Quinta-feira, 23 de abril de 2026, 23:40

“Ensinar é retribuir”: o jiu-jitsu como ferramenta de transformação

da redação - 23 de abr de 2026 às 16:18 32 Views 0 Comentários
“Ensinar é retribuir”: o jiu-jitsu como ferramenta de transformação Da Redação

“O jiu-jitsu vai muito além da luta — ele forma caráter.” A afirmação do professor Diego da Costa Jerônimo, conhecido como Sensei Diego Maguila, resume a forma como ele enxerga a modalidade que passou a fazer parte de sua vida ainda como prática pessoal e, posteriormente, como profissão.

 

Nascido em 7 de dezembro de 1984, no Rio de Janeiro (RJ), Diego relata que o primeiro contato com o jiu-jitsu teve como base a busca por disciplina e defesa pessoal. Com o tempo, porém, a relação com o esporte ganhou novos significados. “Ele mudou minha forma de pensar, agir e encarar os desafios”, afirma.

 

A decisão de seguir como professor surgiu de forma natural, a partir da própria vivência dentro do tatame. “Com o tempo, percebi que ensinar era uma forma de retribuir tudo que o esporte fez por mim. Ser professor é poder transformar vidas, assim como a minha foi transformada”, diz.

 

No dia a dia das aulas, Diego afirma que adota uma metodologia baseada em princípios que vão além da técnica. “Minha filosofia é baseada em respeito, disciplina e evolução constante. Acredito que cada aluno tem seu tempo e seu caminho, então procuro ensinar de forma clara, prática e adaptada à realidade de cada um, sempre valorizando o esforço e não só o resultado”, explica.

 

Essa abordagem também se reflete nos valores que busca transmitir aos alunos. Segundo ele, o aprendizado no jiu-jitsu não se limita aos golpes e posições. “Respeito, humildade, disciplina, resiliência e companheirismo. O jiu-jitsu vai muito além da luta — ele forma caráter. Meu objetivo é que meus alunos levem esses valores para dentro e fora do tatame”, afirma.

 

Atuando em Mato Grosso do Sul, o professor acompanha o desenvolvimento da modalidade na região. Para ele, o cenário atual mostra avanços em diferentes aspectos. “O crescimento tem sido muito positivo. Hoje vemos mais academias, mais competições e um nível técnico cada vez mais alto. O estado vem se destacando e revelando atletas de qualidade, mostrando que o jiu-jitsu está cada vez mais forte na região”, avalia.

 

Apesar disso, ele aponta desafios estruturais e profissionais. “Um dos principais desafios é a valorização do trabalho do professor e a estrutura para desenvolvimento dos atletas. Além disso, manter os alunos motivados e constantes também exige dedicação, principalmente em cidades menores”, afirma.

 

Ao longo da trajetória, Diego destaca que o contato com os alunos é uma das principais motivações para continuar no ensino. Ele relata que já acompanhou diferentes histórias de transformação. “Alunos que chegaram sem confiança, enfrentando dificuldades pessoais, e, através do jiu-jitsu, conseguiram mudar suas vidas. Ver essa evolução, tanto dentro quanto fora do tatame, é algo que não tem preço e me motiva todos os dias”, diz.

 

A adaptação do ensino para diferentes públicos também faz parte da rotina do professor. Segundo ele, cada perfil exige uma abordagem específica. “Com crianças, foco mais na disciplina, coordenação e valores. Com adultos, trabalho técnica e condicionamento, respeitando os limites de cada um. Já com competidores, o treino é mais intenso, estratégico e voltado para performance”, explica.

 

Para Diego, o impacto do jiu-jitsu na formação dos praticantes é amplo e vai além do ambiente esportivo. “O jiu-jitsu ajuda a formar pessoas mais disciplinadas, confiantes e respeitosas. Ele ensina a lidar com pressão, derrota e superação. Socialmente, também aproxima pessoas e cria um ambiente de amizade e respeito mútuo”, afirma.

 

Ao analisar o futuro da modalidade, ele projeta continuidade no crescimento, tanto no Brasil quanto na região Centro-Oeste. “Vejo um futuro muito promissor. O jiu-jitsu brasileiro é referência mundial, e a tendência é crescer ainda mais, tanto como esporte quanto como ferramenta social. Na região, acredito que veremos cada vez mais atletas se destacando em nível nacional e internacional”, diz.

 

Para quem ainda não iniciou na modalidade, o professor defende que o primeiro passo é começar, independentemente das condições físicas iniciais. “Não espere estar preparado ou ‘no shape ideal’. O jiu-jitsu é para todos. Tenha paciência, seja constante e respeite o processo. Com o tempo, você vai perceber que a maior evolução não é só física, mas também mental”, conclui.

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