Terça-feira, 09 de dezembro de 2025, 12:09

Entre o esporte e a Polícia Militar: o caminho de Guigo Villanueva no Jiu-Jitsu

da redação - 13 de nov de 2025 às 15:33 127 Views 0 Comentários
Entre o esporte e a Polícia Militar: o caminho de Guigo Villanueva no Jiu-Jitsu Da Redação

Luiz Guilherme Rodrigues Villanueva nasceu em 17 de janeiro de 1975, no então Estado da Guanabara, que passou a se chamar Rio de Janeiro dois meses depois. Mas esse nome de registro acabou ficando distante do cotidiano. "Meu nome é Luiz Guilherme Rodrigues Villanueva, mas, às vezes, até eu me esqueço que esse é o meu nome. Toda minha família, meus amigos e, inclusive, na Polícia Militar, sou bastante conhecido pelo meu apelido, Guigo. Guigo Villanueva", afirma. Há mais de 15 anos, ele integra a corporação, conciliando a rotina policial com a prática e o ensino do Jiu-Jitsu.

 

Guigo começou no Judô ainda criança, no Rio de Janeiro. Chegou a Campo Grande em 1984, quando sua mãe foi transferida no trabalho. Na adolescência e juventude, percorreu diferentes artes marciais. "Treinei Karatê com o Mestre Paulo Muniz, Kung-Fu com o mestre Fernando Marques, TaeKwonDo com o mestre Roberto Elias. E sempre próximo do Judô, porque meu irmão treinava". A busca por algo que realmente o envolvesse só se consolidou em 1994, quando conheceu o Jiu-Jitsu. A primeira experiência, porém, não correspondeu ao que ele buscava. "Treinei por um tempo com um professor, mas sentia que não era bem o Jiu-Jitsu que eu buscava. Ele ensinava uma mistura de Karatê e Judô."

 

A mudança definitiva aconteceu no ano seguinte. "Em 1995 conheci o Mestre Claudionor Cardoso, que foi quem ‘me trouxe para a luz’", diz, com um sorriso implícito na lembrança. A partir dali, passou a treinar Jiu-Jitsu esportivo, defesa pessoal e vale-tudo, o que o levou a participar do “I Circuito de Lutas Free Style de MS”, em 1996, no Ginásio Dom Bosco. No ano seguinte, lutou novamente, mas dessa vez fora de Mato Grosso do Sul. Depois, retornou ao Rio de Janeiro com um propósito: se aproximar das referências da modalidade.

 

Treinou em Maricá e depois com o professor Zé Marcelo, aluno do Mestre Bolão, da Carlson Gracie. Até chegar ao objetivo maior. "Tive o privilégio de treinar no Clube Carlson Gracie de Jiu-Jitsu, em Copacabana. Pude treinar com meus maiores ídolos. Treinava principalmente nos horários dos Mestres Ricardo Libório e Luís 'Bebeo' Duarte, além do treino conduzido pelo próprio Mestre Carlson Gracie." Ele guarda lembranças nítidas desse período, como quando recebeu um elogio do próprio Carlson ao assistir a gravação de uma luta sua. "Ele passou técnicas de defesa de guilhotina e pediu para o Mestre José Mario Sperry me aplicar. Disse: ‘se não bater para o Zé Mário, não bate pra mais ninguém’."

 

Já com o intuito de ensinar, Guigo decidiu se profissionalizar. "A graduação em Educação Física era algo que me traria base para ensinar. Graças à minha mãe, que me inscreveu no vestibular, iniciei o curso na UCDB, em 2000."

 

Com o tempo, Guigo acompanhou a evolução do Jiu-Jitsu em Mato Grosso do Sul. Para ele, o desempenho competitivo cresceu muito, mas alguns fundamentos foram se perdendo. "O Jiu-Jitsu basilar, o chamado Jiu-Jitsu raiz, tem sido deixado de lado. É compreensível, já que o foco é a competição, mas isso traz transformações na essência da arte."

 

Na formação de alunos, ele destaca valores que ultrapassam o tatame. "O Jiu-Jitsu está em todas as coisas que fazemos diariamente. Na alimentação, no trabalho, no trânsito, no relacionamento. É uma filosofia de vida." Hoje, seu foco está voltado ao ensino e à saúde mental. "Tenho um projeto de Jiu-Jitsu voltado à saúde mental, que almejo implementar na PMMS."

 

Aos que estão chegando à arte, ele deixa uma orientação objetiva: "Procure conhecer a história do seu professor. Não escolha a escola mais bonita ou a mais evidente nas redes sociais. Saiba quem é a pessoa que vai lhe ensinar, porque, possivelmente, ela fará parte de toda a sua história dentro do Jiu-Jitsu."

Comentários

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.