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“Devolvemos dignidade ao atletismo”, afirma Egídio Nascimento ao relembrar gestão no Estado

da Redação - 9 de set de 2026 às 15:48 40 Views 0 Comentrios
“Devolvemos dignidade ao atletismo”, afirma Egídio Nascimento ao relembrar gestão no Estado Da Redação

A trajetória de Egídio Nascimento no atletismo de Mato Grosso do Sul começou a partir de uma experiência pessoal com o esporte. Ex-jogador de futebol, ele conta que passou a praticar corridas de rua depois de deixar os campos e ganhar peso. O que começou como uma tentativa de mudar a rotina acabou se transformando em uma trajetória competitiva e, posteriormente, em atuação na gestão da modalidade no Estado.

 

“Fui jogador de futebol e parei de jogar e ganhei muito peso, chegando próximo de três dígitos na balança, ainda com 30 anos. Foi quando comecei a correr e tomei gosto pelas corridas de rua”, relata.

 

Segundo Egídio, o perfil competitivo fez com que ele buscasse aprofundamento na modalidade. Os resultados começaram a aparecer em pouco tempo. Entre as competições disputadas, ele cita a participação nos 15 quilômetros de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, onde terminou na 11ª colocação, além de dois títulos na Corrida da ACP, em Campo Grande.

 

“Por ser competitivo, me aprofundei, alcançando bons resultados rápido, ficando em décimo primeiro nos 15 km, no Rio de Janeiro, na cidade de Rio das Ostras, bicampeão na Corrida da ACP, em Campo Grande, fui vice-campeão na Maratona de Porto Alegre, campeão nos Jogos Abertos, campeão da Corrida do Faixo e algumas outras provas pelo Estado”, afirma.

 

A relação com o atletismo, porém, ganhou outro significado quando sua filha começou a praticar a modalidade ainda criança. A partir daquele momento, Egídio decidiu ampliar sua participação no esporte e passou a atuar também na organização e na gestão da modalidade.

 

“Mas quando minha filha entrou no atletismo, ainda uma criança, eu decidi fazer algo mais pelo atletismo. Foi então que buscamos a presidência da Federação de Atletismo do Estado, tirando um grupo que estava há mais de 39 anos na cadeira”, conta.

 

À frente da federação, Egídio afirma que passou a percorrer diferentes regiões de Mato Grosso do Sul em busca de ampliar a atuação da modalidade e acompanhar não apenas a trajetória da filha, mas também a de outros atletas.

 

“Aí, sim, pude correr o Estado, fazendo o atletismo mudar de nível, cuidando não só da minha filha, mas de um todo grupo de atletas. Devolvemos dignidade, batalhando por políticas públicas que nos ajudassem na modalidade”, afirma.

 

Entre as estruturas esportivas que acompanhou durante sua atuação, ele cita a inauguração da pista do Ayrton Senna, em Campo Grande, e o trabalho relacionado à pista de Chapadão do Sul. Também destaca o acompanhamento das delegações de Mato Grosso do Sul em competições nacionais realizadas em diferentes estados brasileiros.

 

“Tive o privilégio de inaugurar a pista do Ayrton Senna e ajudar na pista de Chapadão, uma das melhores do Brasil, acompanhar a delegação do Estado em diversos campeonatos brasileiros pelo Brasil”, relata.

 

Atualmente, Egídio atua na DGPFE (Diretoria de Gestão de Políticas de Formação Esportiva) e acompanha atividades relacionadas aos Jogos Escolares, competições da melhor idade e a participação de atletas sul-mato-grossenses em eventos nacionais.

 

“Hoje estou na DGPFE, onde realizamos Jogos Escolares, Melhor Idade e, após, acompanho nos nacionais os campeões”, explica.

 

Para Egídio, as políticas públicas e os investimentos realizados ao longo dos últimos anos contribuíram para que atletas do Estado pudessem permanecer em Mato Grosso do Sul sem precisar buscar outras unidades da federação para encontrar melhores condições de treinamento e competição.

 

“O avanço no atletismo aconteceu pelo comando do professor Marcelo Miranda, que tirou os Jogos do chão das escolas, colocando em hotel, levando os atletas de avião para as grandes competições, pagando Bolsa-Atleta e técnico, para que os atletas permaneçam aqui no Estado e não precisem sair para buscar melhores condições”, avalia.

 

Ele também aponta a construção de pistas de borracha como um dos fatores que contribuíram para a evolução da modalidade no Estado.

 

“Construindo pista de borracha no Estado, dando um nível maior para nossas competições”, acrescenta.

 

Na avaliação do professor, o resultado desse processo pode ser observado na presença de atletas sul-mato-grossenses em diferentes níveis de competição.

 

“Hoje o atletismo do Estado está entre os melhores do Brasil e sul-americano. Temos campeões em todas as categorias, graças aos investimentos feitos pelos nossos governantes. Nossos atletas não precisam mudar para outros estados, como acontecia antes”, afirma.

 

Segundo ele, atualmente Mato Grosso do Sul possui atletas com resultados em competições brasileiras, sul-americanas e universitárias.

 

“Assim aparecem campeões brasileiros, sul-americanos, universitários”, diz.

 

Egídio também destaca atletas que acompanhou desde os primeiros passos e que chegaram ao cenário nacional e internacional. Entre os nomes citados está o atleta paralímpico Yeltsin Jacques.

 

“Olha, como estive à frente da federação, tenho muitos atletas que acompanho desde o início e hoje estão no cenário nacional e mundial. Posso citar o próprio paralímpico Yeltsin”, afirma.

 

A própria trajetória esportiva da filha é apontada por Egídio como um exemplo de continuidade no atletismo. Segundo ele, ela participou da Maratoninha Caixa durante seis anos consecutivos, dos 6 aos 12 anos, e conquistou o título em todas as participações.

 

“Minha filha foi seis vezes campeã da Maratoninha Caixa, dos 6 aos 12 anos, ganhando seis bicicletas seguidas”, conta.

 

Ainda de acordo com ele, a atleta participou dos Jogos da Juventude entre os 12 e os 17 anos, com exceção do período da pandemia, e conquistou títulos em competições escolares e universitárias.

 

“Foi em todos os Jogos da Juventude, dos 12 aos 17 anos, menos no ano da pandemia, campeã dos Jogos do Instituto Federal, estadual e nacional. E agora campeã universitária nos dois Jogos nacionais e etc.”, relata.

 

Apesar dos avanços apontados na estrutura e nos resultados, Egídio também identifica dificuldades que ainda precisam ser enfrentadas no atletismo sul-mato-grossense. Nas corridas de rua, ele chama atenção para o crescimento do número de provas e para a necessidade de maior organização.

 

“Uma das dificuldades dos dias de hoje nas corridas de rua é o crescimento sem um acompanhamento de organização qualificado, além do preço da corrida muito caro, sem uma valorização dos participantes”, afirma.

 

Na pista, a preocupação está relacionada principalmente ao acompanhamento multidisciplinar dos atletas. Para ele, além do treinamento esportivo, os competidores precisam contar com profissionais de diferentes áreas.

 

“Na pista falta acompanhamento para nossos atletas, psicólogo esportivo, nutricionista esportivo e fisioterapeuta na área”, aponta.

 

A experiência de acompanhar atletas em diferentes fases também fez com que Egídio desenvolvesse uma visão sobre a importância do apoio para a permanência dos esportistas no Estado. Para ele, investimentos em estrutura, transporte, bolsas e profissionais podem contribuir para que os atletas tenham condições de continuar suas trajetórias em Mato Grosso do Sul.

 

Ao relembrar sua própria história, Egídio afirma que o esporte também proporcionou à filha experiências que ultrapassaram os resultados das competições. Segundo ele, quando ela ainda era criança, procurou mostrar que o atletismo poderia abrir oportunidades que seriam difíceis de alcançar de outra maneira.

 

“Um recado que deixo é que o único que pode pôr limite nos nossos objetivos somos nós mesmos. Minha filha foi campeã com 12 anos no Rio de Janeiro. Eu falei para ela: ‘Se quiser conhecer o mundo, o atletismo poderia levá-la aonde meu bolso não poderia pagar’. E ela conhece quase todo o nosso país e ganha por isso”, afirma.

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