Da Redação
Aos 28 anos, Felipe Medeiros colocou o quimono pela primeira vez. Morador de Nova Alvorada do Sul, ele iniciou no jiu-jitsu sem imaginar que a arte suave se tornaria não só seu esporte, mas também sua profissão e uma ferramenta de transformação social em sua cidade. Hoje, aos 42, Felipe acumula títulos importantes, como dois sul-americanos e um 4º lugar no Mundial da AJP, em Abu Dhabi, além de liderar o ranking estadual na categoria faixa-preta master 3 pela Federação Sul-Mato-Grossense de Jiu-Jitsu.
“Comecei no jiu-jitsu aos 28 anos, por intermédio de um amigo que me apresentou aquele que seria meu professor e me ensinaria os primeiros passos”, relembra Felipe. A rotina não era fácil. Trabalhava à noite e treinava à tarde, conciliando o esporte com as obrigações profissionais. Com apenas 35 dias de treino, encarou sua primeira competição. Não parou mais. Ainda na faixa branca, venceu o campeonato estadual em duas categorias – master 1 e adulto até 70kg – e foi vice-campeão brasileiro da CBJJ. Conquistou, também, seu primeiro título sul-americano pela IBJJF.
O auge competitivo, segundo ele, veio em 2019. “Meu maior feito no jiu-jitsu foi o 4º lugar no Mundial dos Emirados Árabes, já na faixa roxa, onde pude pela primeira vez representar minha cidade, estado e país em uma competição internacional fora do Brasil.” Além do resultado expressivo, Felipe carrega na memória o momento em que recebeu sua faixa marrom das mãos do mestre Ricardo De La Riva. “Uma das conquistas de maior significado pra mim foi meu segundo título sul-americano, já na marrom, logo após essa graduação.”
Com o tempo, o jiu-jitsu deixou de ser apenas um objetivo pessoal e passou a se tornar uma missão coletiva. Ao lado do irmão, Flávio Andrade, Felipe fundou o projeto social Arte Suave, que atende crianças carentes de Nova Alvorada do Sul. O tatame virou espaço de acolhimento, disciplina e oportunidade. “Treino junto com a garotada no time de competição, me preparando assim para as competições dentro e fora do estado”, explica.
O projeto já revelou diversos campeões e mostra, na prática, como o jiu-jitsu pode impactar vidas além do alto rendimento. Felipe vê no esporte uma ponte para o futuro. “O jiu-jitsu literalmente transformou minha vida, me tirando de uma depressão e me dando uma profissão que hoje me dedico de todo coração.” Para ele, os projetos sociais têm papel fundamental na democratização da modalidade, especialmente no interior do estado.
“Acredito que com o crescimento dos projetos sociais tende a revelar ainda mais talentos na arte suave nos próximos anos”, diz. E ele fala com propriedade: Felipe é hoje uma referência para jovens atletas que buscam no tatame um novo caminho. “Tento me dedicar ao máximo nas competições para mostrar que, se até mesmo aqueles que iniciam tarde no jiu-jitsu conseguem boas oportunidades, as chances são ainda maiores para essa nova geração que vem muito forte.”
O foco segue nas competições. Felipe se prepara para disputar novamente o Mundial da AJP nos Emirados Árabes ainda este ano, além de buscar a consolidação no topo do ranking estadual. Mas a vitória maior parece já ter sido conquistada: o reconhecimento da comunidade e o impacto direto na vida de dezenas de crianças que enxergam no jiu-jitsu não só um esporte, mas uma possibilidade de mudança.