disciplina, no entanto, não a afastam dos pequenos rituais que ajudam na concentração antes das partidas. “Não tenho um ritual específico, mas gosto de me concentrar ouvindo música”, comenta. O hábito simples se soma à mentalidade de quem entende que a preparação emocional é tão importante quanto a técnica.
Pensando no futuro, Heloisa traça metas claras. “Se Deus quiser, conquistar a vaga para o JUBS 2026 e trazer mais uma medalha para casa”, diz. O objetivo reforça o desejo de continuar representando Mato Grosso do Sul em competições nacionais, levando consigo a trajetória iniciada ainda na adolescência, em um ginásio compartilhado com a mãe.
Com a experiência de quem superou etapas e amadureceu no esporte, a atleta também reflete sobre o papel de exemplo que pode desempenhar para novas gerações. Para ela, a persistência é o ponto central para quem deseja trilhar o mesmo caminho. “Se dediquem, tenham paciência e não desistam”, aconselha aos jovens que sonham em seguir carreira no voleibol.