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Entre quadras e gramados: como Luiza Almeida se firmou como goleira ainda na infância

da redação - 17 de nov de 2025 às 14:35 70 Views 0 Comentários
Entre quadras e gramados: como Luiza Almeida se firmou como goleira ainda na infância Da Redação

“Sigam seu sonho. Tem que treinar muito, muito mesmo.” A orientação, dita com naturalidade por Luiza Almeida Hillesheim, de 9 anos, resume o caminho que ela mesma escolheu trilhar no futebol e no futsal em Campo Grande. Goleira das duas modalidades, Luiza encontrou nos treinos, nos jogos e na rotina intensa um modo de se afirmar no esporte, mesmo sendo, muitas vezes, a única menina da posição em competições locais.

 

Luiza nasceu em 31 de agosto de 2016, na capital sul-mato-grossense, e começou a jogar aos 6 anos em um projeto social. Ela lembra que antes disso a mãe tentou colocá-la em outras atividades. “Minha mãe já havia me matriculado no ballet e no judô, mas foi nos gramados que eu me apaixonei”, conta. A decisão pela posição de goleira surgiu pouco depois, quando percebeu que atuar na linha não a motivava da mesma forma. “Comecei jogando na lateral, mas achava o campo grande demais. Influenciada por um amigo goleiro, decidi me aventurar embaixo das traves e logo me encantei pelas luvas.”

 

A rotina de treinos revela parte do esforço diário. “Segundas e quartas eu treino futsal. Terças e quintas treino específico de campo. Aos sábados faço o treino específico de futsal”, relata. Os estudos ocupam as manhãs. As sessões esportivas são sempre à noite. O ritmo não diminui quando surgem as viagens. Luiza já disputou campeonatos no estado e fora dele. Uma das lembranças que destaca é a participação em um evento no principal ginásio de Campo Grande. “Ano passado joguei antes da apresentação do Falcão no Jogo das Estrelas. Foi emocionante fazer defesas em uma quadra lotada.”

 

A expressão da jovem goleira sobre a convivência com os meninos evidencia um cenário comum nas categorias de base do futsal e do futebol feminino no estado. “Sempre joguei com os meninos e muitas vezes fui a única goleira menina nas competições.” Para ela, isso não representa impedimento, mas aponta para uma dificuldade que vai além da disputa esportiva. “A parte ruim é que na maioria dos gramados não tem vestiário para as meninas. Elas precisam se virar para trocar o uniforme.”

 

Em quadra, Luiza percebe diferenças importantes entre as modalidades. “O futsal é rápido e dinâmico. Ao mesmo tempo que defendo, já tenho que ligar o ataque.” No campo, encara outros desafios. “Posso pular alto e me jogar para defender, mas as traves ainda são muito altas para mim, e acabo tomando gol por cobertura.” Mesmo assim, descreve momentos que considera importantes no desenvolvimento como atleta: o primeiro troféu de goleira menos vazada, o prêmio de destaque, as defesas de pênalti e a sensação de marcar gol com um chute forte nas saídas de bola.

 

As referências que escolheu refletem o interesse pela posição. “Gosto da Lorena, goleira da seleção brasileira, e da Nicole, goleira do Corinthians. Me inspiro em como elas saltam longe e defendem pênaltis.” A influência do clube paulista também aparece ao falar do futuro. “Quero jogar em um time feminino, ser capitã e disputar grandes competições. E um dia, se Deus permitir, jogar no Corinthians e até na Seleção Brasileira.”

 

Durante toda a trajetória, Luiza reconhece o papel dos profissionais que acompanharam seu desenvolvimento. Ela cita professores do projeto social Asas do Futuro, os treinadores da escola de goleiros, da equipe de futsal e do treinamento específico. “Sou grata aos meus treinadores, que sempre me deram oportunidade de jogar de igual para igual com os meninos.” A família também aparece como parte central da rotina esportiva. “Meus pais me acompanham em todos os treinos, jogos e competições.”

 

A goleira afirma que pretende seguir treinando para aperfeiçoar fundamentos e alcançar as metas que traça desde cedo. “Quero continuar me dedicando muito para chegar longe e me profissionalizar nesse esporte que é a minha paixão.” A frase inicial que oferece às outras meninas, por fim, é um reflexo da própria prática. “Não pode ter medo, porque você vai levar bolada mesmo. A sensação de defender bolas difíceis e ajudar seu time é maravilhosa.”

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