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Do morro aos cages: Alex Jr e a busca por espaço no esporte

da redação - 11 de nov de 2025 às 15:45 205 Views 0 Comentrios
Do morro aos cages: Alex Jr e a busca por espaço no esporte Da Redação

“Nascer pobre, preto, favelado, com mãe e pai pretos, morando no morro onde a criminalidade e o vício tomam conta.” É assim que Alex Alecrim de Souza Junior, o Alex Walker Jr, de Corumbá (MS), descreve o contexto em que cresceu. Desde cedo, o esporte apareceu como caminho possível e necessário. Ele lembra que começou no jiu-jitsu aos 9 anos e, no ano seguinte, teve o primeiro contato com o muay thai. “Foi paixão à primeira vista”, afirma.

 

A vontade de competir no MMA surgiu cedo. Em 2017, aos 14 anos, quase fez sua estreia. A luta não aconteceu, mas a expectativa ficou guardada. “Sempre tive essa vontade e sempre treinei pra quando chegasse a hora.” Essa preparação não era apenas física. Era também uma forma de resistência diante das circunstâncias. “Deus me deu esse dom. Já tentei fazer de tudo e sempre caí no esporte de combate.”

 

Alex cresceu em uma família humilde e comenta que existia uma ideia de que só o trabalho tradicional poderia definir o caráter e o futuro. Ele diz que isso o marcou: “Crescemos com a mentalidade de que só o serviço pode nos dar caráter e definir nosso futuro, e eu vim pra quebrar essa estatística.” Outro desafio constante é financeiro: “Os patrocínios são bem difíceis.”

 

A estreia no MMA aconteceu aos 17 anos, em um cenário improvável. No dia da pesagem, a luta caiu. O único adversário disponível tinha 29 anos e seis combates disputados. “Todos achavam que eu iria perder, até amigos e familiares, pela idade e pela experiência dele.” Alex resolveu aceitar. Venceu. “Ali começaram a me ver com outro olhar.”

 

A rotina de treinos é intensa e diária. “Todos os dias, até final de semana. Treino crossfit, academia de peso, muay thai, boxe, jiu-jitsu, MMA e kickboxing.” Sobre o que leva para dentro do cage, ele é direto: “Acredito que é preciso se divertir, mas com atenção e confiança que vai ganhar. Pra mim não tem outra alternativa. Vencer ou vencer. Pessoas dependem de mim.”

 

Alex treina sob orientação do mestre Magno Moraes. Diz que não é de estudar muito os adversários, preferindo observar lutas e campeonatos para buscar referências. Ele se identifica especialmente com um nome da nova geração do UFC: “O Carlos Prates, porque parecemos muito no jeito de lutar.”

 

A carreira também inclui obstáculos no caminho. “Quebrei meu dedo na semana da minha primeira luta no MMA, aquela contra o oponente de 29 anos. Também quebrei minha mão dando aula de personal, e fiquei um ano parado, mas voltei mais firme.” O retorno não foi simples. Sem confiança e sem preparação completa, fez a luta de reestreia e perdeu na decisão dividida. Ainda assim, considera esse momento marcante: “Consegui colocar meu jogo em prática.”

 

Os objetivos estão traçados. Alex quer disputar o ONE Championship no muay thai e, no MMA, alcançar o UFC e lutar pelo cinturão. “Eu acredito que nós temos sonhos quando somos crianças. Hoje tenho objetivos a alcançar. Sei que isso vai acontecer e vamos ter um representante de Mato Grosso do Sul lá.”

 

Por fim, deixa um recado que resume sua caminhada: “Mesmo que todos estejam contra, faça por você. O destino só o tempo revela. Siga em frente que uma hora Deus abençoa.”

 

A trajetória de Alex Walker Jr se constrói na persistência de quem encontrou no combate um meio de afirmar existência, identidade e futuro. Uma narrativa em movimento, guiada por disciplina, convicção e a certeza de que o caminho só termina quando o objetivo for alcançado.

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