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Do sonho coletivo à continuidade: a história do Dourados Raptors no beisebol sul-mato-grossense

da redação - 3 de set de 2025 às 14:18 166 Views 0 Comentários
Do sonho coletivo à continuidade: a história do Dourados Raptors no beisebol sul-mato-grossense Da Redação

“Os planos para o futuro serão passar o bastão do time para a próxima geração, e assim sucessivamente, para que o Raptors que foi criado com muito carinho e trabalho, nunca morra.” A frase de Alex Isao Suzuki resume a essência do Dourados Raptors, time amador de beisebol fundado em Dourados, em 2017, para ampliar as oportunidades dentro da modalidade na região.

 

O beisebol tem raízes antigas em Mato Grosso do Sul, sobretudo em cidades com forte presença da comunidade nipo-brasileira. Em Dourados, a prática é marcada por projetos em escolas públicas e intercâmbios com professores vindos do Japão. Esse cenário favoreceu a formação de atletas desde a infância, mas até alguns anos atrás havia poucas opções para quem buscava espaço entre os adultos.

 

Foi diante dessa realidade que Alex, junto de Rafael Kohari, Fabrício Tonossu e Keiiti Nasu, decidiu iniciar o Raptors. Outros nomes, como Álvaro Kawassoko, Rogério Nishi e Dhiego Nozu, também fizeram parte do primeiro grupo. “A ideia surgiu em uma conversa com alguns atletas, para formar mais um time da cidade de Dourados, pois no momento havia somente um time, misturando veteranos e atletas mais novos. O Raptors foi formado com intuito de dar mais oportunidade aos atletas novos.”

 

Desde o início, os fundadores precisaram lidar com os desafios de manter um time amador. “A dificuldade foi a organização e, com certeza, a parte financeira. Por ser um esporte amador, precisávamos fazer promoções para arrecadar verba e custear material, viagens a campeonatos regionais, inscrições e etc.”

 

Sem patrocínios fixos, a equipe se organizou coletivamente. Hoje, Alex atua como técnico, organizador e, quando necessário, jogador. Mas ele não encara essa multiplicidade de funções como sobrecarga. “Como é um esporte coletivo, todos se ajudam. Fazemos isso por amor ao esporte, que desde a base (5 anos de idade) praticamos... sempre temos apoio e retaguarda dos próprios atletas também.”

 

Em Dourados, o beisebol se fortalece com ações ligadas ao Clube Nipônico, que mantém um projeto social em escolas públicas. A presença de um professor japonês, enviado por meio de intercâmbio, reforça a formação de crianças e jovens. “Temos um sensei (professor) vindo do Japão, como uma espécie de intercâmbio, então a base (crianças) vem muito forte.”

 

O trabalho de formação já apresenta resultados no cenário nacional. Alex lembra que outro time da cidade, o Fazenda Alvorada Dourados, conquistou recentemente o título do Campeonato Brasileiro de Beisebol Adulto, reconhecido pela Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS). Para ele, o feito mostra que Dourados se consolidou como referência da modalidade.

 

O Raptors participa regularmente dos campeonatos estaduais em Mato Grosso do Sul, realizados em cidades como Naviraí, Campo Grande e Vila Vargas. Alex explica que essa participação não é apenas esportiva, mas também uma forma de reciprocidade. “Pensamos que, como eles se deslocam até nosso campeonato em Dourados, temos a obrigação de retribuir e participar do campeonato deles.”

 

Entre as conquistas, ele destaca vitórias sobre o tradicional Fazenda Alvorada, tanto em Dourados quanto na capital. Esses momentos consolidaram o Raptors como um time competitivo e respeitado no estado.

 

A rotina de treinos é definida de acordo com o calendário. Aos sábados à tarde e domingos pela manhã, a equipe se reúne para as práticas. Em períodos de maior preparação, os treinos também ocorrem às terças e quintas-feiras à noite, em um espaço com iluminação adequada. “A motivação maior é o amor pelo esporte, que cada atleta tem.”

 

O elenco mescla jovens e jogadores mais experientes. “A maioria hoje são jovens atletas de 17 a 23 anos, mesclando com alguns mais experientes de 30+. Grande parte já teve a base no beisebol, começou desde criança e alguns mudaram para Dourados e já praticaram na sua cidade natal. Mas nada impede de alguém que nunca jogou e aprecia o beisebol fazer parte da nossa equipe.”

 

Na avaliação de Alex, o caminho para consolidar o beisebol em Mato Grosso do Sul passa por mais apoio externo. “O que falta são incentivos financeiros públicos e privados.” Segundo ele, os projetos sociais em andamento já demonstram o potencial do esporte para se firmar como alternativa de lazer e de formação de jovens. “Com toda certeza, inclusive os projetos sociais em escolas públicas estão aí para isso. E para amantes do beisebol, fica o convite para comparecer em um dos treinos ou campeonatos.”

 

O maior objetivo de Alex e dos demais fundadores não é apenas acumular títulos, mas garantir a continuidade do trabalho. “Os planos para o futuro serão passar o bastão do time para a próxima geração, e assim sucessivamente, para que o Raptors nunca morra. Sendo passado por geração e geração, assim ajudando crianças a se formarem como adultos, com os ensinamentos de caráter, respeito e disciplina.”

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