Da Redação
“O futsal pode mudar até o último segundo.” A frase resume a relação de Artur Salas de Abreu Filho com o esporte. Nascido em Campo Grande no dia 24 de novembro de 2002, o atleta cresceu cercado pelo futebol e encontrou no futsal o ambiente onde desenvolveu suas principais características dentro de quadra.
Segundo ele, o esporte faz parte da própria história da família. O avô e o tio foram atletas profissionais de futebol de campo na Bolívia e, junto do pai, tiveram influência direta no início da trajetória.
“O futebol está na minha vida desde o meu nascimento. Meu avô e meu tio foram atletas profissionais de campo na Bolívia. Eles, juntamente com meu pai, me fizeram amar esse esporte”, contou.
Como muitos jovens, Artur começou jogando na rua. A prática, inicialmente vista apenas como diversão, ganhou outro significado quando surgiram as primeiras oportunidades no esporte escolar.
“Quando pequeno, sempre jogava bola na rua brincando. Percebi que poderia ser algo sério quando ganhei uma bolsa em uma escola particular para estudar e jogar futsal”, afirmou.
O atleta também relembra que um dos momentos que o fez enxergar a possibilidade de construir uma carreira foi a conquista de um campeonato atuando em uma categoria acima da idade dele.
“Ganhei meu primeiro campeonato sendo de uma categoria acima da minha. Ali comecei a perceber que poderia dar certo”, disse.
A experiência aconteceu defendendo o Colégio ABC, em uma competição realizada fora de Campo Grande. Para Artur, aquela conquista permanece como uma das lembranças mais importantes da trajetória esportiva.
“O momento mais especial, sem dúvida, foi quando ganhei meu primeiro campeonato de futsal com o Colégio ABC, em outra cidade, sendo de uma categoria mais nova e com toda a minha família presente. Ali eu senti que podia sim sair uma carreira”, relatou.
Ao longo do caminho, ele afirma que precisou lidar com dificuldades comuns enfrentadas por atletas do Estado. Entre elas, a falta de oportunidades e a necessidade de conciliar estudos, trabalho e treinos.
“As maiores dificuldades que enfrentei aqui no Estado são a falta de oportunidade, conciliar os estudos com os treinos e o descaso com a modalidade em Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Mesmo tendo iniciado no futebol de campo, Artur encontrou no futsal um estilo de jogo mais próximo das características que desenvolveu ao longo dos anos. Segundo ele, a dinâmica da modalidade foi determinante para a adaptação rápida dentro das quadras.
“A diferença mais marcante para mim é que, no futsal, tudo pode mudar até o último segundo do jogo. Foi isso que me fez preferir o futsal ao campo”, explicou.
Ele relembra que, no futebol de campo, gostava de controlar o jogo com a posse de bola. Já no futsal, precisou se adaptar à velocidade e à movimentação constante.
“Quando jogava campo, gostava sempre de ter a bola comigo e o jogo controlado. Essas características sempre me destacaram dos demais. Quando migrei para o futsal, aprendi que o jogo era muito mais dinâmico e movimentado. Me adaptei bem rápido e consegui me destacar pelo drible curto e pelo bom passe”, contou.
Durante a formação, Artur destaca treinadores e familiares como peças importantes para o desenvolvimento dentro e fora das quadras. Entre os nomes citados estão os professores Fleber e Diogo.
“O professor Fleber foi meu treinador aos 11 anos, quando ganhei a bolsa no ABC. Já o professor Diogo foi meu treinador nas categorias acima”, disse.
No ambiente familiar, o reconhecimento é direcionado principalmente ao pai e ao avô.
“Fora de quadra, devo muito ao meu avô e ao meu pai, que nunca mediram esforços para me ajudar e incentivar nesse esporte”, afirmou.
Atualmente, Artur divide o tempo entre trabalho, estudos e competições. Ele afirma que já não consegue manter uma rotina fixa de treinamentos, mas segue participando de jogos e campeonatos ao longo do mês.
“Hoje em dia, devido ao trabalho e ao estudo, não tenho mais uma rotina de treinos certinha, mas sigo treinando e conciliando esses treinos com jogos e campeonatos”, explicou.
Mesmo diante das dificuldades, o atleta afirma que continua se preparando para futuras oportunidades no esporte.
“Ainda busco oportunidade, mesmo sendo difícil no Estado. O principal objetivo no momento é seguir me preparando o máximo possível para agarrar a oportunidade que aparecer”, disse.
Para Artur, o esporte também teve impacto direto na formação pessoal. Segundo ele, o futsal ensinou valores que hoje fazem parte da rotina fora das quadras.
“O esporte é a base de tudo na minha vida. Com ele aprendi a ter resiliência, sempre levantar a cabeça e encarar todos os desafios, independentemente do tamanho”, afirmou.
Ao falar sobre os jovens que desejam seguir carreira no esporte, ele destaca a importância da preparação constante.
“O conselho que eu daria para os jovens que têm o mesmo sonho que o meu é ter constância, paciência e estar sempre preparado, porque a chance pode vir quando você menos espera”, finalizou.