Da Redação
O crosstraining tem ganhado cada vez mais espaço em Dourados (MS), tanto pelo número crescente de boxes quanto pelo fortalecimento de uma comunidade que vai além da prática esportiva. Um dos nomes à frente dessa expansão é o coach Gustavo Morais Ibarra Artuzi, de 26 anos. Natural de Dourados e formado pela experiência com o esporte desde a infância, ele se consolidou como treinador após migrar do futsal para o universo do crosstraining durante a pandemia da covid-19.
A mudança começou por necessidade, quando a prática do futsal foi interrompida. “Comecei por conta da pandemia, em Maracaju-MS. Joguei futsal a vida toda com meu pai, que é técnico e tem um projeto na cidade, mas com a pandemia precisei buscar um novo esporte ou atividade física por conta da saúde. O cross era algo que poderia fazer mesmo com as limitações daquele período”, conta.
Gustavo começou como aluno e logo foi convidado a integrar a equipe de coachs da Alcateia, box que passava por uma reestruturação. “Já treinava de forma avançada, tinha um pouco de conhecimento e, por trabalhar com futsal com crianças, consegui me adaptar bem à modalidade e à dinâmica de aula”, explica.
Mas o processo de transição e aprendizagem não foi simples. “O mais difícil foi aprender os movimentos para conseguir ministrar uma boa aula, entender a metodologia, a modalidade e a didática. O cross exige muita técnica, e para dar uma boa aula, você precisa dominar os movimentos para que os alunos possam entender e aprender o passo a passo até o movimento final.”
Desde 2024, o treinador atua no box Live Lion Training, onde contribui com o desenvolvimento de dezenas de alunos e com a consolidação do crosstraining na cidade. “O cross training já chegou há um bom tempo em Dourados, e a cada ano existem novos boxes abrindo. Isso é muito bom para a modalidade e para o mercado. O box onde trabalho foi inaugurado em dezembro e tivemos uma boa adesão de alunos. Nosso número tem crescido cada vez mais.”
Um dos principais diferenciais do crosstraining, segundo Gustavo, está na capacidade da modalidade de ir além da performance. “Ele é um grande aliado da qualidade de vida, pela capacidade de evolução que traz para cada aluno, seja na parte de convívio social, desenvolvimento motor, disciplina, respeito e comunidade”, afirma. “No cross, o último aluno a terminar um treino ou uma prova de campeonato sempre será o mais aplaudido. Não vemos isso em outro esporte.”
O treinador lembra de um aluno que exemplifica esse espírito. “Tenho um aluno de 60 anos que foi um dos meus primeiros quando cheguei em Dourados. Ele já treinava há um tempo, mas ainda não executava a maior parte dos movimentos ginásticos, que são de maior complexidade. Fizemos um trabalho específico árduo, e hoje ele executa todos: bar muscle up, ring muscle up, handstand walk. Ele não acreditava que poderia alcançar esses movimentos, e trabalhamos duro para isso.”
Apesar do crescimento da modalidade, Gustavo ainda observa preconceitos e equívocos comuns entre os que não conhecem o crosstraining. “Muita gente acha que é uma modalidade apenas para quem já tem um condicionamento avançado. Outros pensam que já vão sair se pendurando ou levantando peso na primeira aula. E o mais importante: o cross não machuca. O que machuca é qualquer modalidade praticada de forma ineficiente, sem boa técnica, mecânica ou acompanhamento.”
Na Live Lion Training, as aulas são divididas em turmas ao longo do dia, com destaque para o cuidado com os iniciantes. “Optamos por trabalhar os alunos iniciantes na mesma turma, mas com um acompanhamento exclusivo nas primeiras aulas, adaptando todo e qualquer movimento conforme a necessidade de cada um”, explica.
Além do crosstraining tradicional, o espaço oferece uma modalidade nova no Brasil: o HYROX, que já tem conquistado praticantes pela simplicidade e intensidade. “Somos o primeiro HYROX Training Club afiliado do MS. É uma corrida fitness de 8 km intercalando oito estações funcionais. É um treino muito mais adaptativo do que o cross por não ter a complexidade da ginástica e do LPO (levantamento de peso olímpico), sendo excelente para iniciantes ou para quem busca uma atividade mais intensa.”
Gustavo acredita que a construção de um bom coach passa por estudo constante e prática contínua. “Estou sempre em busca de cursos e treinamentos, seja de LPO, ginástica ou endurance. Busco estar presente em competições e eventos dentro e fora do Estado, para conhecer pessoas, ampliar o networking e agregar valor ao meu trabalho.”
Para este ano, o treinador tem metas bem definidas. “Pretendo concluir três cursos que vão agregar muito às minhas aulas e ampliar o leque de possibilidades para meus alunos. Tenho me dedicado bastante como colaborador para que mais pessoas venham conhecer nosso espaço e equipe. Compartilho o máximo de conhecimento e experiência com os colegas, para que possamos oferecer aulas de qualidade, entregando sempre 200%.”
E para quem ainda tem receio de começar, o conselho é direto: “Procure espaços com profissionais qualificados. Hoje, um ambiente legal para treinar e conviver pode se tornar sua segunda casa. O crosstraining vai muito além de treinar e ir embora. A comunidade te abraça, e isso é simplesmente sensacional.”