Da Redação
Antonio Gilberto de Souza Paim, atleta veterano de judô de Mato Grosso do Sul, começou sua trajetória na modalidade ainda criança. “Quando era criança era muito agitado e a minha mãe me levou a uma psicóloga na época. Essa profissional orientou minha mãe a me colocar no judô e assim comecei no judô em março de 1989, na escola Paulo Freire, atual Colégio Master”, contou. Ao longo de sua trajetória, Paim passou por diferentes funções dentro do judô, incluindo competidor, oficial de súmula, mesa de placar, árbitro e professor. “Logo depois me graduei faixa preta, competi até os 31 anos de idade. Depois fui cuidar da vida por questões profissionais, pessoais etc.”
O retorno aos tatames veio alguns anos mais tarde, motivado por uma descoberta na internet. “Aos 33 anos estava mexendo na internet e vi no site da Federação Paulista de Judô o Campeonato Brasileiro de Veteranos e nas fotos pude observar vários atletas grisalhos, calvos e com idade mais avançada que eu. Assim me motivei a voltar aos treinos do judô. Mas só voltei a competir no Veterano aos 38 anos.”
Aos 45 anos, Paim já acumula títulos e participações expressivas na categoria veterano, mas afirma que os maiores desafios não estão apenas nos adversários, e sim no próprio corpo. “Os maiores desafios foram as lesões, principalmente de processo inflamatório como tendinite e tenossinovite, e também conseguir me condicionar fisicamente, pois ficar cinco anos sem vestir o judogui faz muita diferença.”
Segundo ele, o judô mudou bastante desde que começou. “O judô já mudou bastante do tempo em que eu iniciei até os dias de hoje, principalmente as regras. Me chama muito a atenção a saída de pontuação em 2013, o yuko, e neste ano de 2025 teve o retorno dessa mesma pontuação, e também o fato de não poder pegar na perna tanto no ataque como na defesa.”
Entre suas conquistas, Paim destaca os títulos obtidos na faixa etária de veteranos: cinco vezes campeão estadual em Mato Grosso do Sul, vice-campeão brasileiro em 2022, vice-campeão sul-americano em 2025 e campeão da Copa Rio de Janeiro Internacional de Judô. “De todos estes resultados, o mais marcante foi o vice-campeonato brasileiro de 2022 em Joinville-SC, pois já fazia 17 anos que eu não competia nacionalmente e, com muita garra e determinação, obtive essa conquista.”
Manter o ritmo de treinos e competições na categoria veterano exige disciplina. “Eu treino em média de quatro a cinco vezes por semana, mais competições de veteranos fora do estado de MS, pois é o que motiva a continuar treinando, independentemente dos resultados”, disse. Além dos treinos de judô, ele complementa com preparação física e cuidados preventivos: “Faço treino de musculação cinco vezes por semana, treino específico duas vezes na semana e fisioterapia preventiva uma vez por semana. Assim também cuido do treino mental, que é 80% para vencer uma competição, e assim vamos seguindo nas competições de veteranos.”
Para Paim, o judô trouxe aprendizados que vão além dos tatames. “O judô contribuiu muito na disciplina e na conduta perante a sociedade.” Sobre a evolução da modalidade em Mato Grosso do Sul, ele afirma que o crescimento é evidente, especialmente nas categorias de base. “O judô de Mato Grosso do Sul já vem evoluindo por um longo tempo, principalmente nas categorias de base, que são: sub-13, sub-15, cadete (sub-18) e júnior (sub-21). Já o sênior (adulto), o Mato Grosso do Sul esporadicamente consegue um pódio ou outro no feminino, pois já tem um bom tempo que o masculino não consegue chegar no pódio em campeonato brasileiro sênior. Nessa faixa etária é uma classe de profissionais da modalidade do judô e, sem apoio e investimento, não tem como obter resultados.”
Ele também observa que os veteranos têm um papel importante de inspiração para novos atletas. “A classe de veteranos aqui do Mato Grosso do Sul vem evoluindo de forma gradativa e lenta, mas estamos sempre trazendo resultados para o Mato Grosso do Sul e para o Brasil, e vejo os veteranos como uma classe de inspiração para as novas gerações darem continuidade no judô mesmo depois de atingir uma idade experiente.”
Quando questionado sobre o que é essencial para que os novos atletas permaneçam na modalidade, Paim destacou a importância de ter objetivos claros. “Os atletas, para permanecer na modalidade por mais tempo, primeiramente precisam ter objetivos para continuar praticando o judô, pois se não tiver objetivo os atletas desanimam. Como eu disse anteriormente, a competição nos motiva a continuar praticando.”
Sobre seus próximos desafios, Paim projeta participação em campeonatos nacionais e internacionais. “Os meus maiores objetivos para 2026 são o campeonato brasileiro, o campeonato sul-americano e o Panamericano, e assim vou me motivando a continuar a competir no judô, pois um dia, no qual eu ainda não sei quando, eu vou ser campeão mundial. Essa é a minha maior motivação.”