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Descobrir na ginástica uma missão: Vitor Tavares ensina e aprende todos os dias no Instituto Ginasloucos

da redação - 8 de ago de 2025 às 15:04 136 Views 0 Comentários
Descobrir na ginástica uma missão: Vitor Tavares ensina e aprende todos os dias no Instituto Ginasloucos Da Redação

Vitor Tavares dos Santos nasceu em 14 de janeiro de 2000, na cidade de Paranhos, interior de Mato Grosso do Sul. Hoje, aos 25 anos, ele se divide entre duas funções que se completam: a de professor de ginástica artística no Instituto Ginasloucos e a de atleta no grupo de basquete acrobático que leva o mesmo nome. Não era esse o caminho previsto inicialmente, mas foi o que ele escolheu seguir, e onde diz ter se encontrado.

 

Sua trajetória com a ginástica começou por acaso. Estudante de Educação Física, fazia estágio em outro projeto quando recebeu um convite inesperado. “Em 2017, quando o professor Kaká (coordenador do projeto) criou o projeto de ginástica artística, ele me convidou para fazer o estágio lá. Mesmo sem saber nada sobre ginástica, aceitei o convite e desde então me encontrei na modalidade”, conta. A experiência que começou como um estágio de faculdade se tornou um propósito de vida. “Comecei como estagiário e, em 2021, quando me formei, passei a atuar como professor e técnico.”

 

Vitor fala sobre a função de ensinar com naturalidade e orgulho. “O que me motiva como professor é, acima de tudo, o amor pela ginástica artística e pelas crianças”, afirma. A motivação também se alimenta das pequenas conquistas diárias que ele presencia ao lado dos alunos. “Cada superação, cada nova conquista, cada sorriso ao realizar um elemento novo, tudo isso é extremamente gratificante.”

 

Além das aulas, Vitor também atua como atleta no grupo acrobático Ginasloucos, conhecido pelas apresentações que misturam basquete, acrobacia e humor em quadras e palcos por todo o Brasil. Ele relata que o desejo de fazer parte do grupo surgiu logo no primeiro contato. “Desde o primeiro dia em que vi o grupo, fiquei encantado pelas acrobacias e decidi que queria fazer parte.” Para ele, a motivação como atleta é diferente da que sente como professor, mas não menos intensa. “A adrenalina de estar no palco, se apresentando para o público, é o que me move.”

 

A rotina do grupo é puxada: treinam todos os dias úteis durante uma hora e reservam os fins de semana para as apresentações, que ocorrem em diferentes cidades e estados. Vitor exerce ainda a função de diretor técnico do grupo, cuidando do planejamento das atividades e da preparação dos integrantes. Para ingressar no time, os interessados precisam passar por uma seletiva rigorosa. “Avaliamos a coordenação motora, agilidade e equilíbrio. Além disso, valorizamos muito a disciplina, a concentração e o compromisso com os treinos.”

 

O Instituto Ginasloucos, onde Vitor atua como professor e técnico, é uma entidade sem fins lucrativos que oferece aulas gratuitas de ginástica artística para crianças e adolescentes. A proposta vai além da iniciação esportiva e mira o desenvolvimento integral dos alunos. Ele trabalha com turmas de iniciação, nível intermediário e avançado, além de conduzir os treinos das atletas de alto rendimento feminino.

 

Segundo ele, o esporte tem um papel transformador na vida dos alunos. “Ajuda na superação de medos, aumenta a autoconfiança, melhora a disciplina, o respeito, o trabalho em equipe e a responsabilidade”, observa. Vitor também aponta que a ginástica pode ser uma aliada na luta contra os efeitos negativos do uso excessivo de telas. “Em tempos de excesso de tecnologia, a ginástica ajuda a reduzir o tempo de tela e a ansiedade.”

 

Conciliar as funções de professor e atleta não é tarefa simples. Ele explica que o desafio maior está em manter o corpo em condições para as exigências físicas das apresentações, mesmo após dias intensos de aulas. “É preciso ter cuidado constante com o corpo para evitar lesões musculares e nas articulações. Ser atleta exige compromisso diário, mesmo quando o dia já foi cheio de aulas”, relata.

 

As apresentações, segundo Vitor, também exigem esforço logístico. “Temos o compromisso de realizar apresentações nos finais de semana, muitas vezes em cidades distantes e fora do estado.” Mas ele não se queixa da rotina puxada, porque enxerga os resultados.

 

Os frutos do trabalho no Instituto são visíveis, segundo ele. “O projeto tem transformado vidas e revelado atletas.” Ele cita o exemplo de duas alunas que se destacaram em competições escolares: Louise Cristiny, bicampeã dos Jogos Escolares de Mato Grosso do Sul, e Ana Laura, que em sua estreia conquistou o 2º lugar e a vaga para os Jogos Escolares Brasileiros. “São histórias inspiradoras.”

 

Sobre o futuro, Vitor é direto. Como atleta, deseja seguir encantando plateias e levar o nome do grupo ainda mais longe. “Meu objetivo continua sendo levar alegria ao público com nossas apresentações. Ainda vejo que o grupo precisa ser mais valorizado no Brasil e, quem sabe, um dia, possa se tornar um grupo de reconhecimento internacional.”

 

Como professor, o foco é na excelência técnica. “Já atingi muitas metas, mas continuo trabalhando para mais. Um dos meus maiores objetivos agora é formar uma atleta campeã nacional nos Jogos Brasileiros e crescer cada vez mais como técnico.”

 

O percurso de Vitor Tavares é, por si só, uma síntese do que o Instituto Ginasloucos representa: descobrir talentos, transformar vidas e construir histórias por meio do esporte. Ele não apenas encontrou uma profissão, mas uma missão — e, como ele mesmo diz, “me encontrei na modalidade”.

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