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Do tatame à sala de aula: João Atagiba concilia rotina intensa para seguir competindo

da redação - 18 de nov de 2025 às 14:56 182 Views 0 Comentrios
Do tatame à sala de aula: João Atagiba concilia rotina intensa para seguir competindo Da Redação

A frase que João Marcelo Atagiba Pinheiro mais ouviu do pai ao longo da vida virou também o eixo da sua trajetória no esporte: “o jiu-jítsu é uma faculdade, e quando você atinge a faixa-preta, você ganha seu diploma”. Aos 21 anos, o atleta sul-mato-grossense segue levando essa orientação ao pé da letra — tanto que hoje divide a rotina entre os treinos, as competições e a faculdade, tentando equilibrar duas formações que caminham lado a lado em sua vida.

 

Natural de Mato Grosso do Sul, João começou no jiu-jítsu muito cedo. “Entrei no jiu-jítsu por volta dos meus 6 anos de idade. Sempre gostei de participar de competições, e os meus pais e meu antigo mestre sempre me motivaram a isso”, relembra. A afinidade com a luta não demorou a aparecer, e a primeira experiência nos tatames como competidor marcou definitivamente seu caminho. “Minha primeira competição foi em Corumbá. Tinha eu e mais duas pessoas na categoria. Consegui sair campeão e, desde aquele dia, nunca mais parei de competir.”

 

A partir dali, o esporte ganhou força na casa da família Atagiba. João cresceu treinando, viajando e enfrentando os desafios típicos de quem tenta se firmar como atleta no Brasil. No início, conciliar escola e treinos era o principal obstáculo. “O mais difícil foi conciliar os estudos com os treinos. A dificuldade de patrocínios também era enorme”, conta. O cenário mudou, mas não totalmente: agora, a luta diária é harmonizar a rotina universitária com a preparação física e técnica. “Hoje em dia tenho também a dificuldade de conciliar a faculdade com os treinos, mas consigo me adaptar melhor.”

 

Essa adaptação exige disciplina. João treina diariamente, seguindo preparação física na academia, sessões constantes no tatame e uma dieta rígida. Ele admite que a organização é fundamental para continuar evoluindo e competindo em alto nível. O esforço resultou em conquistas expressivas, que colocaram o atleta entre os nomes em ascensão no jiu-jítsu do estado. “As conquistas mais marcantes pra mim foram o Brasileiro da CBJJD, o Mundial da ISBJJA e o Campeonato Europeu da ISBJJA, que aconteceu em Coimbra, em Portugal.”

 

Para ele, o jiu-jítsu extrapola a dimensão esportiva. “É minha vida. Comecei desde novo, foi algo que mudou minha vida, me abriu e abre portas até hoje”, afirma. As oportunidades que o esporte lhe deu — viagens, competições e experiências que não teria de outra forma — ajudam a reforçar o sentimento de pertencimento e compromisso com a modalidade.

 

No tatame, as referências são muitas: “Mica Galvão, André Galvão, Buchecha e o finado Leandro Lo”. Fora dele, são os pais que ocupam o centro da inspiração. “Pelo esforço e determinação que eles têm”, resume o atleta, que costuma dividir com a família cada etapa da construção da carreira.

 

João observa com otimismo o crescimento do jiu-jítsu em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o estado vive um momento de desenvolvimento. “Tem vários talentos. Creio que o jiu-jítsu daqui vem se desenvolvendo e se expandindo cada vez mais.”

 

Para o fim de 2025, o atleta já tem metas definidas: lutar a última competição do ano, novamente em Corumbá, no dia 13 de dezembro. Em 2026, projeta um dos principais desafios da carreira: disputar o World Pro em Abu Dhabi, considerado um dos campeonatos mais prestigiados do mundo.

 

Aos mais jovens, João deixa um conselho que também serve como síntese de sua própria trajetória. “Não desista. A caminhada é longa e cansativa, mas, como meu pai sempre me disse, o jiu-jítsu é uma faculdade. Quando você atinge a faixa-preta, ganha seu diploma. Jiu-jítsu muda vidas. Eu sou a prova viva disso.”

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