Da Redação
“Foi aí que eu entendi que sou capaz sim de fazer tudo aquilo que eu quero.” A frase resume um dos momentos mais marcantes da trajetória de Silvia Luisa da Costa Jabali, atleta de voleibol de Mato Grosso do Sul. Acostumada a atuar como ponteira passadora, ela precisou assumir uma nova função durante uma competição e encontrou naquele desafio uma das experiências mais importantes de sua caminhada no esporte.
Nascida em 25 de julho de 1995, Silvia teve o primeiro contato com o voleibol ainda na infância. O esporte entrou em sua vida quando ela tinha apenas oito anos de idade, durante atividades escolares. O interesse pela modalidade surgiu de forma gradual, a partir das competições promovidas dentro da escola.
“O esporte entrou na minha vida ainda muito pequena. Eu tinha 8 anos de idade e participava dos interclasses dentro da escola. Até que um dia um professor de Educação Física me convidou para treinar. Foi o início de tudo. Eu não sabia nada e aprendi tudo do zero”, relembra.
Segundo ela, o processo de aprendizagem foi longo até que pudesse disputar as primeiras competições. Foi justamente nos Jogos Escolares que o vínculo com o voleibol se fortaleceu.
“Foi um período longo de aprendizado até começar as competições escolares. Foi quando despertou um interesse muito maior pelo esporte. Os Jogos Escolares foram a base de tudo”, afirma.
Como acontece com muitos atletas, os primeiros anos foram marcados por desafios que exigiram adaptação e persistência. Para Silvia, um dos principais obstáculos foi aprender a lidar com os erros sem permitir que eles interrompessem sua evolução.
“Meu principal desafio no início da carreira foi aprender a lidar com os erros sem desistir. Cada treino e cada jogo me ensinaram que a evolução vem da persistência, da disciplina e da vontade de melhorar todos os dias”, destaca.
Entre os diversos campeonatos disputados ao longo da carreira, um em especial permanece vivo em sua memória. Atuando pela cidade de Naviraí, ela participou da Copa Cone Sul de Voleibol em uma função diferente daquela que estava habituada a desempenhar.
“Eu sempre fui ponteira passadora, mas teve um ano que foi muito desafiador. Jogando por Naviraí, disputei a Copa Cone Sul de Voleibol como levantadora durante todo o campeonato. Era uma posição que exigia muita competência e responsabilidade”, conta.
A mudança de posição trouxe inseguranças, mas também aprendizado. Ao final da competição, a equipe conquistou o título e Silvia saiu da quadra com uma nova percepção sobre suas capacidades.
“No final deu certo e fomos campeãs. Foi aí que eu entendi que sou capaz sim de fazer tudo aquilo que eu quero e de ajudar muito a equipe”, relata.
Atualmente morando em Caarapó, Silvia mantém uma rotina voltada para a prática esportiva e ressalta que os resultados dependem de uma série de cuidados além dos treinamentos dentro da quadra.
“A rotina de treinos exige muita disciplina e organização. Além dos treinos técnicos e físicos, é preciso cuidar da alimentação, do descanso e da recuperação do corpo. Isso influencia diretamente meu dia a dia, porque aprendi a administrar melhor meu tempo, ser mais responsável e manter o foco nos meus objetivos”, explica.
As experiências acumuladas ao longo dos anos também contribuíram para sua formação pessoal. Para a atleta, algumas das principais lições aprendidas no voleibol ultrapassam os limites da quadra.
“O maior ensinamento que o esporte trouxe para minha vida foi entender que os resultados não acontecem da noite para o dia. Aprendi a ter disciplina, persistência, trabalho em equipe e a lidar tanto com as vitórias quanto com as derrotas”, diz.
Silvia também acompanha a evolução do voleibol em Mato Grosso do Sul e acredita que a modalidade vem conquistando mais espaço. Ao mesmo tempo, avalia que ainda existem desafios para ampliar as oportunidades oferecidas aos atletas.
“Acredito que o vôlei sul-mato-grossense vem crescendo, com mais atletas se destacando e mais pessoas se interessando pela modalidade. Porém, ainda há muito espaço para evolução. É importante investir mais em estrutura, competições, apoio financeiro, categorias de base e oportunidades para que os atletas possam se desenvolver sem precisar sair do estado tão cedo”, afirma.
Ao falar sobre as pessoas que contribuíram para sua trajetória, Silvia destaca o apoio familiar e o papel de treinadores que acompanharam sua formação esportiva.
“Sempre tive um grande incentivo familiar. Minha mãe sempre esteve ao meu lado, me apoiando e me fazendo acreditar que eu seria capaz de alcançar meus objetivos”, conta.
Ela também lembra da importância do professor Norberto Puertas, que a acompanhou nos primeiros passos no voleibol em Naviraí.
“No início da minha trajetória, tive a sorte de contar com o professor Norberto Puertas, que acreditou no meu potencial desde os primeiros passos e foi uma pessoa fundamental para o meu desenvolvimento no esporte”, afirma.
Em Caarapó, a atleta destaca o trabalho da técnica Larissa Frenhan, que contribuiu para fortalecer sua confiança e ampliar suas responsabilidades dentro da equipe.
“Ela me ajudou a acreditar ainda mais em mim mesma e me mostrou que, mesmo diante de algumas limitações, sou capaz de contribuir e fazer a diferença dentro da equipe. Ao me confiar a responsabilidade de ser capitã, fortaleceu minha confiança e me ensinou que os limites existem para serem superados”, relata.
Nos momentos de derrota ou pressão, Silvia busca motivação nas razões que a fizeram permanecer no esporte durante tantos anos.
“Lembro do motivo pelo qual comecei a jogar vôlei e de tudo que já conquistei com esforço e dedicação. Entendo que as derrotas fazem parte do processo e que cada dificuldade traz um aprendizado. Uso esses momentos como combustível para treinar mais, corrigir erros e voltar ainda mais forte”, afirma.
Para os jovens que sonham em seguir carreira esportiva, ela deixa uma mensagem baseada na própria experiência.
“Nunca desistam dos seus objetivos. O caminho exige dedicação, disciplina, paciência e muito trabalho, mas cada esforço vale a pena. Aproveitem cada treino como uma oportunidade de aprender, respeitem seus companheiros e treinadores e acreditem no próprio potencial”, aconselha.
Com novos objetivos pela frente, Silvia pretende continuar evoluindo tecnicamente e contribuindo para o crescimento de suas equipes e do voleibol sul-mato-grossense.
“Quero seguir aprendendo, superando meus limites e aproveitando cada oportunidade que o esporte me proporcionar. Podem esperar de mim uma pessoa dedicada, determinada e apaixonada pelo que faz, buscando crescer a cada treino e entregando o melhor de si dentro das quadras. O esporte faz parte da minha vida”, conclui.