Da Redação
Natural de Aquidauana e criado em Campo Grande desde pequeno, Eliel Ocampos da Silva, hoje goleiro em Mato Grosso do Sul, é um exemplo de como os caminhos no futebol podem começar de formas inesperadas. Com início tardio nos gramados e uma rotina puxada entre treinos e aulas para crianças, ele tem construído sua trajetória com base em persistência, família e fé.
“Eu comecei na trajetória de ser goleiro muito tarde, com 15 anos”, conta Eliel. No universo do futebol de base, onde muitos iniciam por volta dos 7 ou 8 anos, esse detalhe pode ser visto como um obstáculo. Mas para ele, foi apenas um ponto de partida. “É muito difícil chegar onde todo jogador deseja, porém nada é impossível.”
Antes de se encontrar na posição que hoje o define, Eliel tentava atuar na linha. “Quando era novo gostava de jogar na linha, só que era perna de pau”, brinca. Foi nesse momento que os irmãos sugeriram uma mudança. “Aí meus irmãos falaram pra mim tentar no gol. Foi onde encaixei, acabei gostando da posição.”
O vínculo com a posição se fortaleceu com as experiências que vieram. Uma das mais marcantes aconteceu durante o Campeonato Estadual Sub-20, em uma partida contra o Coxim. “Uma defesa que marcou minha vida foi contra o Coxim. Com ela consegui tirar choro de alegria da minha família e dar a vitória para meu clube do coração.”
Com uma rotina dividida entre treinos intensos e o papel de professor, Eliel vem moldando seu dia a dia com disciplina. “Minha rotina é bem tensa. Treino em dois períodos à tarde e de noite ainda dou treino para as criancinhas. Eu passo pra elas o que estou aprendendo. Não é muita coisa, mas acho que ajuda.”
Eliel acredita que um goleiro precisa mais do que talento. Segundo ele, confiança e preparação são indispensáveis. “Pra se destacar dentro de campo precisa estar confiante, calmo e bem treinado. Se não estiver em constante treinamento, esquece. Eu tiro a base de mim.”
Sobre referências, ele valoriza os exemplos próximos. “Tem muitos atletas que servem de referência, como meu amigo e irmão Kefrem Filipe, o Telão de CG. Mas a minha maior inspiração é minha mãe. Ela é minha base de tudo. Se não fosse ela, eu não estaria aqui sonhando.”
A pressão inerente à posição de goleiro é algo com o qual Eliel ainda está aprendendo a lidar. “É muito complicado demais ser goleiro. Seu time pode estar goleando o adversário, mas se você toma um gol defensável, isso fica martelando na mente. Ainda tem a pressão do jogo, mas no final de tudo eu tenho um objetivo pra alcançar, então estou me acostumando com ela.”
Durante sua participação em competições estaduais, ele observou algo além das habilidades técnicas: a importância da coletividade. “Se o time não estiver unido nos mínimos detalhes, não importa o quanto o elenco for bom, não chega. Pode fazer chover, mas não chega. Orgulho abate o homem.”
O maior objetivo do jovem goleiro é proporcionar melhores condições de vida para sua família. “Quero conseguir dar uma vida digna para minha mãe, porque o quanto sofremos e ainda sofremos não está escrito.” No futebol, o foco é o aprimoramento constante. “Quero ser melhor a cada vez. Não melhor que ninguém, mas melhor do que eu mesmo. Eu sonho em jogar fora do país. Isso é o que eu almejo: morar fora.”
Ao final, Eliel compartilha um conselho com outros jovens que sonham em seguir o mesmo caminho: “Honre pai e mãe. Senão, tudo o que fizer nesse mundo será em vão. E não desista dos seus sonhos. Igual a mim, sonhar pode sonhar, que o nosso Deus é grande e pra Ele nada é impossível.”