Da Redação
Fellipe Minervini, técnico da categoria Sub-17 do Flamengo-MS, acredita que o aspecto humano deve sempre vir em primeiro lugar no processo de formação de jovens atletas. Para ele, cada jogador traz consigo uma vivência única e diferenças culturais que precisam ser respeitadas. “O humano tem que vir sempre em primeiro lugar, a diferença entre culturas e a vivência de cada atleta deve ser levada em consideração. Técnica ele já tem que ter nesta categoria para jogar, e tática eles adquirem durante o treinamento”, explica.
Natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Fellipe iniciou sua trajetória no futebol profissional pela base do Operário e do VEC/MS, estreando no profissional pelo E.C. Campo Grande. Depois de seis anos jogando em diferentes equipes dos Estados Unidos, retornou a Mato Grosso do Sul e iniciou sua carreira na análise de desempenho, trabalhando no Comercial em 2013 e no Novo em 2017. Atualmente, ele é também diretor do A.D. América, projeto de base de Campo Grande que mantém parcerias com clubes da Europa e dos Estados Unidos.
O convite para integrar o Flamengo-MS surgiu quando o clube estava disputando seu primeiro estadual. Fellipe relata que a decisão de colaborar com o projeto foi motivada pelo trabalho social desenvolvido pelo clube. “Recebi o convite do presidente do Flamengo-MS em ajudá-lo nesse estadual por ser o primeiro ano do clube. Por admirar o trabalho social deles, resolvi colaborar com o projeto”, afirma. Para ele, estar próximo dos jovens atletas envolve responsabilidade e honestidade quanto às possibilidades do futebol profissional. “É estar muito próximo do sonho dos atletas e ter a responsabilidade com a verdade e realidade do futebol. Financeiramente, infelizmente, muitos não conseguem evoluir devido ao custo de federação para competições estaduais”, acrescenta.
Apesar de ser um clube recém-criado formalmente, o Flamengo-MS já demonstra potencial para contribuir com o desenvolvimento da base no estado. Fellipe observa que, mesmo em seus primeiros anos, o clube realiza um projeto social consistente, proporcionando oportunidades para jovens em Campo Grande. “Apesar de novo no CNPJ, já realizam um projeto social muito bonito e estão no caminho certo para crescerem socialmente”, comenta.
No campo tático, Fellipe adota um estilo tradicional de jogo, valorizando o sistema 4-4-2. “Gosto do sistema 4-4-2 tradicional, em linha, jogando por dentro, tentando infiltração com os meias”, detalha. A escolha de jogadores para compor o elenco Sub-17 se deu de maneira prática, com divulgação em grupos de WhatsApp, o que permitiu ao técnico ter contato com jovens talentos de diferentes bairros da cidade.
Fellipe reforça que o trabalho com atletas dessa faixa etária é marcado por aprendizado constante. “É nosso primeiro ano com o Flamengo, então tudo vai ser novo e de muito aprendizado”, diz. Ele também destaca o desafio de lidar com as famílias, já que muitos pais se envolvem pouco na rotina dos atletas de 17 anos. “É bem difícil, no Sub-17 poucos pais se envolvem, então há um distanciamento entre as partes”, observa.
Para esta temporada, o objetivo do Flamengo-MS Sub-17 é consolidar a equipe e disputar o estadual com qualidade e competitividade. “Tentar jogar um bom futebol aguerrido e que tenhamos sucesso para passar da fase de grupos. Essa é a primeira meta”, afirma Fellipe. Ele ressalta ainda a importância das mudanças na gestão da federação de futebol do estado, que, segundo ele, já começaram a trazer inovação, profissionalismo e responsabilidade para o futebol sul-mato-grossense. “Com a nova gestão do presidente Petralas na federação, acho que já começaram boas mudanças. Espero que continuem o trabalho de inovação, profissionalismo e responsabilidades”, conclui.