Da Redação
“Ela juntava latinhas e vendia gelo pra eu conseguir participar das competições e treinos.” A lembrança da avó Maria Dalva é a base da história de Guilherme da Fonseca Duran, de 21 anos, que encontrou no voleibol mais do que um esporte — encontrou um caminho de vida. Natural de Campo Grande (MS), ele começou a jogar ainda criança, em uma escola pública, e desde então o esporte se tornou parte essencial da sua trajetória.
Tudo começou na Escola Municipal Carlos Vilhalva Cristaldo, onde Guilherme teve o primeiro contato com o voleibol. Foi ali que o interesse virou paixão e que vieram as primeiras conquistas. “Foi na escola que descobri meu amor pelo vôlei. Ali conquistei meus primeiros títulos, como campeão do JERES e do Metropolitano”, relembra.
A infância e a adolescência não foram fáceis. Guilherme conta que a família enfrentava dificuldades financeiras, mas a avó sempre esteve ao lado dele, incentivando e fazendo o possível para que ele continuasse jogando. “A vida não era fácil e a gente não tinha muitas condições financeiras, mas nunca deixei isso me desanimar. Minha maior inspiração, que não está mais comigo, sempre foi minha vó Maria Dalva. Ela acreditava em mim, fazia o que podia. Sem ela, eu não teria chegado até aqui.”
O apoio e o esforço da avó se transformaram em combustível para Guilherme seguir adiante. Ele diz que cada treino e cada competição tinham um propósito maior. “Tudo que eu fazia era por ela também. Quando eu cansava, lembrava do que ela fazia pra eu poder treinar. Isso me dava força pra continuar.”
A trajetória do jovem ganhou um novo rumo em 2020, durante a pandemia, quando ele conheceu o voleibol de praia. O novo ambiente trouxe desafios, mas também grandes aprendizados. “Na pandemia conheci o voleibol de praia e isso me ajudou muito a me desenvolver melhor nos deslocamentos na quadra, a ficar mais ágil e resistente”, explica.
Durante cinco anos, Guilherme treinou no CT Bel e Lilian, um espaço voltado ao desenvolvimento de atletas de vôlei de praia. “Foram cinco anos de treino no CT Bel e Lilian, muito suor e dedicação pra evoluir a cada dia.” O trabalho intenso logo começou a render frutos, com conquistas em diferentes competições.
“Com o tempo, os resultados começaram a aparecer. Fui campeão na areia e na quadra nos Jogos Regionais, tricampeão estadual de areia, bicampeão da Copa Paulista e campeão da Copa Pantanal, além de outros títulos fora do estado”, relata. Para ele, cada título conquistado vai muito além do pódio. “Cada medalha representa esforço e sacrifício. Nenhuma veio fácil.”
Mesmo com as conquistas, o caminho teve pausas e recomeços. Guilherme recorda que ficou um período afastado das quadras, mas nunca pensou em desistir. “Mesmo nos momentos difíceis, como quando fiquei um ano sem jogar, nunca desisti.”
O retorno ao esporte veio com uma nova oportunidade, que mais uma vez mostrou a ele o poder da persistência. “Recebi um convite de Votuporanga pra jogar os Jogos Regionais e lá, no dia 8 de julho de 2025, fui campeão novamente, na areia e na quadra”, conta. “Essa vitória mostrou que, quando a gente acredita e se dedica, tudo é possível.”
O atleta afirma que o voleibol foi responsável por moldar não só seu corpo, mas também sua maneira de enxergar o mundo. “O esporte me ensinou a lutar, a não desistir e a acreditar no meu potencial. Acreditar em si mesmo é o primeiro passo pra qualquer vitória.”
Hoje, Guilherme segue treinando e competindo, sempre lembrando das lições da avó e da importância da família em sua trajetória. “Sigo firme, motivado pela minha família, pela memória da minha vó Maria Dalva e pelo amor que tenho pelo voleibol.”
A história do jovem atleta é também um retrato de tantos outros que encontram no esporte uma forma de superar dificuldades e sonhar com um futuro melhor. “Se cheguei até aqui, foi porque nunca deixei de sonhar e porque uma avó incrível sempre acreditou no meu potencial.”
Entre a lembrança da avó e o presente cheio de desafios, Guilherme resume sua caminhada com simplicidade e convicção: “O voleibol é parte da minha vida. Foi ele que me ensinou que o esforço vale a pena e que acreditar é o primeiro passo pra vencer.”
Com um currículo já marcado por títulos e superação, Guilherme Duran carrega na memória o exemplo de Maria Dalva e o desejo de inspirar outros jovens que vivem realidades parecidas com a que ele enfrentou. “Nem sempre é fácil, mas quando a gente tem um motivo pra lutar, tudo fica possível. O meu sempre foi o sonho que a minha vó teve pra mim.”
A história de Guilherme é sobre amor, persistência e gratidão. Um relato que começa na quadra de uma escola pública e segue sendo escrito a cada treino, a cada jogo e a cada lembrança da mulher que acreditou no seu talento antes mesmo que ele próprio acreditasse. “Tudo o que eu sou hoje, devo a ela e ao voleibol.”