Da Redação
A trajetória de Bruno Domingues Vioto, nascido em 30 de outubro de 2001, no esporte começou de uma forma diferente daquela que hoje define sua carreira. Antes de se dedicar ao vôlei, ele praticou natação durante seis anos e estava se preparando para disputar competições federadas. A mudança aconteceu em 2014, ainda durante o Ensino Fundamental, quando a escola onde estudava abriu treinos de voleibol.
Bruno estudava na Escola Municipal Professor José de Souza, conhecida como “Zezão”, e decidiu participar do primeiro treino. A experiência foi suficiente para que ele mudasse de modalidade.
“Minha história com o vôlei começou em 2014, quando eu ainda estava no Ensino Fundamental. Naquela época, eu já praticava natação havia seis anos e estava me preparando para começar a competir em campeonatos federados. Porém, tudo mudou quando a minha escola, a Escola Municipal Professor José de Souza, mais conhecida como ‘Zezão’, abriu os treinos de vôlei”, conta.
Segundo Bruno, a identificação com o novo esporte aconteceu logo no primeiro contato. Depois de anos dedicados à natação, ele optou por seguir outro caminho.
“Fui ao primeiro treino e, naquele mesmo momento, senti que havia encontrado algo diferente. Depois de seis anos dedicados à natação, decidi mudar completamente de esporte. Foi como se algo dentro de mim dissesse: ‘Este é o meu esporte do coração’”, relembra.
A decisão de transformar o vôlei em uma possibilidade de carreira, porém, veio alguns anos depois. Aos 16 anos, quando estava no segundo ano do Ensino Médio, Bruno disputou sua primeira competição fora de Mato Grosso do Sul, em Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A experiência serviu como um marco para que ele passasse a enxergar o esporte de outra maneira.
“Foi somente no segundo ano do Ensino Médio, aos 16 anos, que comecei a enxergar o vôlei de uma maneira ainda mais séria. Disputei meu primeiro campeonato fora do estado, em Tupi Paulista, e, depois daquela competição, tive a certeza de que era aquilo que eu queria para a minha vida”, afirma.
Ao longo dos anos, o esporte também passou a ocupar um espaço que vai além das competições. Para Bruno, o vôlei se tornou uma forma de lidar com momentos difíceis e, ao mesmo tempo, uma atividade que contribuiu para sua formação pessoal.
“O vôlei sempre foi muito mais do que um esporte. Ele é a minha válvula de escape, principalmente quando as coisas não estão indo bem”, explica.
É dentro da quadra, segundo ele, que consegue se concentrar no jogo e deixar de lado os problemas do cotidiano.
“É dentro da quadra que consigo esquecer os problemas por algumas horas, dar risada, me divertir com meus amigos e concentrar toda a minha atenção no jogo”, relata.
Bruno também atribui ao esporte parte dos valores que desenvolveu ao longo dos anos. Entre eles estão liderança, responsabilidade, foco, disciplina e humildade.
“Acredito que grande parte da pessoa que sou hoje foi construída através do esporte. O vôlei me tornou alguém mais responsável, dedicado e preparado para enfrentar desafios”, afirma.
Durante a trajetória, um dos principais obstáculos foi lidar com o nervosismo antes das partidas. A cobrança por resultados e pelo próprio desempenho fazia com que a pressão aumentasse em momentos importantes.
“Um dos maiores desafios da minha trajetória, principalmente no início, sempre foi o nervosismo. Quando chegava a uma competição, eu me cobrava demais. Queria entregar o meu melhor desempenho e conquistar os melhores resultados possíveis. Muitas vezes, essa cobrança acabava me atrapalhando mais do que ajudando”, lembra.
Com a experiência adquirida em diferentes competições, Bruno passou a lidar de outra forma com a pressão.
“Com o passar dos anos e com a experiência adquirida em diferentes campeonatos, aprendi a lidar melhor com essa pressão. Hoje consigo entrar em quadra muito mais leve, confiante e solto, aproveitando melhor cada momento da partida”, diz.
A rotina de preparação também mudou conforme sua trajetória. Quando atuava profissionalmente, os treinamentos ocupavam boa parte do dia. A rotina incluía aproximadamente quatro horas de treino de vôlei e mais uma hora diária de academia.
Atualmente, conciliando o esporte com o trabalho, Bruno mantém os treinos e a preparação física. Ele joga de duas a três vezes por semana, com atividades de aproximadamente três horas, além de frequentar a academia três vezes por semana.
A preparação aumenta quando uma competição importante se aproxima. Entre um mês e meio e dois meses antes dos torneios, ele procura intensificar os treinamentos e disputar amistosos contra equipes competitivas. Também realiza atividades específicas para sua posição: levantador.
“Meu objetivo é sempre chegar às competições o mais preparado possível, tanto fisicamente quanto tecnicamente”, afirma.
A carreira também inclui participações em competições dentro e fora de Mato Grosso do Sul. Entre os resultados citados por Bruno estão o terceiro lugar na Taça Paraná – Série Ouro, competição de base, o título dos Jogos Regionais do Estado de São Paulo, representando a equipe de Taquarituba, e o campeonato do JAMS, representando Sidrolândia.
Ele também foi campeão da APV Sub-21, participou do Campeonato Brasileiro de Seleções (CBS), em 2018, representando Mato Grosso do Sul, e conquistou o título dos Jogos Universitários de Mato Grosso do Sul (JUMS).
“Cada campeonato teve uma importância diferente na minha trajetória e contribuiu para o meu crescimento como atleta e também como pessoa”, afirma.
Representar Mato Grosso do Sul em competições nacionais é outro ponto destacado pelo atleta. Para Bruno, a participação em torneios fora do estado também reforça a necessidade de ampliar os investimentos na formação de novos jogadores.
“Representar Mato Grosso do Sul em qualquer competição é sempre motivo de muito orgulho”, afirma.
Ele defende que o investimento nas categorias de base seja ampliado para que novos atletas possam ter acesso a estrutura e oportunidades.
“Gostaria de ver um investimento ainda maior no esporte em todo o estado, principalmente nas categorias de base. É na base que começamos a descobrir, desenvolver e formar os atletas que poderão representar Mato Grosso do Sul e o Brasil no futuro”, diz.
Na avaliação de Bruno, o estado possui potencial para revelar novos jogadores caso existam condições adequadas de treinamento e desenvolvimento.
“Acredito que, com estrutura, incentivo e oportunidades, temos potencial para revelar muitos atletas”, completa.
Na posição de levantador, Bruno encontrou em William Arjona, um dos nomes da modalidade no Brasil, uma referência para sua formação. A admiração está relacionada principalmente à forma como o jogador atua dentro da quadra.
“Uma das minhas maiores inspirações sempre foi o levantador William Arjona. Sempre admirei sua maneira de jogar, sua inteligência dentro de quadra e, principalmente, a dedicação que demonstrou ao voleibol durante tantos anos”, conta.
A posição também fez com que Bruno procurasse observar outros levantadores ao longo da carreira.
“Como também atuo na posição de levantador, sempre procurei observar jogadores que pudessem me ensinar algo, e o William sempre foi uma grande referência para mim”, afirma.
Atualmente, o vôlei deixou de ser sua atividade profissional exclusiva, mas continua presente na rotina. Bruno concilia o esporte com o trabalho e segue participando de competições pelo estado.
“Atualmente, o vôlei se tornou um hobby, mas continua sendo uma parte muito importante da minha vida”, explica.
Mesmo fora do circuito profissional, ele pretende continuar disputando campeonatos e buscando títulos.
“Mesmo não vivendo mais exclusivamente como atleta, continuo jogando em alto nível e participando de grandes campeonatos por todo o estado”, afirma.
Entre os objetivos está seguir competindo e aproveitar a convivência com os companheiros de equipe.
“Espero continuar conquistando títulos, buscar novamente tudo o que o voleibol de Mato Grosso do Sul pode oferecer e, principalmente, seguir vivendo esses momentos ao lado dos meus amigos e companheiros de equipe”, diz.
A família também teve participação importante na trajetória. Aos 18 anos, Bruno deixou a casa dos pais e se mudou para Itatiba, no interior de São Paulo, para buscar a oportunidade de se tornar atleta profissional. A mudança representou uma nova etapa, mas, segundo ele, o apoio familiar permaneceu.
“O apoio da minha família foi indispensável durante toda a minha trajetória. Desde o começo, meus familiares sempre estiveram ao meu lado e foram uma das minhas maiores fontes de inspiração”, relata.
Sobre a mudança para São Paulo, Bruno afirma que continuou contando com a família mesmo à distância.
“Aos 18 anos, saí da casa dos meus pais para buscar o sonho de me tornar atleta profissional em Itatiba, no interior de São Paulo. Foi uma grande mudança na minha vida, mas em nenhum momento me senti sozinho”, conta.
“Independentemente das circunstâncias, eu sabia que poderia contar com a minha família para tudo. Eles sempre acreditaram em mim, me apoiaram nas minhas decisões e estiveram presentes tanto nos momentos bons quanto nos mais difíceis”, acrescenta.
A experiência acumulada desde os primeiros treinos no “Zezão” até as competições por diferentes equipes também influencia a mensagem que Bruno deixa para quem está começando. Para ele, a evolução passa pela disposição de buscar novos desafios.
“Tenho certeza de que, com foco, dedicação, disciplina e, principalmente, humildade, é possível conquistar coisas que muitas vezes parecem distantes”, afirma.
O atleta também aconselha os jovens a não se acomodarem com os resultados já alcançados.
“Meu conselho para quem está começando no esporte é: desafie-se constantemente. Nunca fique totalmente satisfeito com o lugar onde está. Busque evoluir, aprender, melhorar e alcançar novos objetivos”, diz.
Para Bruno, os resultados conquistados nas quadras são apenas uma parte do que o esporte proporciona.
“O esporte exige muito, mas também devolve muito. As experiências, amizades, aprendizados e oportunidades que o vôlei me proporcionou são coisas que vou carregar comigo para o resto da vida”, afirma.
Depois de mais de uma década desde o primeiro treino na escola, o vôlei permanece como parte da vida do atleta, agora conciliado com outras atividades. A modalidade que o fez abandonar a natação continua presente por meio das competições, dos treinamentos e da convivência com os companheiros de equipe.
“Se desafiem, mantenham os pés no chão e nunca parem de buscar algo maior”, finaliza.