Da Redação
“Devagar e sempre.” É assim que a campo-grandense Joelma Gonçalves de Lima, de 50 anos, resume a forma como encara o CrossFit, prática que começou aos 42 anos e que mudou completamente sua relação com a saúde física e mental.
Natural de Barbosa Ferraz, no Paraná, e moradora de Campo Grande, Joelma cresceu distante da rotina de exercícios físicos. Durante boa parte da vida, conviveu com o sedentarismo e com dores no joelho, na lombar e no cotovelo. “Eu usava tudo isso como desculpa para não treinar”, lembra. Mas a virada aconteceu na noite de Réveillon de 2017, quando percebeu que estava ganhando muito peso. “Naquele momento decidi que precisava dar um jeito nisso.”
Em janeiro de 2018, um ano depois de seu marido ter iniciado no CrossFit, Joelma se matriculou no box do bairro onde mora. O início, segundo ela, não foi fácil. “Não conseguia fazer nada, nem movimentos simples, como agachar apenas com o peso do corpo e uma corridinha de 100 metros.” A persistência, porém, foi fundamental para que não desistisse.
O apoio do marido e a paciência dos treinadores ajudaram no processo de adaptação. Além disso, a prática coletiva teve papel importante. “O fato de ser uma atividade em grupo ajuda muito, afinal as pessoas estão sempre incentivando umas as outras, mesmo sem se conhecerem”, destaca. Aos poucos, Joelma passou a vencer as barreiras que a impediam de seguir em frente.
Hoje, a relação dela com o esporte é bem diferente da de oito anos atrás. Se antes as dores eram usadas como justificativa para evitar os treinos, agora o exercício se tornou parte essencial da rotina. “As dores que eu tinha antes já não sinto mais, os medicamentos que eu tomava para ansiedade e para dormir também não preciso mais. O CrossFit tem um papel muito importante no que diz respeito aos sintomas relacionados à minha menopausa”, explica.
Atualmente, Joelma treina de cinco a seis vezes por semana, sempre respeitando os limites do corpo. “Treino pela qualidade de vida, pela longevidade, para que na minha velhice eu seja capaz de fazer coisas simples, como sentar e levantar do sofá sozinha.” A motivação não vem da busca por competições ou da pressão por performance, mas da certeza de que a prática a mantém ativa. “Minha maior conquista é saber que, aos 42 anos, dei o meu maior passo: iniciei uma atividade física. Hoje, aos 50 anos, sou uma pessoa ativa e tenho mais disposição para brincar com a minha netinha.”
A transformação não se restringiu ao físico. Para ela, a mudança mais significativa aconteceu na mente. “Mais que um corpo forte, uma mente forte e resiliente, nos fazendo acreditar que sempre é possível seguir em frente sem desistir.” Essa mentalidade, segundo Joelma, foi construída ao longo dos anos, à medida que percebia que conseguia realizar movimentos que antes pareciam impossíveis.
Mesmo já tendo participado de algumas competições locais, Joelma reforça que o maior aprendizado não está nos pódios, mas no processo. “Foi uma experiência interessante, sempre houve uma evolução muito positiva em cada um deles”, conta. Para o futuro, o objetivo é simples: continuar treinando e evoluindo.
Para quem sente vontade de começar, mas teme a intensidade do esporte, o conselho é direto: “Comece, seja paciente, não se cobre e, principalmente, curta o processo de aprendizagem. A evolução sempre acontece, cada pessoa no seu tempo.”
Aos 50 anos, Joelma Lima olha para trás e vê no CrossFit um divisor de águas. O que começou com desconfiança, medo e insegurança se transformou em um novo estilo de vida. E, na base dessa transformação, permanece a frase que guia seus dias: “Devagar e sempre.”