Da Redação
“Só não vence quem desiste.” A frase dita por Naila Victória Barbosa Vilela, de 17 anos, resume a maneira como a jovem jogadora de futsal de Mato Grosso do Sul encara sua caminhada no esporte. Natural de Campo Grande, nascida em 06 de agosto de 2008, ela hoje mora em Rochedo e carrega no currículo experiências em equipes importantes do estado, títulos conquistados e sonhos de chegar ao nível profissional.
O interesse pelo futsal começou cedo. “Desde pequena eu sempre fui apaixonada pelo futsal”, lembra. A entrada definitiva no esporte veio aos 7 anos, quando um amigo de infância a chamou para treinar na escolinha da cidade. No início, a rotina era com os meninos. “Comecei a treinar com os meninos e foi-se passando os anos até que eu pudesse treinar com as meninas mais velhas”, recorda. Com a evolução, os treinos se intensificaram. “Depois disso comecei a treinar no período da tarde e à noite”, conta.
O desenvolvimento abriu portas. Naila passou a integrar o DEC Futsal, uma das principais equipes de base do estado. A oportunidade trouxe também mudanças significativas em sua vida pessoal. “Vieram as dificuldades de mudar de cidade, escola, ficar longe das pessoas que eu tanto amo”, afirma. Apesar dos desafios, ela reconhece o impacto positivo do momento vivido pelo esporte feminino. “Essa crescente do futsal feminino tem aberto tantas portas e visibilidade, oportunidades para as meninas.”
Dois episódios se destacam como marcos em sua trajetória até agora. “Não posso pontuar só um momento, mas sim dois. Um deles foi entrar para o DEC e o outro foi jogar os Jogos Escolares – JOJUMS”, afirma. A participação na competição escolar ampliou a visibilidade e gerou novas oportunidades.
As referências no esporte também foram mudando ao longo do tempo. “No início foi a Marta, mas hoje em dia não tem como eu falar só uma pessoa. Por exemplo, Falcão, as meninas do Taboão e Stein”, explica. Entre as inspirações mais próximas, Naila destaca o nome de Duda Senna. “Foi uma inspiração no jogo e na raça, e além de tudo tive o prazer em dividir as quadras juntas.”
A rotina atual é dividida entre treinos físicos e técnicos. “As minhas rotinas de treino são academia de manhã e treino com bola à tarde, e além disso os jogos no fim de semana”, descreve. O esforço já trouxe conquistas expressivas. Ela defendeu o Operário e foi campeã estadual sub-17 em 2024.
Mesmo com vitórias e crescimento no esporte, Naila não esconde os obstáculos que ainda existem. “Ainda enfrentamos muitos preconceitos”, aponta. Para as meninas que desejam trilhar o mesmo caminho, o conselho vem da própria experiência. “Eu diria para não se importarem tanto com o que os outros dizem. Sempre temos alguém que nos apoia e acredita na gente, seja pai, mãe ou outra pessoa. E caso não tenha, olhe para trás, veja onde já chegou e pense no quão longe ainda pode ir. Levante a cabeça e continue dando seu melhor. Só não vence quem desiste.”
O futuro, para ela, é claro. “Um dos meus maiores sonhos é me tornar jogadora profissional de futsal e ganhar muitos títulos.” Até lá, ela segue conciliando os treinos com a vida de estudante. Fora das quadras, a rotina é semelhante à de qualquer adolescente de 17 anos. “A Naila é uma estudante que no seu tempo livre gosta de ficar com os amigos, de vez em quando jogar uma pelada e maratonar séries.”