Da Redação
“Comecei assistindo minha mãe no vôlei de quadra, mas não jogava. O início a jogar mesmo foi nos projetos de treinos na escola, com o vôlei de quadra, em 2014”, relata Gean Carlos Vezzu Costa Agostinho, profissional de educação física e atleta de vôlei de praia de Dourados, Mato Grosso do Sul. A trajetória dele no esporte começou de forma natural, acompanhando a rotina da mãe, mas só ganhou corpo quando Gean teve a oportunidade de participar de treinos estruturados na escola.
Em 2017, ao ingressar na faculdade, Gean encontrou sua primeira oportunidade de treinar e receber pelo esporte com o programa Bolsa Atleta da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). “Conciliava os treinos com a graduação”, lembra ele, mostrando como desde cedo precisou equilibrar a rotina acadêmica com a prática esportiva. Porém, em 2018, um acidente de moto interrompeu o percurso. “Sofri um acidente de moto e lesionei meu joelho, aí parei de jogar quadra”, recorda.
O ano seguinte marcou uma nova fase. Em 2019, Gean conheceu o vôlei de praia por meio de um grupo de Dourados que praticava a modalidade aos sábados, de forma recreativa. “Depois que formei, tive uma visão melhor do esporte e comecei a gostar e treinar de maneira mais específica para o vôlei de praia”, afirma. Paralelamente, passou a trabalhar na área de treinamentos, aprimorando seu conhecimento técnico e aplicando o aprendizado em seus próprios treinos.
Gean começou a disputar competições oficialmente apenas em 2022. “Começamos com poucos resultados bons, mas no ano passado conseguimos alguns bons resultados nas etapas, e este ano já estamos entre as quatro melhores duplas do estado”, conta. Apesar dos progressos, o atleta destaca os desafios enfrentados: “As maiores dificuldades são a falta de eventos na minha cidade, não dando visibilidade à modalidade e assim tendo mais dificuldades para conseguir patrocinadores”. Atualmente, ele conta com o apoio da Skill Performance, que oferece treinos gratuitos, e de uma empresa de energia solar, a M&M, mas ainda enfrenta limitações para competir em torneios nacionais.
A rotina de Gean é intensa. Como profissional da educação física e atleta, precisa conciliar trabalho, treinos técnicos e físicos. “O tempo para conciliar trabalho e treinos é uma dificuldade. Fico com a rotina corrida, muitas vezes fazendo uma boa parte dos treinos técnicos no horário de almoço, pois é o único horário disponível”, explica. Apesar disso, ele encontra motivação no impacto que pode ter sobre jovens e no desenvolvimento pessoal proporcionado pelo esporte. “A motivação é fazer com que os jovens tenham acesso a esse esporte e conseguir levar um pouco do que eu aprendi na quadra para eles e levar o valor do esporte e disciplina para a vida. Ser atleta é a paixão pelo esporte e a vontade de vencer”, afirma.
Gean também comenta sobre o cenário do vôlei de praia em Mato Grosso do Sul. “O vôlei de praia em nosso estado é muito forte, com vários atletas de altíssimo nível e vários ídolos que saíram daqui. Tivemos oportunidade de jogar contra e assistir na televisão. As etapas do estadual são de altíssimo nível, participam vários atletas do Bolsa Atleta e competem em âmbito nacional”, observa. Apesar disso, ele evidencia a falta de incentivo público: “Hoje não consigo abandonar a carreira de professor para viver exclusivamente do vôlei de praia por falta de incentivo do poder público. Até as viagens para os campeonatos aqui no estado, mesmo, temos que tirar do bolso. Não conseguimos nem transporte com a prefeitura ou demais órgãos”.
Entre as conquistas que marcaram sua trajetória, Gean destaca vitórias regionais, pódios no estadual e a oportunidade de competir em outros estados. “Vencer campeonatos na região, os pódios no estadual, além de participações em Mato Grosso e ganhar alguns campeonatos no Paraná. Ver que o esforço está dando resultados e um dos momentos marcantes foi jogar contra um atleta campeão mundial da modalidade, que eu era fã”, recorda.
A preparação física e técnica, segundo Gean, é essencial para alcançar bons resultados. “Como profissional da área, sabemos o quanto o processo e a preparação é importante. Quando você está bem fisicamente e tecnicamente, sua mente responde melhor à pressão dos campeonatos. Estamos conseguindo gerir bem, tendo uma rotina pesada de treinos, realizando três treinos técnicos com bola e dois dias de parte física na academia. Mas mesmo assim, a parte mental é fundamental. A pressão do jogo está lá para todos, mas vou conseguindo gerir a adrenalina e focar no que foi treinado”, explica.
Para os jovens que desejam seguir no vôlei de praia, Gean aconselha dedicação e equilíbrio: “Acreditem em si mesmos e saibam que nada vem sem esforço e trabalho. Foquem nos treinos e aproveitem cada momento que têm praticando a modalidade para melhorar. Não deixem os estudos de lado e deem a mesma importância para ele”.
O próximo passo para Gean é continuar evoluindo na carreira e ampliar sua presença em competições nacionais. “O objetivo é tentar jogar as etapas dos campeonatos nacionais, buscando apoiadores ou até tirando do bolso as viagens, e continuar com bons resultados dentro do estado”, afirma.