Da Redação
Aos 28 anos, o goleiro Robertt Amâncio da Silva resume sua trajetória no futsal e na vida com uma frase que guia sua preparação mental antes de cada jogo: “Sempre pensando positivo que vou me sair bem no jogo, que tudo vai dar certo.” Nascido em 4 de março de 1997 no município de Poconé, a cerca de 100 quilômetros de Cuiabá (MT), ele viu no esporte a possibilidade de encontrar um caminho e construir uma história dentro e fora das quadras.
Sua relação com o futsal começou aos 12 anos, quando se mudou com a família para Santa Rita do Trivelato, no norte do Mato Grosso. Foi na escola que teve o primeiro contato com o esporte. Logo depois, passou a frequentar um projeto municipal que oferecia treinos para crianças e adolescentes. “Continuei treinando e fui me apaixonando pelo futsal”, conta.
O tempo passou e, com a evolução natural, passou a defender equipes que representavam o município em competições regionais. Em 2016, mais uma mudança marcaria sua caminhada: saiu do Mato Grosso e foi morar em Maracaju, no Mato Grosso do Sul. “No bairro onde eu morava tinha uma quadra e, no final da tarde, sempre tinha uns rachões. Ali fui conhecendo a rapaziada e comecei a disputar torneios nos finais de semana.”
Foi em um desses torneios que a trajetória de Robertt deu um salto. Disputando um campeonato local pelo time Ervânia, do distrito de Vista Alegre, chegou à final enfrentando justamente seu atual clube, o Objetivo Futsal. A partida foi decidida nos pênaltis e o título escapou. “Saímos como vice-campeões do campeonato”, lembra.
Apesar da derrota, aquele jogo abriu novas portas. O convite para se juntar ao Objetivo Futsal veio logo depois, pelas mãos do técnico Jafferson Souza Ibarra. Desde então, Robertt passou a disputar os principais campeonatos do estado, representando a equipe. “Desde já agradeço muito ao professor Jafferson Souza Ibarra pelo convite de jogar e compartilhar sua experiência de goleiro, o que me ajudou muito a melhorar meu futebol.”
A escolha pela posição de goleiro veio de forma natural. “Sempre tive uma admiração pela posição, mas o que ajudou a escolher foi as vezes que meu avô contava que meu tio era goleiro.” A lembrança familiar somada à vivência nas quadras consolidou essa decisão. Hoje, é nela que concentra sua dedicação e seus objetivos.
Além do futsal, Robertt também flertou com outra modalidade. Conheceu o jiu-jitsu em 2021 por meio de um amigo. “Ele sempre me convidava e eu falava que ia, mas nunca aparecia. Teve uma vez que resolvi ir em uma aula experimental, gostei e comecei a praticar.” O envolvimento foi rápido e intenso: treinou durante um ano e meio e chegou à faixa azul. Apesar do entusiasmo, teve que parar. “Parei de treinar porque estava atrapalhando no futsal”, explica.
O futsal, que sempre foi prioridade, também trouxe momentos difíceis. Robertt lembra de forma clara o episódio que considera o mais marcante da sua carreira: uma lesão no joelho que o tirou das quadras por quase cinco meses. “Foi quando eu estava na melhor fase da minha carreira”, afirma. O retorno, no entanto, também marcou um novo capítulo. “Me recuperei e pude ajudar minha equipe a chegar nas finais da Liga MS de Futsal.”
Na preparação, ele se mantém ativo com treinos específicos com bola duas vezes por semana, além de três sessões semanais na academia. A alimentação é outra parte fundamental da rotina. Mas, para ele, a mente é quem comanda. “O mental é muito importante. Sempre pensando positivo que vou me sair bem no jogo, que tudo vai dar certo.”
Olhando para o futuro, Robertt tem objetivos bem definidos: “Ganhar a Liga MS de Futsal e deixar meu legado no futsal do Mato Grosso do Sul.” Para isso, se espelha em nomes próximos e conhecidos no cenário local, como o próprio técnico Jafferson Ibarra, além de Lucas Gustavo Santos, Jean de Jesus dos Santos e Gustavo Ibarra.
Mesmo sem ter disputado competições de jiu-jitsu, a passagem pela arte suave foi suficiente para ensinar lições que hoje leva para o futsal. A organização do tempo, a disciplina e o respeito pelas etapas do processo são alguns dos elementos que dialogam entre as duas modalidades. “O maior desafio era organizar o tempo para praticar os dois esportes”, diz.