Da Redação
“Dou graças a Deus que esse foi o caminho que Ele preparou para mim.” A frase resume a virada de vida de Rafael Nogueira Ricci, personal trainer e atleta de fisiculturismo de Mato Grosso do Sul. Aos 35 anos, ele divide sua rotina entre treinos, atendimentos e a vida ao lado do filho, que, segundo ele, foi o grande motivo para mudar de trajetória.
Ricci nasceu em 27 de fevereiro de 1990. Durante boa parte da juventude e início da vida adulta, levava uma rotina de festas, baladas, churrascos e bebidas. Foi apenas em 2020 que a atividade física passou a ser profissão. O nascimento do filho, em março daquele ano, foi o estopim para a retomada da faculdade de Educação Física, que estava trancada.
“No final de 2019, eu trabalhava com um amigo na conveniência Belga Beer. Decidi retomar a faculdade, pois meu filho iria nascer e eu precisava dar qualidade e estrutura para ele. Em janeiro de 2020 me formei e em março de 2020 meu filho nasceu”, relembra. Ele conta que, mesmo sem experiência prévia de atendimento, iniciou a carreira na equipe de personal trainers da academia Via Olímpica, em Campo Grande.
O passo seguinte foi mais radical: em 2023, abandonou de vez os excessos das festas e passou a viver a rotina de atleta. “Eu bebia demais, vivia para festar. Ao olhar para minha vida, já com meu filho, não podendo aproveitar os melhores momentos do crescimento dele, decidi mudar. No dia 1º de janeiro de 2023, eu decidi viver a experiência de um atleta de fisiculturismo, treinar, seguir dieta e viver como atleta. Tanto para melhorar meus atendimentos quanto para ter mais tempo de qualidade com meu filho.”
Essa mudança trouxe também os maiores desafios da nova vida. O principal, segundo ele, foi a adaptação alimentar. “Seguir um plano alimentar à risca, sem errar um grão de arroz, foi muito difícil. Eu precisei largar tudo que comia, da forma que comia, abdicar de festas de família, pois eram regadas a comidas gostosas. No começo não foi nada fácil. Mas com dedicação, em dois meses perdi 18 quilos.”
Hoje, Ricci mantém uma rotina estruturada de treinos e dieta, focada na preparação para competições. “Os treinos são muito melhores, com inteligência e efetividade. Minha rotina é focada na próxima competição, no final de dezembro. Meu plano alimentar segue restrito, com mais proteínas.”
O fisiculturismo exige constância, e Ricci ressalta que esse é o verdadeiro sacrifício do esporte. “É um esporte de quem erra menos. No momento em que você erra uma refeição, o outro atleta não errou. Ele está uma refeição à sua frente. E lá no palco, essa diferença é notada.”
Como personal trainer, ele também enfrenta expectativas dos alunos que buscam resultados rápidos. “Quem quer resultado rápido é igual paciente que vai ao médico já sabendo o que tomar. São aqueles que acham que sabem tudo, só não fazem. Procuro sempre mostrar a verdade: o resultado só vem através do esforço. Pouco esforço traz pouco resultado. Muito esforço traz muito resultado.”
Para Ricci, a atividade física une saúde e estética. “Se você treinar por saúde, a estética de um corpo proporcional e harmônico virá com o tempo”, explica.
Em 2023, seu trabalho recebeu reconhecimento público com uma homenagem da Câmara Municipal de Campo Grande no prêmio “Melhores do Esporte”. A conquista marcou sua trajetória recente, mas os planos seguem adiante. O próximo passo será a participação no Power Classic, marcado para dezembro deste ano.
Ele também não deixa de reforçar a importância de disciplina e dedicação a quem deseja iniciar no fisiculturismo. “Se dedique, viva o processo e extraia conhecimento e aprendizado. Tudo o que viver poderá ser utilizado na vida pessoal. Disciplina e dedicação são fundamentais.”
No futuro, além de subir aos palcos, Ricci espera consolidar sua carreira como personal trainer, sendo reconhecido por entregar resultados consistentes aos alunos. “Meu objetivo como profissional é ser reconhecido pelo trabalho e pelos resultados.”