Da Redação
“Ser atleta é o ano todo, todos os dias.” A frase dita por Diego Amaral resume com precisão a rotina e o comprometimento de quem encontrou no fisiculturismo não apenas um esporte, mas um modo de vida. Aos 31 anos, nascido em 10 de maio de 1994, ele é hoje um dos nomes em ascensão da modalidade em Mato Grosso do Sul, dividindo o tempo entre os treinos e o trabalho como personal trainer.
Natural do interior do estado, Diego conta que o interesse pelo fisiculturismo surgiu ainda na adolescência, embora o acesso à informação e aos recursos fosse limitado. “Eu já admirava há muito tempo, desde adolescente, porém não tinha muita informação e acesso. Eu lutava jiu-jítsu e MMA na época, fazia faculdade em outra cidade, trabalhava o dia todo em uma padaria, treinava nos horários vagos que dava e ainda ia todos os dias para a faculdade, que ficava duas horas da minha cidade.”
A dedicação ao fisiculturismo começou a se intensificar em 2022, quando decidiu competir pela primeira vez. “Competi em Bonito, conseguindo o terceiro lugar. Depois, em Dourados, em 2023, peguei segundo lugar e logo em seguida, novamente em Dourados, outro segundo lugar.” Nesse período, ele já trabalhava como personal trainer e havia deixado o MMA de lado. “Pela correria e outros objetivos, já tinha parado com o MMA. Aí me dediquei ao fisiculturismo.”
O foco deu resultado. “Voltei este ano participando de outra federação, a NPC, em Campo Grande, pegando segundo lugar em uma nova categoria, muito disputada. Logo em seguida, fui para Votuporanga (SP), onde participei de quatro categorias, pegando um top 2, dois top 3 e um top 5.”
O início da caminhada, no entanto, não foi simples. “Como sendo o primeiro da minha cidade, a maior dificuldade era ter que buscar conhecimento em outras cidades e por conta própria. E também todo o processo era novo pra mim.”
A rotina de Diego é marcada por planejamento e disciplina. Ele acorda antes do amanhecer para dar conta das obrigações de atleta e treinador. “Tudo é cronometrado. Acordo às quatro da manhã e já faço um cardio de 40 a 60 minutos. Durante o cardio, dou uma olhada no cronograma do meu dia e mentalizo tudo o que posso fazer. Final de semana, principalmente no domingo, sempre almoço com a família.”
Durante o período de preparação para as competições, o ritmo se intensifica. “Treino musculação seis vezes por semana, de uma hora a uma hora e meia, e o cardio varia, mas chega a ser três horas por dia na fase final. A dieta tem cinco refeições por dia em finalização e seis em off.”
Entre as competições das quais participou, uma das mais marcantes foi a realizada em Campo Grande. “A penúltima que fui, em Campo Grande, foi especial, porque estreei em uma categoria que sempre tive vontade e peguei o top 2 logo na estreia. Além disso, era um evento grande e bem organizado, com muitos atletas do Brasil.”
Mesmo com a rotina intensa, Diego afirma que o maior obstáculo não está nas dores ou nas restrições alimentares, mas no foco constante. “Lesões nem tanto, dor em articulações sempre tem por ser treino muito pesado, mas nada sério. O maior obstáculo é conseguir manter o foco como atleta direto. Acho que isso é complicado, porque ser atleta é o ano todo, todos os dias.”
O objetivo agora é continuar evoluindo. “Quero ganhar um Overall e chegar a um nível competitivo para o Olympia Amador em São Paulo.”
Para ele, o fisiculturismo vai além do físico. “Muita gente começa no esporte buscando apenas um corpo melhor, mas com o tempo percebe que o verdadeiro ganho vai muito além disso. A disciplina que o treino ensina transforma a forma como você encara a vida. Você aprende a ter paciência com o processo, a respeitar seu corpo e a entender que o resultado não vem da noite pro dia.”
Diego acredita que o esporte é um professor silencioso. “Ele mostra que saúde é consequência da constância, que disciplina é o que te faz continuar quando a motivação falha, e que cada dia de esforço é um passo na direção de uma versão melhor de si mesmo.”
Com o crescimento do fisiculturismo em Mato Grosso do Sul, ele vê um futuro promissor para o esporte. “Estamos tendo muitos atletas de alto nível competindo, inclusive de cidades pequenas. Acredito que o MS terá muito mais atletas futuramente e de peso no fisiculturismo brasileiro.”
Ao final da conversa, o atleta deixa um conselho para quem deseja trilhar o mesmo caminho. “Que a pessoa já tenha em mente que todo o processo será difícil. Só vá se for fazer 100%, para não se arrepender depois, e tenha pessoas do lado para ajudar.”