Da Redação
“Terminar é ser feliz.” A frase é repetida algumas vezes por Luiz Carlos Jara Veiga, corredor e meio maratonista nascido em 18 de julho de 1992, em Bela Vista (MS). É a partir dessa ideia que ele organiza a rotina, enfrenta limitações físicas e concilia uma jornada intensa de trabalho com o desejo de seguir presente no esporte. Para ele, cruzar a linha de chegada representa mais do que um resultado. “Ganhar é bom, mas terminar é ser feliz”, resume.
Luiz Carlos conta que começou a correr por gosto pessoal, movido pela sensação de liberdade que a atividade lhe proporcionava. “Sempre gostei de me aventurar nas corridas de trail e de rua. Se desafiar era algo que me fazia esquecer as dificuldades do dia a dia”, afirma. Com o tempo, encontrou nas meias maratonas um espaço onde cada quilômetro assumiu significado próprio. “A meia maratona é algo diferente. Cada quilômetro percorrido é uma conquista. Ver as pessoas te incentivando é algo que só quem está ali entende. Mesmo no limite, você chega e vê outros chegando também, vencendo e deixando dificuldades para trás.”
A prova mais marcante de sua trajetória até agora foi os 21 km de Bonito. Ele vivia um fim de semana intenso, dividido entre trabalho e um torneio de beach tennis. Apesar do cansaço, decidiu seguir viagem. “Dirigi por 200 km e cheguei com trinta minutos de antecedência. Estava muito cansado, mas confiante de que iria terminar.” O percurso, segundo ele, acabou reunindo lembranças, reencontros e um episódio que transformou a chegada. “Corri sozinho boa parte do tempo, conheci pessoas no caminho, revi amigos da infância. No final, mesmo com câimbras, sabia que minha filha Eloá estaria me esperando. Quando a vi, meu corpo respondeu. Foi o último gás. Ela pegou minha mão e terminamos juntos.” O corredor define o momento como determinante para reforçar seu vínculo com o esporte.
Morando e treinando em Mato Grosso do Sul, ele observa que há entraves na preparação. “Falta de locais específicos para treinamento e infraestrutura”, aponta. Ainda assim, acredita que as provas da região têm desafios que fazem parte da modalidade. “Cada prova tem seu desafio. Sem isso, seria algo comum. As organizações fazem o melhor. São pequenos detalhes que cada uma precisa rever.”
A rotina de treinos é marcada por adaptações. Ele trabalha em uma indústria de calcário e, por isso, precisa treinar antes ou depois do expediente. “Normalmente, levanto às 4h30 para treinar, ou treino no período noturno”, explica. Além da corrida, inclui fortalecimento e acompanhamento nutricional. “Sigo as orientações de uma nutricionista. Estou em evolução. Tenho muito a aprender e melhorar na performance.” Ele também conta com apoio técnico. “Meu treinador, Luciano Augusto, me acompanha e passa os treinos. Evoluí muito depois disso.”
Os momentos de desmotivação ou desgaste físico são tratados como parte do processo. Segundo ele, o próprio treinamento funciona como estímulo. “Às vezes iniciamos sem vontade, mas durante o treino algo muda. A dificuldade se transforma em motivação para vencer.” Luiz Carlos convive com lesões no joelho e afirma que tem buscado cuidados constantes. “Cuido e trato da melhor maneira, mas sempre respeito meus limites. A corrida me transforma. É como uma terapia nos dias ruins e de cansaço.”
Entre as conquistas pessoais, destaca o processo mais do que os resultados. “A superação, a disciplina e a motivação são o que considero mais importantes. Vencer e conquistar pódios é bom, mas estar ao lado de amigos e incentivadores do esporte é melhor.” Para os próximos anos, planeja seguir evoluindo e ampliando horizontes. “Quero melhorar minha performance e conhecer novos lugares através da meia maratona.”
A corrida, diz ele, reorganizou o estilo de vida e criou novas perspectivas. “Me tornei uma pessoa mais saudável. Melhorei muito como pessoa e aprendi a lidar com situações diárias.” Ele comenta que, ao manter a rotina, passa a influenciar quem observa de fora. “As pessoas perguntam como consigo, e acabo incentivando muitas delas a iniciarem algum esporte.” Para ele, esse impacto é reflexo direto da mudança que viveu. “O esporte mudou minha vida, minha performance profissional e de atleta amador.”
Ao falar com quem deseja começar a correr, Luiz Carlos retoma a frase que parece orientar sua própria trajetória. “A corrida transforma vidas. Comece devagar. Não importa pace ou pódio. O que importa é fazer o que te faz bem.” E finaliza: “Sonhe alto e realize. A meia maratona muda seu pensamento sobre o que você é e o que pode ser na sua vida. O importante é cruzar a linha de chegada.”