Da Redação
A trajetória de Thaís Machado da Silva Martins, nascida em 29 de março de 1994, em Campo Grande (MS), teve início aos 14 anos, na Escola Licurgo de Oliveira Bastos. Foi ali, sem intenção inicial de se tornar atleta, que chamou a atenção de um professor de Educação Física por sua velocidade nas brincadeiras e deslocamentos durante as aulas. Ele comentou com o técnico Waldir, responsável pelos treinos no clube ADAC (Associação Desportiva, Atlética e Cultural), que “tinha uma menina que poderia dar bom no esporte”.
Waldir tentou por diversas vezes convidá-la para treinar, mas a resistência da mãe dificultava o processo. A oportunidade surgiu quando o Centro Olímpico do bairro, com pista oficial de atletismo, foi inaugurado em 2008. Durante uma visita às salas de aula, o técnico fez um chamado geral para novos interessados. Thaís decidiu agir por conta própria. “Peguei a autorização mesmo tendo o não da minha mãe. Pedi para minha avó assinar escondido. Ela foi minha cúmplice”, recorda.
Ao aparecer no treino, surpreendeu o técnico, que não imaginava que ela realmente fosse iniciar. O teste foi direto: uma volta na pista de 400 metros. “Fiz em um tempo muito bom para quem nunca tinha corrido na vida.” Thaís voltou no dia seguinte, e nos muitos outros que vieram. Com o tempo, e à medida que as competições e viagens começaram, o apoio familiar passou a acompanhar o compromisso da atleta. “Minha mãe começou a me apoiar, perguntar se eu ia treinar. Ela viu que eu estava me dedicando.”
Thaís permaneceu 13 anos e meio na equipe ADAC, treinada por Waldir e também por Celso Arantes, que assumiu papel fundamental no desenvolvimento técnico e de resultados. A prova principal era os 400 metros, mas ela também atuou nos 200 metros e, posteriormente, nos 800 metros. A migração para a prova mais longa ocorreu em 2012, após um teste durante um Campeonato Brasileiro Menores, em Porto Alegre. “Eu não gostava da prova por ser longa, mas fiz um tempo muito bom. Meus técnicos ficaram animados. No próximo campeonato eu já estava inscrita nos 800m.”
O episódio que ela considera mais marcante ocorreu em 2010, no Campeonato Brasileiro Menores, em Uberlândia (MG). “Ganhei minha bateria e fiquei com o terceiro melhor tempo. Na final, fiquei em terceiro novamente.” A colocação resultou em convocação para um camping de treinos com a seleção brasileira, também em Uberlândia. Ali, recebeu propostas de clubes de outras cidades. “Foi quando percebi que realmente era uma atleta de grande potencial.”
A transição para a carreira de personal trainer teve início ainda no período como atleta, quando começou a se interessar pela profissão de Educação Física. Após um período afastada das pistas por motivos de saúde, recebeu a notícia de que havia conseguido bolsa integral para cursar Fisioterapia ou Educação Física. Escolheu a segunda opção e iniciou o curso.
Hoje, trabalha com um público majoritariamente feminino, buscando condicionamento, saúde e bem-estar. “Meu público não é atleta, mas uso princípios do atletismo adaptados. Muitas vezes intercalo treinos aeróbicos com mobilidade e fortalecimento.”
Para ela, disciplina é o eixo central tanto no esporte quanto na vida cotidiana. “A disciplina transforma ações pontuais em hábitos. No esporte e na vida, os resultados vêm da constância, não de grandes saltos.” Ela reforça também a importância da preparação psicológica. “Quando você aprende que a mente domina o corpo, você consegue ultrapassar limites que achava que tinha.”
No momento, Thaís afirma estar vivendo uma fase profissional de realização, mas ainda com metas em desenvolvimento. “Quero continuar transformando vidas através do movimento e futuramente abrir meu próprio studio ou academia.”