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“Deus me curou com a corrida”: Suzani Pinheiro relata sua relação com o esporte

da redação - 17 de nov de 2025 às 14:32 77 Views 0 Comentários
“Deus me curou com a corrida”: Suzani Pinheiro relata sua relação com o esporte Da Redação

A trajetória de Suzani de Souza Pinheiro Silva, nascida em Santo Augusto (RS) em 7 de fevereiro de 1980, mostra uma relação construída com a corrida ao longo de circunstâncias que transformaram sua vida pessoal e profissional. O primeiro contato com a modalidade veio em 2017, quando treinava um grupo de alunos de funcional. As atividades aos sábados, inicialmente simples, evoluíram para treinos mais estruturados e deram origem à assessoria NG Training. Naquele momento, a corrida ainda era uma ferramenta de trabalho. A mudança real ocorreu anos depois, marcada por um acontecimento definitivo. “Em 2020, após o falecimento da minha filha de 5 anos, tudo mudou. Foi quando vivi um encontro pessoal e profundo com a corrida”, afirma. A partir dali, o esporte deixou de ser apenas exercício e se tornou forma de reorganizar a vida. “Ela passou a ser meu momento mais especial com Deus, a maneira que Ele usou para me curar e me fazer superar o luto.”

 

O vínculo com a modalidade levou Suzani a participar de provas que vão dos 100 metros à maratona. A motivação para percursos tão distintos não está na distância, mas na experiência que cada competição proporciona. “A maior motivação está na experiência que vem depois da corrida, a sensação que ela traz”, diz. A presença do público, mesmo desconhecido, também tem papel no processo. “Estar no percurso ouvindo pessoas que nem te conhecem torcendo por você é algo indescritível. Cada passada carrega uma energia especial.”

 

A rotina de treinos não segue modelos rígidos. Suzani opta por uma preparação que considera variada e funcional para diferentes distâncias. “Eu não tenho uma rotina fixa. Não sigo planilhas e nem gosto muito delas”, explica. Em vez disso, aposta em treinos que combinam força, resistência, potência e pliometria, além de movimentos que preservam o prazer pela atividade. “Acredito que treinos variados e com propósito te preparam para qualquer tipo de percurso.”

 

Entre as provas já disputadas, uma se destaca pela carga simbólica e pelo contexto vivido. “Sem dúvida, a Maratona da Serra da Bodoquena 2024”, afirma. Ela dedicou a participação à filha, que completaria 10 anos naquele ano. Foram doze meses de preparação que, segundo Suzani, representaram mudanças físicas, emocionais e espirituais. “Essa prova representou o amor, a fé e a superação que Deus colocou no meu caminho.”

 

Ao analisar os desafios da corrida de resistência, ela aponta duas dimensões distintas. A primeira é física, ligada à preparação adequada. A segunda é mental, marcada pelo sentido que se estabelece antes de cada prova. “Fisicamente, o maior desafio é não se preparar da forma correta. Mentalmente, é correr sem propósito.” Para ela, quando há clareza no objetivo, a resposta emocional tende a ser mais estável, mesmo diante do desgaste do percurso. “O corpo até cansa, mas o coração continua quando há sentido em cada passo.”

 

A preparação para competições também inclui cuidados de saúde, alimentação e exames regulares. O acompanhamento nutricional faz parte da rotina. No campo emocional, Suzani busca apoio profissional quando necessário, mas destaca principalmente sua relação com a fé. “É Deus quem me fortalece e me lembra do propósito que existe por trás de cada corrida.”

 

Durante provas longas, a estratégia que adota tem relação direta com a espiritualidade que orienta sua prática. “Minha estratégia é orar e agradecer. A cada quilômetro, respiro fundo e agradeço pelo dom da vida.” Ao longo dos trajetos, observa paisagens e pessoas, descrevendo o processo como uma espécie de diálogo silencioso.

 

Participar de eventos de corrida, dentro ou fora de Campo Grande, é para ela uma forma de avaliar processos internos que ultrapassam o esporte. “Representa superação pessoal. Cada corrida é um lembrete de que, com fé e perseverança, somos capazes de ir além.”

 

Para iniciantes, o conselho é simples e direto. “Não se subestime. Você vai se surpreender com o corredor que existe dentro de você.” Segundo ela, parte da descoberta na corrida está em perceber que o corpo responde além das expectativas quando há disposição para começar.

 

Os objetivos futuros não estão atrelados a marcas específicas ou novas distâncias. Suzani afirma que busca manter um ritmo de vida que una corrida, espiritualidade e convivência. “Meu objetivo é viver com intensidade cada corrida, sem pressa, sem comparação. Que cada percurso seja único e me aproxime ainda mais de Deus, das pessoas e de mim mesma.”

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