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Ensinando no quadro e no tatame, Fabrício Aguero transforma vidas em Ponta Porã

da redação - 22 de jul de 2025 às 15:44 148 Views 0 Comentários
Ensinando no quadro e no tatame, Fabrício Aguero transforma vidas em Ponta Porã Da Redação

A trajetória de Fabrício Aguero no jiu-jitsu começou por insistência de seus próprios alunos. Na época, ele era professor de Química em uma escola particular de Ponta Porã, e observava, curioso, as aulas da recém-criada academia Arte da Defesa, dentro da própria instituição. O convite constante dos estudantes para participar de uma aula experimental finalmente surtiu efeito nas férias escolares. E foi ali, dentro do tatame, que tudo começou a mudar.

 

“Desde a primeira aula me apaixonei pela metodologia, pelos ensinamentos, pela doutrina e pelo respeito que víamos ali naquele tatame”, conta Fabrício. O que começou como curiosidade logo se tornou um novo propósito de vida. Anos depois, ele assumiria a liderança da mesma escola, agora rebatizada como Defensores da Arte. “Iniciei sendo professor de química e hoje sou professor/instrutor da escola. Vejo que o principal fator para a motivação de ficar está exatamente no meu estilo de vida.”

 

Hoje, a rotina na academia é intensa. São turmas divididas entre infantil, juvenil e adulto, com treinos realizados de segunda a sábado. Além do jiu-jitsu esportivo, os alunos também recebem aulas de defesa pessoal. O trabalho vai além da técnica. “A parte técnica forma o atleta, mas a filosofia forma o caráter”, afirma. Para ele, a missão é formar cidadãos de bem, algo que vai muito além de conquistas em campeonatos. “Sempre digo a eles que terei muito feliz de vê-los defendendo nossa bandeira, mas que ficarei muito mais orgulhoso sabendo que eles são bons filhos, bons pais, bons amigos.”

 

No início da trajetória como atleta, os desafios foram muitos. Lesões, dúvidas e a conciliação com a vida pessoal quase o fizeram desistir. “Sempre há um momento em que colocamos na balança e queremos desistir”, relembra. Mas a paixão falou mais alto. “Desistir já não era mais uma possibilidade.”

 

Em 2021, Fabrício assumiu a liderança da escola. “Mudei do quadro negro para o tatame”, explica, em referência à sua transição da sala de aula para a academia. Ainda assim, ele vê semelhanças entre as duas funções. “Os desafios são sempre os mesmos. Para mim, talvez essa seja a melhor forma de evoluirmos como pessoas: enfrentar os desafios de cabeça erguida e melhorar sempre o ambiente.”

 

A academia se tornou uma extensão da sua própria casa. “Estar com a família dentro do tatame e fazer daqueles que o acompanham ser seus irmãos de sangue e filhos que guardo no coração me motiva todos os dias”, diz. Fabrício vê em cada aluno uma oportunidade de transformação — não apenas individual, mas também social. “Já tivemos aquele aluno que não olhava para frente e hoje tem postura para enfrentar os desafios, já tivemos aquele que não obedecia regras dentro de casa e hoje são os braços direitos de sua família.”

 

Com a vivência acumulada ao longo dos anos, Fabrício avalia positivamente o crescimento do jiu-jitsu na região de fronteira e no interior do estado. “Nosso estado vem sendo referência para outros estados. O crescimento se deve principalmente pela competência que esses professores mostram”, afirma. Ele reconhece que ainda está começando perto de tantos mestres já consolidados, mas acredita no potencial da modalidade como ferramenta de transformação social. “Nosso esporte une e transforma todos os ambientes da nossa vida.”

 

As competições também fazem parte da rotina da equipe, embora não sejam o foco central. “Começamos a competir em 2022. Gosto muito que nossos alunos participem, mas não pela medalha e sim para aprender a lidar com o ambiente de pressão.” A preparação, segundo ele, deve ser constante. “Um bom atleta tem que estar sempre pronto.”

 

O apoio da comunidade local tem sido essencial para o crescimento do projeto. “Desde o início, tivemos um ótimo apoio da população, principalmente dos pais que acompanham nosso trabalho e que também fazem parte da nossa família.” Ele destaca ainda a importância de ter um representante do jiu-jitsu no legislativo municipal como um avanço. “Talvez uma melhora no apoio de atletas de jiu-jitsu e outras modalidades venha a ocorrer.”

 

Para o futuro, Fabrício tem metas tanto como atleta quanto como professor. “Logo estarei de volta às competições, agora com os gigantes”, afirma, sem esconder a motivação. Apesar das limitações físicas trazidas pelas antigas lesões, ele quer continuar competindo. No papel de professor, seus planos são ainda mais amplos. “Temos como meta sempre o crescimento da nossa academia, abrir novas turmas, abrir novos locais, abrir algumas franquias para podermos difundir cada vez mais aquilo que acreditamos e levamos nos corações.”

 

Mesmo com a mudança de ambiente — do laboratório de química para o tatame —, Fabrício não perdeu sua essência. “Peço a Deus que sempre me dê forças para me manter anos e anos nessa que é a melhor profissão do mundo. A docência está no meu sangue. É o que eu sou. Sou professor.”

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